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Diário da Região

12/07/2016 - 00h00min

Un Poyo Rojo

Dupla argentina no FIT desafia os limites do corpo

Un Poyo Rojo

Paola Evelina/Divulgação No palco, o jogo travado por Barón e Rosso apresenta uma energia física inesgotável, além de surpreender o público a todo momento com um humor lúdico e ingênuo. (Foto: Paola Evelina/Divulgação)
No palco, o jogo travado por Barón e Rosso apresenta uma energia física inesgotável, além de surpreender o público a todo momento com um humor lúdico e ingênuo. (Foto: Paola Evelina/Divulgação)

A arte do corpo que desafia seus limites já rendeu momentos históricos ao longo das edições do Festival Internacional de Teatro (FIT). Um dos mais emblemáticos foi proporcionado por Plan B, espetáculo apresentado em 2007 pela companhia francesa 111.

Na edição deste ano, a dupla argentina Luciano Rosso e Alfonso Barón é a aposta da curadoria para arrancar suspiros da plateia com uma performance cheia de vigor físico.

Nesta quarta e quinta-feira, 6 e 7, eles apresentam Un Poyo Rojo (Um Banco Vermelho), espetáculo em que convergem uma série de gêneros e modalidades, como o teatro, a acrobacia, a dança, a percussão corporal, as artes marciais e a linguagem do palhaço.

Desde sua estreia, em 2008, Poyo Rojo acumula oito temporadas em Buenos Aires com ingressos esgotados, além de ser aclamado em países da América Latina e da Europa.

No espetáculo, a dupla recorre ao teatro físico para explorar os limites da linguagem contemporânea. O resultado é uma obra de linguagem corporal em que o espectador se surpreende a todo momento com as possibilidades criativas do de um corpo físico (e, claro, espiritual).

O jogo travado por Barón e Rosso tem como principal plataforma um banco vermelho. É dele que nascem situações criadas a partir de temas como masculinidade, sexualidade, desejo e concorrência.

A sensualidade é um elemento latente na encenação de Poyo Rojo, assinada por Hermes Gaido. No palco, os dois artistas apresentam uma energia física inesgotável, além de surpreender o público a todo momento com um humor lúdico e ingênuo.

Poyo Rojo nasceu de uma série de variações concebidas por Rosso e Nicolas Poggi no Laburatorio, centro cultural da cidade argentina de San Fernando. A proposta inicial era de um duo cômico com pequenas nuances, para encontrar maneiras de contar o movimento de diferentes tipos de relações entre dois homens a partir de elementos de dança e teatro.

Após essa experiência, ele foram convidados para participar do festival Ciudanza, em que contaram com a colaboração de Gaido, responsável pela direção do espetáculo como ele é apresentado desde então.

5VAE-JORGEETECHEBER_WEB Sabiás do Sertão - Teatro musical brasileiro em um ato, uma chegada e uma andança (Cia. Cênica), de Rio Preto. (Foto: Jorge Etecheber/Divulgação)

Grupos locais

Dois grupos locais estreantes no festival rio-pretense fazem suas primeiras apresentações nesta terça-feira, 12: a Cia. do Santo Forte e a Cia. Para Pessoas Solitárias.

Fundada pela atriz Tauane Alamino, a Cia. do Santo Forte apresenta no FIT Deus Faz, o Diabo Tempera, espetáculo que mergulha na mitologia do malandro e da pombagira da umbanda, abordando questões como o ciúme, a dominação e o patriarcado.

Já a Cia. Para Pessoas Solitárias traz para o festival uma discussão em torno da violência enquanto mercadoria de entretenimento. A peça War tem como principal inspiração os filmes de guerra eternizados pelo cinema.

Leitura dramática envolve classe artística

Texto que marca o retorno da Cia. Hecatombe a um trabalho essencialmente autoral, Longos Anos consegue reunir de forma criativa as referências que inspiram o rio-pretense Homero Ferreira em seu ofício de dramaturgo.

O texto, que é alvo de uma série de leituras dramáticas na programação do Festival Internacional de Teatro (FIT), evidencia os frutos colhidos por Ferreira em sua pesquisa sobre a linguagem neogrotesca, em especial do humor ambíguo e duvidoso estilizado pelo teatro argentino.

cultura12072016 Homero Ferreira, diretor e ator de Longos Anos.

