X
X

Diário da Região

31/07/2016 - 00h00min

VIDEOGAMES

Conheça o universo habitado pelos cyberatletas

VIDEOGAMES

Bruno Alvares/Divulgação Parece UFC: desde 2012, os melhores times profissionais do Brasil se enfrentam no CBLoL, o Campeonato Brasileiro de League of Legends. Final no início do mês lotou o ginásio do Ibirapuera, na Capital. (Foto: Fotos: Bruno Alvares/Divulgação)
Parece UFC: desde 2012, os melhores times profissionais do Brasil se enfrentam no CBLoL, o Campeonato Brasileiro de League of Legends. Final no início do mês lotou o ginásio do Ibirapuera, na Capital. (Foto: Fotos: Bruno Alvares/Divulgação)

Se ainda grande parte dos garotos brasileiros sonha em ser jogador de futebol, de uns tempos para cá uma boa parcela tem escolhido ser jogador de videogame. E isso está longe de ser encarado como uma brincadeira.

O assunto é tão sério que até já existem em São Paulo peneiras para selecionar jogadores. E rola dinheiro pesado. A última edição do torneio The International, do jogo Dota 2, nos Estados Unidos, por exemplo, chegou a distribuir R$ 60 milhões em prêmios.

No Brasil, assim como em outros países, os jogos eletrônicos são tão populares quando o futebol. A Brasil Game Show, maior feira de games da América Latina, tem os campeonatos mais concorridos. O evento deste ano será realizado de 1 a 5 de setembro, na São Paulo Expo, com torneios de Counter Strike: Global Offensive - um dos mais populares quando se pensa em jogo de tiro em primeira pessoa -, Dota 2 e Clash Royale. Mais de 300 mil visitantes são esperados.

Jogadores de São Paulo contam com o suporte da Federação Paulista de Futebol Digital, cujo objetivo é desmistificar a imagem dos jogos de futebol virtual. Já a Liga Nacional de Esportes Eletrônicos (LNEe) busca proporcionar possibilidades para jogadores que queiram se profissionalizar em esportes eletrônicos.

Quem se aventura neste universo ainda conta com a Confederação Brasileira de Esportes Eletrônicos (CBEE), responsável por supervisionar e fiscalizar os esportes eletrônicos no Brasil.

games 31072016 Alexandre Ruller, 41, comercializa jogos e treina 3h por dia

Aos 16 anos, João Pedro Lanaro é jogador profissional e recebe salário mensal, mas prefere não divulgar valor. Ele entrou para o mercado em 2014. Joga o game Dota 2, um jogo no estilo MOBA (Multiplayer On-line Battle Arena), feito pela Valve, empresa desenvolvedora de jogos eletrônicos.

Lanaro, como é conhecido no universo dos games, integra o time Tshow, um dos melhores do Brasil. “Atualmente, estamos na semifinal da Brasil Game Show (BGS), disputando para o presencial em São Paulo”, explica. Ele conta que o time tem 5 jogadores e mais um manager responsável pelo time.

Um profissional de videogame em Rio Preto é o jovem de 18 anos Gabriel Ferreira Adamuchi. Há cinco anos, ele começou a fazer vídeos de jogos para compartilhar suas experiências e divulgar na internet. O que era lazer ficou sério. Em 2015, um de seus vídeos estourou e viralizou na internet. Hoje, ele conta com 300 mil pessoas inscritas em seu canal no YouTube, o FenixYTB. No espaço, ele faz comentários e dá dicas sobre o jogo League of Legends.

Adamuchi conta que fica na frente do computador cerca de 7 horas por dia. Para fazer um vídeo, ele precisa pesquisar e coletar o maior número de informações, depois jogar, fazer edição e finalizar. O processo é lento e dá muito trabalho. E, assim como outros atletas de esportes tradicionais, ele sofre as consequências de tanta dedicação. Nunca se lesionou gravemente, mas já sentiu dores nos ombros, nas costas e na cabeça, além dos olhos cansados e doloridos. “Mas tenho limite e cuido da saúde. Uso, por exemplo, uma cadeira boa para evitar dores nas costas”, explica.

gabriel 31072016 Gabriel Adamuchi ganha dinheiro dando dicas pela internet

Luis Guilherme Costa, da Liga Brasileira de Esportes Eletrônicos, conta que muitas equipes hoje se comparam aos times de futebol tradicional e contam com uma superestrutura para preparar os jogadores. As gamehouses, casas onde os jogadores ficam alojados, contam com nutricionistas, psicólogos, centros de treinamento e academias. “Temos competições milionárias, com premiações exorbitantes, que passam a casa do milhão no mundo. No Brasil, estamos indo para o mesmo nível.”

