Diário da Região

21/12/2010 - 03h14min

Anjo pornográfico

Há 30 anos morria Nelson Rodrigues

Anjo pornográfico

Lézio Júnior/ Editoria de arte  
 

Há exatos 30 anos, o dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980) tornava-se, de fato, um anjo pornográfico. Pode ter ido para o inferno por ter subvertido os valores da época, ao ser considerado por muitos como obsceno e imoral. Pode ter ido para o céu, endeusado por críticos e artistas ao criar uma nova forma de fazer teatro, respaldado especialmente pelo talento de Ziembinski, ao levar “Vestido de Noiva” aos palcos, em 1943.


Ou ainda vagar pela Terra para assombrar aqueles que tentam imitá-lo. “Ele é bem terreno. E sua maior contribuição é justamente esse olhar intenso para o homem, sem travas nos olhos. Não tem a ver com bem e mal”, explica o diretor da Armazém Companhia de Teatro, Paulo de Moraes.


O grupo formado em Londrina (PR) e radicado no Rio de Janeiro, um dos mais conceituados do Brasil, montou “Toda Nudez Será Castigada” em 2005, com Thales Coutinho no papel de Herculano e Patrícia Selonk como Geni. Segundo Moraes, seu primeiro contato com o texto foi em 1985, como ator do Grupo Delta de Teatro. “Tinha uma visão pessoal interessante sobre a obra dele e queria retomar esse trabalho há bastante tempo.”


Um dos elementos que chamou a atenção do diretor foi a ousadia da estrutura narrativa, que utiliza o protagonista para desenrolar a trama e a certo ponto o abandona, dando espaço para outros papéis. A peça venceu o Prêmio Shell de Teatro no ano da estreia nas categorias de melhor direção e melhor iluminação e o Prêmio Eletrobrás de Teatro 2006 com melhor iluminação, melhor figurino e melhor cenografia.


Assim como a Armazém, inúmeras trupes se inspiraram nas 17 peças teatrais de Rodrigues, além de contos, crônicas e romances (suas obras também se tornaram telenovelas e filmes). Em Rio Preto, há pelo menos dois exemplos de sucesso. “Seja pela leitura ou pela encenação, Nelson Rodrigues é obrigatório para todos que estudam e praticam teatro, em qualquer nível”, diz Marcelo Matos, ator e diretor do grupo de pesquisa teatral Sala 50, que criou “Mulheres de Nelson”, também há cerca de cinco anos.


O espetáculo surgiu de uma análise de “Álbum de Família”, mas ganhou contornos diferenciados durante o processo de criação. Trata-se de uma licença poética, que reúne depoimentos de personagens femininas do autor como se estivessem aprisionadas em uma casa. Contrariando a visão de grande parte dos profissionais, Matos acredita que a obra rodriguiana não é intocável. “Se os direitos autorais permitem e existe responsabilidade, devemos sempre atualizar.”


Para ele, o fantasma do teatrólogo continua presente, pois muita coisa boa foi feita desde então. “Diante de tantos trabalhos antológicos, a responsabilidade de mexer em suas obras é grande.” Responsabilidade essa que não assusta a Cia. Livre de Teatro. Depois de inaugurar o repertório com “As Noivas” - tragicomédia inspirada nos contos “As Gêmeas”, “O Pastelzinho” e “Delicado” - o grupo não parou de beber da fonte.


Em 2007, participou do festival Curta-Teatro com a adaptação “A Essência de Anjo Negro”; em 2008, encenou “Álbum de Família”, inspirado na dramaturgia original; e em 2011 busca recursos de leis de incentivo para estrear “A Serpente”. “Ao mesmo tempo que a cobrança é muito grande, tivemos boa aceitação desde o começo”, diz Leandro Aveiro, diretor da companhia.


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