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Diário da Região

28/08/2016 - 00h00min

PAULO PAVÃO

As mil faces do 'cara' da propaganda de supermercado

PAULO PAVÃO

Johnny Torres 25/8/2016 O emprego do humor e a capacidade para criar personagens tornaram Paulo Pavão uma figura querida em Rio Preto e região
O emprego do humor e a capacidade para criar personagens tornaram Paulo Pavão uma figura querida em Rio Preto e região

Falou em Bombril, a primeira lembrança que vem à cabeça - além do trabalho doméstico, claro - é a face do seu garoto-propaganda. Você pode até não saber que ele se chama Carlos Alberto Bonetti Moreno, mas conhece bem o “rapaz da Bombril” e seus mil personagens. E Rio Preto tem seu próprio “rapaz da Bombril”.

Paulo Pavão é o rosto dos supermercados Laranjão há quase 20 anos. É impossível imaginar o anúncio das ofertas do estabelecimento sem visualizar o ator fazendo suas piadas, gracinhas e incorporando os mais diversos personagens.

E pela história de Pavão, a vida sob os holofotes estava em seu destino. Desde criança, o palco, fosse ele verdadeiro ou improvisado, era onde se sentia mais confortável. Com 13 anos, Pavão se unia a dois amigos, levantava uma cortina de circo com linha e lençol no quintal de casa e cobrava uma pequena taxa para apresentar um espetáculo inspirado no humor circense e nos Trapalhões, sua maior influência.

“Fazíamos todas aquelas palhaçadas. Brincávamos muito disso, mas nunca imaginei, naquela época, que viveria disso no futuro. No entanto, sonhava em ser um dos Trapalhões. Sempre que eles vinham se apresentar em Rio Preto a gente corria atrás, ia até os hotéis onde eles estavam hospedados, tudo para tentar ficar próximo, mas nunca conseguimos. Eles estavam no auge e eram a nossa maior referência de humor”, recorda.

Mal sabia ele que em poucos anos sua carreira como ator começaria a caminhar. Um dia, em um churrasco de amigos, com uns 17 anos, foi levado a contar piadas. “Meu amigo disse que eu era bom nisso, mas eu só concordei em contar as piadas se as luzes estivessem apagadas. Quando terminei, tinha uma diretora de teatro de um grupo aqui de Rio Preto, a Beta. Ela veio me convidar para integrar seu grupo. No início fiquei um pouco apreensivo com a ideia de me apresentar para um público grande, mas acabei concordando.”

A partir daí, a paixão pela atuação só cresceu. Tanto que Pavão não consegue se ver fazendo outra coisa. “Esses dias estava conversando com uns amigos meus e eles perguntaram: ‘Paulo, e se você não fosse ator, o que você seria?’. Eu falei: ‘eu seria um frustrado’.”

Apesar do trabalho no teatro, o sonho de Pavão era mesmo fazer TV. Começou a fazer locuções para algumas empresas de Rio Preto, até que surgiu a oportunidade de gravar para o Laranjão, em 1997. No fim daquele ano, fez sua primeira locução das promoções do supermercado. Deu certo, voltou na semana seguinte e, assim, ficou.

Mas foram três anos como locutor até conseguir aparecer no primeiro comercial da marca. “Entendi depois que o Laranjão queria me conhecer antes de me colocar como o rosto da empresa, mas eu tinha pressa. Na época, eu só pensava que estava há três anos fazendo aquilo e que queria tentar algo novo. Enquanto isso, a agência tentava me segurar.”

Pavão gravou, então, o primeiro piloto. O resultado agradou e ele não parou mais. E junto, nesse tempo todo de trabalho, foram nascendo centenas de personagens. Muitos são inspirados em datas comemorativas, como Natal, Dia das Mães e dos Pais. Outros tantos seguem as tendências do momento.

“Na festa junina é o caipira, no fim de ano tem o Papai Noel. Já fiz, também, o Michel Teló, quando ele estava fazendo sucesso com a música Ai Se Eu Te Pego, e Roberto Carlos. Tem horas que já nem sei mais quem sou. Eu fico imaginando como é em uma novela. O ator compõe um personagem e fica nele por tanto tempo, acho que perde até a identidade”, diz rindo.

Parece brincadeira, um momento de descontração, e é, mas é também um trabalho feito com dedicação. Para cada personagem criado, seja por ele ou pela agência, há um processo de estudo e de pesquisa intenso, diz Pavão. “Quando fiz o Roberto Carlos, fui pesquisar tudo sobre ele. Vi seus clipes, fotos, estudei seus movimentos, como ele segura o microfone, todos os detalhes.”

Mas nenhum deu mais trabalho que o Psy, cantor sul-coreano dono do hit Gangnam Style. “Para fazer a dança do clipe foi muito complicado. Não sou muito bom de dança, tive que treinar bastante”, lembra.

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O desafio é também combustível para o ator, que nunca quis fazer o mesmo que todo mundo. “Nosso desejo sempre foi fazer algo diferente, algo melhor a cada novo vídeo, e isso é muito gratificante. E o reconhecimento do público é a melhor parte, vale mais que dinheiro.”

E são esses momentos com os fãs que ficam marcados na memória de Pavão. Um, em especial, aconteceu durante a inauguração da unidade de José Bonifácio do Laranjão. Ao receber o público, uma mulher parou o ator e contou que seus comerciais a ajudaram a superar uma depressão.

“Ela contou que ficou muito mal, mas quando passava o meu comercial ele sentia vontade de viver. ‘Eu ria. Minhas filhas corriam para o quarto para ver’, comentou. Ela, então, perguntou meu nome e disse: ‘Paulo, não vou dizer que foi você que me curou, sei que foi Deus, mas você teve uma parcela deste tamanho (indicando com o polegar e o indicador a quantia)’. São histórias assim que fazem valer a pena. Isso não tem preço.”

Além de histórias emocionantes, o trabalho de Pavão também rende alguns fatos engraçados, como ele não entrar em nenhum outro supermercado. “É complicado para mim, acho até antiético. Não posso falar que lá é barato e ir em outro. Nunca entrei no Walmart, no Tonin, por exemplo. Minha mãe sempre falava do Pão de Açúcar, mas eu nunca tinha conhecido. Aí, em uma viagem ao Guarujá, chamei um amigo para conhecer. Entrei e fiquei só olhando.”

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Ator tem sonho de fazer novela

Aos 47 anos de idade, Paulo Pavão nem pensa em aposentadoria. Ele continua sonhando em expandir seu currículo. “Sempre falo que o jogador de futebol tem o sonho de ir para a seleção brasileira. Para o ator, o sonho é fazer novela e cinema. Só que sei que é muito complicado, tem muito daquele clássico ‘quem indica’. Sonho eu tenho, nem que fosse uma ponta em uma novela. Filmes não tenho muita vontade, gosto mais do popular, do contato com o público, da proximidade.”

Nos planos do ator também está um show de stand up. “Tenho muita vontade de montar um show de humor. Até já comecei a escrever algumas coisas, mas sem compromisso, sem data fixada. Vou escrever. Hora que estiver pronto, sento com o pessoal do Laranjão e vejo como podemos fazer.”

Mas o espetáculo vai além do desejo de estar nos palcos novamente. É um meio de Pavão se aproximar de seu público. “Quero ter esse contato. Aqui em Rio Preto é mais fácil, mas na maioria dos lugares é mais difícil. Gosto disso e quero estar próximo. Depois que terminar o espetáculo, quero sentar, conversar, tirar foto.” 

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