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Diário da Região

14/10/2015 - 00h00min

Malandragem feminina

As mulheres trambiqueiras roubam a cena nas novelas

Malandragem feminina

TV Globo/Divulgação As personagens Atena, de Giovanna Antonelli e ...
As personagens Atena, de Giovanna Antonelli e ...

Elas sempre roubam a cena! Com o carisma, aliado à lábia eficiente e aos elaborados planos para se darem bem, as chamadas trambiqueiras viraram personagens-chave nas tramas das novelas. Na pele de Atena, em "A Regra do Jogo", da Globo, Giovanna Antonelli já era assunto antes mesmo de a história de João Emanuel Carneiro estrear. "Ela é uma mulher livre, amoral, com o caráter não muito reto. É uma pessoa que não tem filtro, fala o que pensa. 

 

Paula Cohen - 14102015 ...Rosicler, de Paula Cohen , são as trambiqueiras que fazem sucesso nas atuais novelas da Rede Globo

Mas não seria capaz de matar ninguém", defende a intérprete. De fato, o personagem trambiqueiro não é exatamente um vilão. E é uma "persona" muito antiga. Segundo o crítico de televisão e professor do Departamento de Teoria e História da Arte do Instituto de Artes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Mauro Trindade, basta resgatar a peça teatral "Peer Gynt", do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen; o conto "Fígaro", do francês Pierre Beaumarchais; e até "Macunaíma", do escritor brasileiro Mário de Andrade. 

Mesmo as figuras femininas picarescas, que são ardilosas, engraçadas, exageradas e sempre querem se dar bem, têm séculos na literatura. Daí é comum partirem para a televisão. "Acredito que a ascensão das trambiqueiras tenha relação com o papel de destaque que a mulher adquiriu em nossa sociedade. Ela muitas vezes é mãe, é separada, é solteira, sustenta o lar e tem de dar conta de inúmeras situações que as antigas 'namoradinhas do Brasil' nem de longe sonhavam", explica ele.

Autenticidade

Em "I Love Paraisópolis", a atriz Paula Cohen está na pele de Rosicler. Ela conta que desde que leu a sinopse da personagem sabia que a ambiciosa guia tinha potencial para conquistar o público. "Ela encanta ao mesmo tempo em que choca. As pessoas gostam dela, porque é preciso ter muita coragem para ser livre. Ela não faz tipo, não engole sapo, resolve tudo ali na hora com toda a malícia e safadeza que lhe é natural. 

Ela tem a ética dela, que pode ser questionável, mas é muito própria", avalia Paula, que ainda ressalta a fibra inegável que Rosicler tem. "Ela não pode se dar ao luxo de ficar deprimida, não. É matar um leão por dia e bola para frente que 'as conta não para de chegar'", brinca. "Se as mulheres desempenham papéis que antes pareciam apenas masculinos, isso significa que nossa compreensão dos gêneros - o que é ser homem, o que é ser mulher - está em transformação", completa Trindade. 

 

Fernanda Montenegro - 14102015 Fernanda Montenegro como Leonarda, em ‘Cambalacho

Trambiqueiras famosas da TV

Fernanda Montenegro interpretou uma das "171" mais icônicas da história da televisão brasileira. Em "Cambalacho", escrita pelo autor Silvio de Abreu em 1986, a atriz dá vida a Leonarda Furtado. A inesquecível Naná vivia aplicando golpes e levava a vida com muito bom humor ao lado de Jerônimo Machado, de Gianfrancesco Guarnieri. 

A trambiqueira faz de tudo para manter os estudos da filha, Daniela (Cristina Pereira), no exterior. Para aliviar a culpa pelas armações que apronta, Naná recolhe crianças de rua e as cria em casa. No ano passado, Claudia Raia esteve na pele de Samantha, a vidente de caráter duvidoso em "Alto Astral", da TV Globo. A paranormal, no entanto, não se interessava em ajudar as pessoas, apenas desejava ficar rica para alimentar suas vaidades. A atriz já havia vivido outra trambiqueira, a Maria Escandalosa, em "Deus Nos Acuda", de 1992. 

Na trama, a moça até tinha bom coração, mas ganhava a vida aplicando golpes. Em "Sangue Bom", de 2013, Bárbara Ellen, de Giulia Gam, era uma atriz decadente e canastrona que não aplicava golpes para roubar, mas adotava filhos e inventava "histórias tristes" e, obviamente, falsas, sobre seus filhos para ganhar mídia. Outro destaque é Maria de Fátima, de "Vale Tudo", de 1989, interpretada por Glória Pires. Na história, ela deu golpes na mãe Raquel, de Regina Duarte, em sua melhor amiga, Solange, de Lídia Brondi, e até no namorado Afonso, feito por Cássio Gabus Mendes. 

 

 


 

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