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Diário da Região

24/05/2015 - 00h00min

Mulheres eletrônicas

DJs femininas ganham mais espaço

Mulheres eletrônicas

Johnny Torres Rio-pretense Maiara Mazzi, 24 anos, DJ há três anos, na boate Mixed Club: “Minha música é mais envolvente e sensual. O público gay adora”, diz
Rio-pretense Maiara Mazzi, 24 anos, DJ há três anos, na boate Mixed Club: “Minha música é mais envolvente e sensual. O público gay adora”, diz

Elas ainda não são maioria, mas já não passam despercebidas quando estão no comando das "pick-ups". As mulheres dominam cada vez mais a música eletrônica, um terreno predominantemente masculino desde o surgimento dos primeiros samplers e remixes. 

Inspiradas na projeção nacional e internacional de nomes como Ale Rauen, Mara Bruiser, Anna Lee e K-Milla, garotas da região de Rio Preto flertam com estilos como house, tribal e progressivo e conquistam espaço em boates, baladas e festas particulares.

A rio-pretense Maiara Mazzi, 24 anos, começou como DJ em 2012 e hoje já acumula performances em festas e casas noturnas de Uberlândia (MG), Ribeirão Preto, Franca e Bauru. Em Rio Preto, ela integra o elenco da Mixed Club. "Sou da geração dos adolescentes que não enfrentaram proibição para entrar numa boate. 

 

Michele Farias Michele Farias, de Araçatuba, diz que nunca se sentiu discriminada pelos homens. e mais que isso: eles deram força para ela começar

Comecei a frequentar boates desde muito cedo e a acompanhar de perto o trabalho dos DJs que tocavam em Rio Preto naquela época, como o Evandro Amêndola e o Ton Borges. Aprendi muito com eles", diz Maiara, que tem nos gays os principais admiradores de suas "playlists". "Meu estilo é mais puxado para o tribal com vocais pop. É uma música mais envolvente e sensual. O público gay adora", comenta a DJ rio-pretense.

Rota eletrônica

Além das garotas da região, Rio Preto começa a despontar no roteiro de DJs de outras cidades e estados. "Elas (as DJs) têm um jeito único de tocar. São muito profissionais e comprometidas com o trabalho", destaca o empresário Cacaco Cunha, da choperia Frei Caneco, que promove todos os domingos o projeto de música eletrônica Sunset Sunday.

Atração da Frei Caneco no dia 14 de junho, a catanduvense Letícia Chimello, 22, hoje residente em Ribeirão Preto, descobriu sua paixão pelas "pick-ups" ao participar de um curso de DJ há cinco anos. Em entrevista ao Diário, ela relembra as primeiras vezes que se apresentou como DJ. "Era uma situação engraçada, pois a maioria sempre esperava um DJ homem. 

Eu era a única mulher em meio a um monte de homens", cita. Por outro lado, Letícia destaca que nunca sofreu preconceito da ala masculina. "A música eletrônica é um segmento mais democrático. O que importa é se o seu som é bacana e levanta a pista." A araçatubense Michele Farias, 33, também destaca que nunca se sentiu discriminada pelos homens. 

 

DJ Ale Rauen DJ Ale Rauen, de São Paulo, uma das pioneiras e referência entre as mulheres da cena eletrônica

Pelo contrário, foram os seus amigos DJs que colaboraram com ela em suas primeiras incursões na noite. "A música eletrônica está bastante valorizada hoje, principalmente por conta dos grandes festivais do gênero que o Brasil tem recebido", opina Michele, que já tocou em boates de São Paulo depois de vencer um concurso de DJs. 

Ale Rauen
Uma das pioneiras no País, a DJ Ale Rauen é figura conhecida dos festivais de música eletrônica, tendo viajado por mais de dez países e tocado ao lado de nomes como David Guetta. Confira a entrevista que ela concedeu ao Diário da Região.

Há quanto tempo você atua como DJ? Quando começou, eram poucas as mulheres no comando das pick ups?
Ale Rauen - Em 2015, completo 10 anos de carreira. Quando comecei, a minha maior inspiração foi a DJ  Mary Zander. Aprendi muito nessa carreira que era dominada pelos homens.

Você sente que, de certo modo, influenciou uma geração de mulheres a atuarem como DJ? 
Ale Rauen
- Eu acredito que sim. Comecei no vinil e rompi muitas barreiras; me  dediquei, estudei. Tinha dias que ficava 8 horas com meu professor. Lembro-me que   cheguei a chorar várias vezes achando que não ia conseguir, e ele sempre me incentivava e dizia que acreditava em mim. Também fiz cursos na Aimec,  que  é uma referência nacional. Sempre que posso estou lá me reciclando, afinal conhecimento nunca é demais.

Você alguma vez se sentiu discriminada por DJs homens pelo fato de ser mulher? Já tocou em situações onde só havia DJs homens? 
Ale Rauen
- Discriminada, não. Só tenho a agradecer a vários mitos da cena brasileira que acreditaram em mim e me ajudaram, como André Pulse, Ferris, Rodrigo Vieira e Rogerio Animal, que foi meu professor. O apoio deles foi fundamental para que eu conseguisse meu lugar ao sol e todo o  respeito que tenho hoje.  Já tive situações fora do Brasil com DJs residentes, mas isso tiro de letra.

Há mulheres que a procuram dizendo que estão interessadas em ser DJs? Qual conselho você daria a elas? 
Ale Rauen
- Todo mercado de trabalho pede dedicação, estudo, foco... é o que eu  sempre aconselho. Digo para elas tocarem de verdade, terem postura e não apelarem para outros métodos, que, hoje, infelizmente se tornaram comuns e acabam prejudicando aquelas que realmente dão o sangue pela música eletrônica, que querem realmente aprender.

Qual o momento mais emocionante e marcante na sua carreira como DJ? 
Ale Rauen
- Hoje posso dizer que foi no Brasil, tocar em dois palcos do Tomorrowland Brasil, foi um  divisor de águas na minha carreira, uma emoção única e inexplicável,  um sonho que se  tornou  realidade. Ver os DJs  brasileiros bombando as pistas do festival e mostrando para o mundo que somos capazes foi memorável.

 

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