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Diário da Região

10/07/2016 - 00h00min

ANTENAS DA REALIDADE

Diálogo da arte com o momento social predomina no FIT

ANTENAS DA REALIDADE

Divulgação Cena do espetáculo Dezembro.
Cena do espetáculo Dezembro.

Para Ezra Pound, eles são os ‘antenas da raça’. Marshall McLuhan os considera pessoas de ‘atenção integral’. Conectados com o etéreo, os artistas vibram em uma sintonia capaz de captar sinais do mundo concreto que passam despercebidos pela atenção da maioria. Além do fazer artístico, reforçam a condição da arte enquanto agente político e mobilizador de reflexão.

O diálogo com o momento social predomina na programação do Festival Internacional de Teatro (FIT), com espetáculos que evidenciam o artista enquanto ‘antena’ de ‘atenção integral’ da realidade.

“Nossos trabalhos nascem dessa busca por entender a relação do indivíduo com o coletivo. Isso está no cerne de boa parte de nossos espetáculos”, diz o ator Eduardo Bordinhon, da Cia. de Teatro Acidental, de São Paulo, que apresenta o espetáculo O Que Você Realmente Está Fazendo é Esperar o Acidente Acontecer.

A partir do recorte do beijo entre dois homens que faz parte de O Beijo no Asfalto - peça escrita por Nelson Rodrigues em 1960 -, o espetáculo discute os factoides constantemente criados no cenário da política para mobilizar opiniões carregadas de certeza e ódio.

“A internet permitiu que esse processo se tornasse mais evidente. Buscamos entender os mecanismos geradores do ódio a partir do recorte que fazemos da história do Nelson (Rodrigues), da figura desse homem apaixonado pelo marido da filha, e de como esse recalque vira ódio”, destaca Bordinhon.

vida10072016 O Que Você Realmente Está Fazendo é Esperar o Acidente Acontecer.

Ato de resistência

A atriz Michelle Gonçalves, do Isso Não é Um Grupo, também da capital paulista, reforça o caráter político que está implícito no fazer teatral.

“É algo não só do discurso, mas antes um ato de resistência. Apesar das condições serem das mais adversas, tem coisas para serem ditas e nós inventamos maneiras para nos organizar”, enfatiza ela, que integra o elenco de Dezembro, primeira montagem brasileira de um texto do chileno Guillermo Calderon - cujo espetáculo mais famoso, Neva, esteve no FIT em 2009.

Aliás, o Isso Não é Um Grupo assina a primeira montagem de Neva no Brasil, cuja estreia está prevista para agosto.

Em Dezembro, Calderon cria inúmeras metáforas a partir do encontro de um soldado liberado de uma guerra fictícia na América Latina para comemorar o Natal com suas irmãs gêmeas, que têm posições ideológicas bem divergentes.

“Já temos três espetáculos, e eles carregam essa coisa de usar o teatro como crítica da realidade. Não são necessariamente peças políticas, mas entendemos a política como uma coisa mais ampla, um conjunto de regras e questões que regem o convívio entre as pessoas.”

vida10072016 Poema Suspenso Para Uma Cidade em Queda.

Ator criador

Para Luiz Fernando Marques, o Lubi, diretor de Poema Suspenso Para Uma Cidade em Queda, da Cia. Mungunzá, de São Paulo, o teatro é a possibilidade do encontro entre as pessoas, com todos concentrados em um acontecimento. “É um ato que não é pouca coisa. É algo raro no mundo em que vivemos”, enfatiza.

O diretor diz acreditar que esse teatro mais engajado socialmente também é um reflexo da perspectiva estabelecida pelo ‘ator criador’, um agente que está presente no espetáculo que a Mungunzá apresenta no FIT. “Mais que querer se mostrar como virtuoso, o ator criador quer responder ao seu tempo, buscar essa conexão com seu mundo”, diz.

A partir de experiências reais vividas pelos atores, a companhia paulistana criou um ‘poema’ sobre o espaço urbano e as coisas que fazem parte dele, às vezes absurdas e até violentas.

Em uma cenografia composta por andaimes, a peça apresenta os moradores de um prédio, que vivem situações isoladas a partir das quais evidenciam a efemeridade do tempo, uma imobilidade diante da rapidez do mundo.

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