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Diário da Região

05/06/2016 - 00h00min

ENTREVISTA

Criolo se reencontra com seu início no rap

ENTREVISTA

Divulgação “Meu objetivo sempre foi dividir sentimentos e histórias”, disse o cantor.
“Meu objetivo sempre foi dividir sentimentos e histórias”, disse o cantor.

Com maturidade emocional e musical, Criolo vive uma fase de celebração. Desde março deste ano que o artista vem comemorando os 10 anos de seu primeiro disco, Ainda Há Tempo, com uma turnê que revisita aquele registro e o lançamento de uma nova edição do trabalho. Com ajuda do amigo e produtor musical Daniel Ganjaman, Criolo volta ao começo da carreira, em 2006, quando ainda era Criolo Doido, para, segundo ele, recontar uma história que algumas pessoas não conheceram.

Para a produção do novo trabalho, Criolo e Ganjaman convidaram outros rappers e beatmakers, como Tropkillaz, Papatinho, Deryck Cabrera, Nave e Sala 70, para lapidar as canções e trabalhar em cima de uma nova versão do disco inaugural de Criolo. Para a alegria dos fãs, o trabalho repaginado de Criolo está disponível para download - gratuito para MP3 e no valor de R$ 5 para WAV, no site oficial do artista, www.criolo.net. De alegria, principalmente, porque encontrar aquele disco físico de 2006 não é uma tarefa fácil.

Aos 40 anos, o artista conta que não há mudança do Criolo de 2006 para o Criolo de 2016, e poder reencontrar as músicas de dez anos foi uma ótima oportunidade para reviver emoções e sonoridades do passado. “Continuo a mesma pessoa, e revisitar o disco de 2006 só fortalece ainda mais uma ideia de quanto o rap é importante na história da minha vida. O rap me ajudou a enxergar o mundo próximo de mim e ao redor, e como o mundo, de certa forma, nos enxerga. São muitas emoções”, diz, em entrevista por telefone ao Diário. Criolo conta que a decisão de retomar o antigo repertório surgiu sem grandes pretensões.

“Estava chegando nos 10 anos do primeiro disco e ainda não tinha feito um show dele, porque o repertório se perdeu. Também não tinha condições de fazer uma festa de lançamento. Eu e Ganjaman então resolvemos fazer um show para contar e celebrar a história daquele disco. Convidamos jovens beatmakers, que já conhecia e tinha admiração, para participar, e quando vimos tinha um lance que poderia fazer virar um registro em forma de disco. Não foi coisa do tipo: ‘Olha, vamos fazer um disco daquele disco e ver o que dá’”, explica.

Com a voz serena e tranquila, bem diferente daquele Criolo do palco, o artista conta que ele e o MC e DJ Dan Dan, com quem tem uma amizade de 22 anos de vida e 19 de palco, sempre lutaram para ter uma oportunidade de cantar uma música que fosse. “Cantar sempre foi algo importante para a gente e cada música carrega um sentimento, uma história e não tem como não se emocionar com esta oportunidade de cantar, independentemente de palco.” O rap, para ele, não pode ser definido. Mas Criolo entende que o rap cresce a cada dia e continua com uma energia positiva. 

“Cresce com um olhar de construção, contundente nos seus textos e na sua maneira de expressar e no convidar as pessoas a falar de temas que não falamos. O rap vem gritando há 40 anos e faz parte de uma construção positiva de sociedade”, reforça. Criolo, que ficou conhecido do grande público quando sua música começou a flertar com outros estilos e a chamar atenção de nomes como Caetano Veloso, conta que este reencontro com um rap mais cru não representa uma retomada daquele estilo daqui para frente, mas sim a celebração de uma história.

“Tudo aconteceu de forma não esperada. Meu único objetivo sempre foi dividir sentimentos e histórias.” Alheio ao sucesso, Criolo também não gosta de rótulos. “A natureza me define a cada ciclo evolutivo e estou em construção. Eu sou muito jovem no planeta”, afirma o rapper. Por enquanto não há shows agendados para Rio Preto. Criolo conta que seria um prazer voltar à cidade, mas ele precisa de convites. “A tour é pequenininha. É a celebração de uma história e para minha surpresa alguns convites apareceram. Mas em Rio Preto ainda não.” Na última vez que esteve na cidade, em abril de 2013, Criolo conta que a passagem foi muito rápida. 

“A gente chega, monta equipamento, passa o som, faz uma alimentação rápida, faz a rotina de comunicação, concentração para o show, show e volta pra casa”, explica. Apesar da rotina corrida, ele afirma que tem eterna gratidão com os fãs. “Não tenho a felicidade de poder estar um tanto mais perto deles, mas a energia é demais.” E para os fãs da cidade, ele deixa um recado. “Ódio só vai levar a ódio, que é o caminho para a destruição. Nada sobra do ódio. Já a música emociona, faz bem. Quero deixar meu abraço gigantesco para os estudantes que querem um mundo melhor e aos professores que são muito importantes para a sociedade”, argumenta.

Do pesar à felicidade

O sentimento de Criolo sobre a atual realidade política brasileira, a intolerância e a violência é de tristeza e lamento. 
“Vejo com muito pesar. É duro ver que algumas pessoas ainda não perceberam a importância da construção de uma sociedade para todos e para o entorno. É muito duro ver as pessoas incentivando ódio para alcançarem seus objetivos. Enquanto eu estiver brigando com você, terá uma outra pessoas se dando bem com isso. Enquanto houver guerra, alguém vai estar vendendo remédio ou armamento, entende?”, questiona.

Ele ainda criticou as decisões do presidente interino, Michel Temer, no início do exercício. “Foi muito duro amanhecer e saber que o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, é algo que uma medida provisória extingue e fere a todos. Eu nem vou falar do Ministério da Cultura. Isso descreve o olhar de quem está no poder agora. É um pesar.”

Mas encontra na força estudantil motivos para se alegrar. “Você vê grupos de jovens se reunindo de forma pacífica e solidária, querendo construir algo positivo para o País. Existem coletivos enormes, pequenos coletivos, exércitos de um homem só, mas todos têm o mesmo objetivo, de construir algo bom, o que dá esperança. Estou vendo alunos se reunindo com seus professores, que hoje são tão humilhados e tratados como nada, mas que estão tentando. Isso é me emociona”, confessa.

Emoção humaniza

Criolo acredita que a arte na periferia, o rap, a música e a arte de um modo geral são instrumentos de transformação da sociedade. “Tudo que pode levar a um ponto de emoção te humaniza. Temos que respeitar as singularidades e as diferenças, os gostos... Isso é humanizar o olhar.”

 

 

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