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Diário da Região

10/09/2016 - 00h00min

REMOENDO O PASSADO

Espetáculo Cérebro de Elefante propõe reflexão sobre culpa e redenção

REMOENDO O PASSADO

Isaac Ruy/Divulgação Vanessa Cornélio, Harlen Félix e Luciana Gadoti no espetáculo Cérebro de Elefante. Marido, esposa e amante encontram-se no limbo de suas memórias, buscando no passado razões para a situação em que se encontram no presente
Vanessa Cornélio, Harlen Félix e Luciana Gadoti no espetáculo Cérebro de Elefante. Marido, esposa e amante encontram-se no limbo de suas memórias, buscando no passado razões para a situação em que se encontram no presente

Por mais que se diga que o passado já foi, que o que vale a pena é focar no presente e trabalhar para que o futuro seja melhor, faz parte do ser humano remoer o que já aconteceu e, às vezes, essa é a única forma de compreender seus erros para que eles não se repitam. E é esse trabalho de análise do passado que move Cérebro de Elefante, espetáculo da Cia. Ir e Vir que estreia neste sábado, 10, às 20h, no teatro do Sesc Rio Preto.

O título é uma alusão à expressão “memória de elefante”, utilizada para se referir a pessoas que possuem uma boa memória, que não esquecem das coisas facilmente. De acordo com a fisiologia dos elefantes, esses paquidermes possuem um cérebro mais denso e com mais lóbulos do que o dos humanos, o que faz com que tenham maior capacidade de guardar informações.

Inspirado na obra e na estética do dramaturgo Samuel Beckett (1906-1989), Cérebro de Elefante recorre à memória de seus personagens para conduzir a plateia por um jogo absurdo, cíclico e repetitivo. Em cena, os atores Harlen Félix, Luciana Gadoti e Vanessa Cornélio dão vida a um triângulo amoroso alimentado por lembranças.

Marido, esposa e amante encontram-se no limbo de suas memórias, buscando nas coisas do passado razões e justificativas para a situação em que se encontram no presente. Enterrados num lugar inóspito e sem vida, o trio se entrega a um vazio sem perspectivas de futuro, como se condenassem sua própria consciência à loucura e à insanidade.

“Culpa, rancor, medo e arrependimento são alguns dos sentimentos e sensações que alimentam a encenação, que se constitui num desafiante exercício de interpretação ao focar-se no texto, nas palavras, buscando retirar de cada uma delas o máximo de intenções e de metáforas. Ao meu ver, um belo exercício para o ator”, explica o dramaturgo e diretor da montagem, Tiago Mariusso.

As metáforas são parte importante para o texto, permitindo um entendimento variado ao espectador, garante Tiago. “O espetáculo é um quebra-cabeças de uma história trivial, os signos que são propostos abrem um leque de opções ao espectador para entender as possíveis razões dessa ruminação de sentimentos e acontecimentos.”

E as metáforas também são utilizadas para traduzir nossa realidade atual, em que as pessoas estão submersas em um mundo repetitivo, programado, cíclico, à espera de que algo aconteça, sempre. “Estamos trabalhando com afinco para transmitir toda essa sensorialidade que o texto propõe. E assim voltamos mais uma vez a Beckett”, afirma Tiago.

Cérebro de Elefante é resultado de um trabalho de anos do dramaturgo, um projeto que começou com outra proposta, conta o autor. “O texto, inicialmente, faria parte de outro projeto. Outros rumos foram tomados, mas continuei trabalhando nesse texto até inscrevê-lo no projeto do Sesc.”

O projeto a que Tiago se refere é o workshop Dramaturgia Contemporânea e Encenação, realizado em maio, com Diego Fortes. “Uma provocação de Diego me fez resolver montá-lo.”

Além de Beckett, o texto traz referências a experiências pessoais do próprio dramaturgo. “Na época, escrevi para pessoas com quem convivia, talvez como forma de desabafo. Contudo, hoje, não tenho nem resquícios de lembranças desse impulso inicial, já passou.”

Influência

Beckett não foi inspiração apenas para este projeto. O dramaturgo é referência constante ao trabalho de Tiago. Em 2011, ele e um grupo de amigos iniciaram estudos sobre a obra de Beckett, na época, sem grandes pretensões. Nesta pesquisa, encontraram um texto da obra Come and Go, que acabou inspirando o nome do grupo, Cia. Ir e Vir.

“Acredito que tudo o que eu faça sempre terá influências diretas ou indiretas da obra desse autor, porém, a busca da Cia. Ir e Vir sempre foi pesquisar a singularidade nos trabalhos, acreditando no processo criativo das pessoas envolvidas na criação do todo. O ator, aqui, se faz essencial para o processo de construção dos trabalhos, uma vez que é o ‘cérebro da coisa toda’”, diz.

Serviço

Cérebro de Elefante, da Cia. Ir e Vir, sábado, dia 10 de setembro, às 20h. Teatro do Sesc Rio Preto. Ingressos: R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia), R$ 6 (credencial plena).

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