Mais que uma leitura, o rio-pretense propõe um jogo com cada um de seus convidados, tornando mais dinâmica e atraente ao público o reencontro de duas irmãs após longos anos de separação.

Inspiradas em divas do cinema como Bete Davis, as duas irmãs são unidas por um exótico acidente genético, responsável por traumas, crenças e emoções bem distintas entre elas.

Longos Anos é temperado com tudo que uma boa trama pede. Tem humor, tem tensão e, claro, tem revelações bombásticas, e daquelas que podem mudar por completo o rumo da história.

No jogo, Ferreira se incumbe de fazer o papel de Bete, a irmã que ficou ao lado da avó até a morte enquanto Joana, personagem do convidado, sumiu pelo mundo.

Até o final do FIT, Joana ainda será lida e vivida pelo ator Alexandre Machini Jr. (terça, 12), o dramaturgo Nelson Baskerville (quarta, 13), a atriz Clarissa Maria (quinta, 14) e o também dramaturgo Gustavo Colombini (sexta, 15). 

O que tem nesta terça, 12

war12072016

9h30 - Palestra Esclarecendo Dúvidas de Programas Estaduais de Incentivo à Cultura - ProaC Editais e ICMS. Oficina Fred Navarro
19h - O Que Você Realmente Está Fazendo é Esperar o Acidente Acontecer (Cia. de Teatro Acidental). Teatro Municipal
19h - Deus Faz, o Diabo Tempera (Cia. do Santo Forte). Graneleiro da Swift
20h - VaiqueuVoo - Se Você For, Eu Também Voo! (Cia. Irmãos Sabatino). Praça Cacilda Becker
20h - Show de Luís Dillah, João Pasini e Cesinha. Área externa da Swift
21h - War (Cia. Para Pessoas Solitárias). Graneleiro da Swift (foto)
21h - Luís Antônio Gabriela (Cia. Mungunzá). Teatro Municipal Paulo Moura
23h - Longos Anos (Cia. Hecatombe). Graneleiro da Swift

 

Análise

A animação virtuosa da peça Otelo

Três cabeças de bonecos, um punhado de roupas e dois atores virtuosos. Otelo, a montagem da companhia chilena Viajeinmóvil, que abriu a 16ª edição do Festival Internacional de Teatro de Rio Preto (FIT), evidencia o ator e seu talento como a essência da química encantada que somente o teatro pode proporcionar.

Em cena, Nicole Espinoza e Jaime Lorca mostraram um domínio apurado de diferentes técnicas de animação de bonecos. No entanto, eles não se restringem a mero animadores de coisas inanimadas; também se inserem como personagens da trama de traição escrita pelo inglês William Shakespeare.

otelo12072016 Otelo, da Cia. Viajeinmóvil, do Chile, na abertura do FIT

Enquanto Otelo, Desdémona e Cássio (personagens afetados pelo jogo de mentira e manipulação no clássico de Shakespeare) são personificados pelos bonecos, Iago, responsável pelo final trágico da história, é representado pelo ator chileno, reforçando o caráter perverso da natureza humana.

Aliás, Lorca é o grande destaque da montagem, revelando-se não apenas um exímio ator, mas um excelente ventríloquo. Em muitas cenas, enquanto interpreta Iago, ele também dá vida ao boneco de Otelo, travando diálogo com o personagem. A mente viaja a tal ponto que o boneco realmente parece falar sozinho. 

Em outros momentos, a dupla de ator se une para dar vida ao mesmo boneco. Enquanto Lorca faz a voz do personagem principal, Nicole assume seus movimentos. Tudo de forma muito simples, prática, mas como um resultado complexo e muito surpreendente.

A adaptação da companhia chilena para Otelo, o Mouro de Veneza, objetiva e direta, carrega um discurso de combate à violência feminina. A descrença de Otelo sobre Desdémona é a mesma que assola e vitimiza centenas de mulheres na América Latina. Tudo isso com um tom bem melodramático, que apenas serviu para reforçar a humanização dos bonecos em cena.

Harlen Félix?jornalista

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