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Diário da Região

03/04/2015 - 08h30min

São Paulo

'Ludwig e Suas Irmãs' conta a história de um homem que quer mudanças

São Paulo

"Querida, a que manifestação você acha que nós poderíamos ir hoje?" "Ah... tem alguma dos professores aí?" "Não, mas tem um pessoal aqui que tá defendendo a questão dos micos-leões-dourados." "Então vamos nessa! Parece divertido." O diálogo acima foi criado pelo diretor de teatro Eric Lenate enquanto ele ironizava, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, a banalização das manifestações. "Daqui a pouco os protestos vão entrar no calendário cultural de São Paulo e os guias culturais da cidade vão ter seções de 'teatro', 'cinema', 'bares' e 'manifestações'", diz, afirmando que a força dos movimentos, com o tempo, arrefece. É justamente essa perda de impulso - e não uma menção clara aos protestos - que aparece em Ludwig e Suas Irmãs. Encenado por Lenate, o espetáculo estreia nesta sexta, 3, no Centro Cultural São Paulo. O texto do austríaco Niclaas Thomas Bernhard (1931-1989) foi publicado em 1986, com o título Ritter, Dene, Voss - nome dos atores que participaram da primeira versão da peça. Em uma licença de tradução, Erlon José Paschoal trouxe o nome do protagonista ao título. Em Ludwig e Suas Irmãs, Ritter (interpretada por Cléo de Páris) e Dene (Lavínia Pannuzio) vivem juntas e sozinhas na casa de sua família. Elas esperam a chegada do irmão Ludwig (Jorge Emil), um filósofo célebre que retorna depois de uma temporada no sanatório Steinhoff, onde fica internado por ter problemas de convívio e desequilíbrio emocional. Mais velha, Dene tem um perfil conservador. Preocupada com os mínimos e mais banais detalhes da casa, é ela quem insiste para que Ludwig abandone o sanatório e volte para passar um tempo em casa. Ritter se comporta de maneira oposta. De espírito mais jovem, ela julga as atitudes da irmã, é mais livre, questiona as normas e é contra a chegada do irmão. Quando Ludwig finalmente chega ao recinto, a casa se desestabiliza. Desapontando e desdenhando dos cuidados de Dene, ele se irrita com o funcionamento das coisas na casa e faz o que pode para mudar a situação, mas acaba se deixando abater pelo cansaço. "Ele chega como essa força avassaladora, leva um tsunami para dentro da cena, com uma série de reflexões para transformar um lugar que, para ele, é inadmissível", diz Lenate. "Mas ele chega a um estado de exaustão intelectual e física, e fica imobilizado", complementa, relacionando esse processo às manifestações que ocorreram no Brasil. Para o diretor, se, em 2013, o País parecia se dirigir a algum lugar, hoje se vê que, na verdade, não estava indo a lugar algum. Foram as manifestações, aliás, que fizeram com que Lenate retomasse a realização de Ludwig e Suas Irmãs. "Era como se aqueles Ludwigs que estavam perdidos tivessem despertado e começado a marchar pelas ruas." O diretor tinha vontade de trabalhar com o texto desde 2007, quando começou a se envolver com o Centro de Pesquisa Teatral, de Antunes Filho. "Gosto não apenas do discurso, mas de como Bernhard escreve", comenta Lenate. "É de uma maneira apaixonada e urgente de contar a história." O Ludwig criado pelo austríaco é um personagem de ficção, mas com uma grande inspiração na realidade. O autor era grande amigo de Paul Wittgenstein, sobrinho do filósofo Ludwig Wittgenstein - a personalidade de ambos ajuda a formar o caráter do protagonista. Com texto denso, o espetáculo é quase totalmente baseado na palavra. É, por vezes, difícil acompanhar as falas de Dene e Ritter, quase sempre velozes, verborrágicas e ininterruptas. O destaque da palavra é uma das justificativas para o cenário e os figurinos. Decorado em preto e cinza, o ambiente onde os personagens vivem é pesado, denunciando certa ausência de vida. Os figurinos das irmãs combinam com a casa: é como se elas estivessem em um luto eterno. "Essa coisa sombria, esse negrume, também traz a possibilidade de dar outro significado à realidade daquele microcosmos", complementa Lenate. Xará do protagonista, Beethoven está presente na trilha. Eroica, a terceira sinfonia, se repete no espetáculo, às vezes entrando como um reforço dramático, às vezes fazendo um contraponto irônico, gerando um sentimento contrário ao da cena. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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