Existem contratos entre os times e os jogadores, com multas rescisórias e muitas cláusulas. Eles recebem salário e, como qualquer outra profissão, são cobrados. Um time de 'e-sport', como são designadas algumas dessas equipes, por exemplo, vive de resultados positivos, como em qualquer outro esporte. “Da mesma forma que um técnico de futebol é despedido quando perde muitas partidas, o mesmo ocorre nos esportes eletrônicos, onde jogadores e técnicos são substituídos de acordo com seu desempenho. Em todos os casos, os jogadores estudam e treinam cerca de 8 horas diárias, ou mais”, diz Costa.

Alguns jogadores, depois de tanto empenho e treinamento, também sofrem lesões ou dores nas costas, na cabeça e nos olhos. “Existem mesmo alguns casos em que os jogadores sofrem algum tipo de lesão, principalmente nos braços e nas mãos, pelo movimento repetitivo no mouse e teclado.”

“Dentro das organizações existem médicos e fisioterapeutas que cuidam dessas lesões. Eles também fazem todo um acompanhamento preventivo”, completa.

‘Uma forma de desestressar’

Rio Preto conta com muitos jogadores de videogame amadores. Aos 37 anos, Julio Cesar da Silva Novais, mais conhecido como Jota Novais, é professor de língua portuguesa e youtuber nas horas vagas. No seu canal, TheRetroGamerWorld, ele relembra os grandes clássicos dos consoles mais queridos dos anos 80. Toda terça-feira e sábado, ele divulga um vídeo novo. Conta que começou a jogar ainda pequeno e logo se tornou fã do universo dos games. 

O gestor de e-commerce Mateus dos Anjos Leal, 32, é outro fã dos games. Influenciado por um tio que tinha uma assistência técnica para videogames, aos 8 anos ele já começou a brincar e nunca mais parou. Todo fim de semana ele joga com um grupo de amigos para disputas on-line. “Meu círculo de amizade gosta do videogame. É uma forma de desestressar. O jogo te leva para outro lugar.” Atualmente, ele conta que tem limites, mas quando era mais jovem ficava horas jogando e chegou a machucar as costas. 

O empresário Alexandre Ruller, 41, gosta tanto do universo do games que decidiu trabalhar com jogos. Ele tem uma empresa em Rio Preto que comercializa games e, diariamente, treina no mínimo três horas as novidades, tanto para demonstrar para os clientes quanto para seu próprio lazer. “Minha vida sempre foi vinculada com os games. Hoje, jogar é uma forma para fugir dos problemas, desligar e recarregar as energias.” 

Ele joga games como Counter Strike e futebol. On-line, compete com jogadores de todo o mundo. Para não atrapalhar o sono, por exemplo, ele joga até às 21h. “É preciso ter limite e descansar para não atrapalhar a saúde.” 

Curiosidades

Atletas profissionais de games têm em média 20 anos de idade e chegam a ganhar 30 mil reais de salário por mês

Para participar de torneios nacionais e internacionais, eles seguem uma rotina dura de treinamento diário, como atletas de esportes tradicionais

Há duas décadas, os e-sports, os esportes eletrônicos, começaram a ter destaque. Mas foi em 2010, no Brasil, que as atividades avançaram para campeonatos e premiações milionárias

League of Legends, StarCraft II e Dota 2, games de aventura para múltiplos jogadores, são os jogos mais jogados no Brasil em competições

Para se tornar um jogador profissional, o interessado precisa jogar muito e depois entrar em uma equipe. Como em outros esportes, olheiros buscam e contratam os melhores jogadores

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso