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Diário da Região

10/09/2017 - 00h00min

ARTE DO ACASO

Trabalho com manchas leva artista à Sérvia

ARTE DO ACASO

Franco Alighieri/Colaboração Café, vinho, flores, terra, tudo pode servir como matéria-prima para as criações de Fábio Bocchi, que usa as manchas como inspiração para seus desenhos
Café, vinho, flores, terra, tudo pode servir como matéria-prima para as criações de Fábio Bocchi, que usa as manchas como inspiração para seus desenhos

Um acidente comum do dia a dia foi o que o artista Fábio Bocchi, de Votuporanga, precisou para sua criatividade fluir e descobrir um novo lado dentro de sua arte. Um dia, em 2013, depois de anos trabalhando com pintura em tela e se sentindo meio sem inspiração, Fábio estava tomando café em casa quando derramou a bebida uma toalha branca. A mancha que se formou chamou a sua atenção e um novo mundo se abriu, literalmente, porque a técnica o levou a expor na Sérvia.

Mas o café foi só o começo do que Fábio chama Série de Manchas, onde ele utiliza as mais variadas matérias-primas para guiar seus desenhos. “Depois do café, algo semelhante aconteceu. Estava em uma pizzaria e derramei uma taça de vinho. Notei que a mancha ficou legal, então comecei a trabalha com vinho.” Depois, vieram manchas feitas com flores, frutas, terra. Qualquer coisa pode se tornar elemento base para a criação. 

“Vou seguindo os sinais que a vida vai me dando. Estou andando pela rua e vejo uma flor que me chama a atenção, então faço as tentativas. Por exemplo, um dia vi uma rosa que achei bonita. Peguei e fiz a mancha. O resultado me surpreendeu. A mancha ficou roxa no dia, três dias depois ela ficou amarela. Gosto dessa surpresa também. O resultado às vezes é diferente do que a gente espera, mas fica bonito do mesmo jeito”, conta.

Fábio faz a mancha no papel e deixa secando de um dia para o outro. Depois, o artista tem um processo de observação, para deixar que a mancha o inspire. “É nesse momento que começo a ver os desenhos formados pela mancha, é ela que me dá o caminho. E os detalhes moram na paciência e as melhores partes da vida estão nos detalhes, algo que está esquecido. Sou apenas um instrumento do acaso, do acidente”, analisa.

Além disso, o trabalho com as manchas atrai Fábio por elas limitarem seu processo criativo. “Se eu pegar uma folha em branco para pintar, sinto que tenho que completá-la totalmente, colocar detalhe me tudo. Com a mancha, meu trabalho fica limitado ao que ela me oferece”, diz.

 

Fábio Bocchi - 10092017 Fábio Bocchi cria sobre as formas sugeridas pelas manchas

Vídeos

Fábio registra todo o seu processo criativo em vídeos que são postados no Facebook e no You Tube. A ideia nasceu da vontade de mostrar para o público como cada obra é feita, mas serviu para que seu trabalho ultrapassasse fronteiras. Foi com o vídeo da série de manchas com café que ele foi descoberto e convidado para participar da Bienal de Artes da Cidade de Belgrado, na Sérvia, em 2015. “Fiquei um mês por lá, foi algo bem bacana”, recorda.

Religiosidade

O significado da arte de Fábio vai além do que seus desenhos passam. Há um simbolismo religioso por trás de cada novo trabalho devido à crença do artista em Santa Luzia. Tudo começou também em 2013, quando Fábio sofreu um acidente grave de moto no dia 13 de dezembro, Dia de Santa Luzia.

“Sou devoto de Santa Luzia. Tive uma graça dessa santa. Quando estava desacordado, ela apareceu para mim. Desde então, todos os anos vou à missa dedicada a ela, realizada no dia 13 de dezembro, e a pego água benta que uso para criar as manchas. Então, são obras que possuem um contexto especial, um simbolismo muito grande, não é apenas um desenho.”

Novos projetos

Agora, além de continuar se dedicando às manchas e pintando em tela – mesmo que com uma frequência menor –, Fábio está preparando um livro de poemas. Textos que ele começou a escrever há aproximadamente um mês e que deverão resultar em uma obra ilustrada. “Já tenho 15 poemas feitos e esses poemas depois serão ilustrados. Ainda não sei como será o processo ou quando poderá ser publicado, estou ainda em um processo bem inicial. A intenção é fazer 30 poemas e 30 desenhos para acompanhar”, conta. Há, ainda, a intenção de ir para o exterior novamente. Fábio está preparando uma exposição que pode ir para a Rússia em 2018, mas ainda não está confirmado.

 

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