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Diário da Região

22/11/2016 - 00h00min

ARTE ‘MOLHADA’

Exposição no Riopreto Shopping celebra a aquarela

ARTE ‘MOLHADA’

Mara Sousa Edna Stradioto, Eliara Bevilacqua e Cassia Franco: as aquarelistas
Edna Stradioto, Eliara Bevilacqua e Cassia Franco: as aquarelistas

Uma das técnicas de pintura mais antigas da humanidade, a aquarela, que já foi alvo de inúmeros preconceitos ao longo da história da arte, é reverenciada nos dias de hoje justamente pelo seu caráter moderno. Apesar da simplicidade de sua composição, com pigmentos diluídos em água para serem aplicados sobre um papel de gramatura grossa, a aquarela é uma técnica que permite uma diversidade de resultados e que exige domínio do artista, principalmente para criar perspectivas e sombras sem deixar a água pigmentada escorrer.

Para comemorar o Dia Internacional da Aquarela (23 de novembro), três entusiastas dessa técnica na cidade realizam a exposição As Aquarelistas, que pode ser conferida no Riopreto Shopping Center até o próximo domingo, 27. Explorando temas e estéticas bem distintas, as pintoras Eliara Bevilacqua, Cassia Franco e Edna Stradioto mostram na exposição que a aquarela é um universo repleto de possibilidades criativas, dando à imagem um ar leve e poético.

Eliara encantou-se pelas aquarelas na adolescência, quando cursava a 6ª série do ensino fundamental e deparou com as ilustrações do alemão Johann Rugendas (1802-1858) nos livros sobre a história do Brasil. De lá para cá, ela vem trilhando uma trajetória consistente como aquarelista, debruçando sobre artistas referenciais dessa técnica para encontrar seu traço e sua forma.

“Viajei para Praga (República Tcheca) recentemente e me emocionei ao ver, em um museu, as obras de William Turner (considerado o maior artista da aquarela). A mesma emoção senti ao deparar com as flores de Margaret Mee (artista botânica inglesa que se especializou em plantas da Amazônia brasileira) em uma exposição na Pinacoteca de São Paulo. A aquarela é um caminho que amo demais seguir”, diz.

Por meio da aquarela, Eliara já concebeu a série 150 Flores de Rio Preto. Hoje, além do figurativo, também experimenta formas abstratas por meio dessa técnica. “Quase não uso o pincel. O pigmento é derramado no papel para dar vida a formas inusitadas. Dou mais atenção à cor do que à forma”, comenta a artista.

Versatilidade artística

Edna também teve seu primeiro contato com a aquarela na adolescência, quando fez um curso sobre a técnica com o avô de uma amiga, a quem ela dedicava horas para admirar seu trabalho com a pintura. No entanto, a criação nesse campo veio tardia, somente em 2011, depois de viver a experiência da maternidade. “A aquarela ficou adormecida em mim por um bom tempo, mas voltou com uma força incrível. Comecei a compartilhar minhas criações nas redes sociais e tive um retorno bastante positivo, que me motivou a continuar”, conta ela, que já teve uma de suas obras selecionadas no Salão de Artes Plásticas de Rio Preto.

Como aquarelista, Edna já concebeu ilustrações para várias publicações editoriais. É de autoria dela a capa do livro Tranquilizando a Sala de Aula, de Patrícia Franco e Etienne Janiake, e a capa e as ilustrações internas de Tanto Faz ou Qualquer Coisa, da pequena escritora Kaciane Caroline Marques do Nascimento. Diretora de escola, Cassia explora a aquarela em diferentes frentes. Suas criações no campo da ilustração botânica sempre são alvos de elogios.

Integrante do grupo Urban Sketchers Rio Preto, ela recorre à aquarela para retratar cenários da paisagem urbana. “No Urban Sketchers, a base é o desenho, mas utilizo a aquarela para criar o diálogo entre sombra e luz”, diz Cassia, que também concebeu ilustrações para um livro ainda a ser lançado em Rio Preto. Para ela, apesar de antiga, essa técnica tem um ar contemporâneo, dando um sentido mais poético e mais humano para a imagem. “Toda vez que viajo para algum lugar, em vez de tirar fotos, me dou um tempo para observar uma paisagem ou um cenário e retratá-lo através da aquarela”, declara.

Serviço

  • Exposição As Aquarelistas, com Eliara Bevilacqua, Edna Stradioto e Cassia Franco. Até o dia 27 de novembro, no Riopreto Shopping Center. Gratuito

Origem da técnica

A aquarela, ou aguarela, é uma técnica em que pigmentos são, geralmente, dissolvidos em água. O principal suporte dessa pintura é o papel com alta gramagem (grossura). Estima-se que essa técnica tenha surgido há cerca de 2 mil anos, na China, com o advento do pincel de pelo de coelho. Na Ocidente, as primeiras evidências do uso da aquarela surgiram na Idade Média, com Tadeo Gaddi, discípulo de Giotto, artista importante para a técnica do afresco na Europa medieval.

No período renascentista, quando os pintores deixaram o ambiente fechado do ateliê para retratar ao ar livre paisagens e cenários cotidianos, a aquarela era utilizada como um esboço da pintura a ser feita na tela. O pai dessa técnica é John White, que, em 1550, participou da expedição de Sir Walter Releigth pelo Novo Mundo, retratando costumes, pessoas e ambientes. Somente a partir do século 18 a aquarela passou a ser tratada como uma técnica independente.

A partir da difusão dessa técnica pelo mundo, surgiram grandes aquarelistas: Alexander Cozens, William Blake, John S. Cotman, Peter de Wint, Claude Lorrain, Giovanni Benedetto Castiglione, John James Audubon, Van Dyck e John Constable. No entanto, nenhum deles supera o alemão William Turner. Considerado o maior aquarelista de todos os tempos, ele produziu cerca de 19 mil aquarelas. Uma obra que exerceu influência no surgimento da pintura impressionista. 

 

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