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Diário da Região

13/11/2016 - 00h00min

Poesia extraída do concreto

Conheça o Urban Sketchers, movimento que faz redescobrir a paisagem urbana

Poesia extraída do concreto

Guilherme Baffi Alguns integrantes do Grupo Urban Sketchers Rio Preto: movimento estimula o contato e a troca de informações presencial, em meio a um mundo cada vez mais virtual, além de ampliar o olhar dos moradores para a paisagem urbana
Alguns integrantes do Grupo Urban Sketchers Rio Preto: movimento estimula o contato e a troca de informações presencial, em meio a um mundo cada vez mais virtual, além de ampliar o olhar dos moradores para a paisagem urbana

Vivenciar, admirar e traduzir para o papel um momento, cada um com sua técnica e sua forma. Essa é a proposta do trabalho realizado pelo pessoal do grupo Urban Sketchers Rio Preto, uma comunidade de pessoas que compartilham o interesse pelo desenho e por retratar paisagens que compõem o cenário urbano. Pessoas que buscam encontrar e transferir para o papel a poesia que existe no concreto que nos cerca no dia a dia e que passa despercebida em meio a tanta pressa e desatenção. O movimento dos Urban Sketchers promove encontros entre seus participantes para realizar o chamado desenho de observação. 

Eles se encontram em um local diferente a cada reunião, pelo menos uma vez por mês, cada um com seu material para desenho, e passam um tempo retratando seu olhar daquele ambiente. O Urban Sketchers Rio Preto teve início no começo do ano, com um workshop de desenho ministrado pelo arquiteto Edward Wandeur, que participa do movimento, e com o desejo da aquarelista Cássia Franco de montar um grupo na cidade após ter participado de uma ação em São Paulo. 

“Eu tinha vontade de fazer algo com pintura ao ar livre. Nas minhas férias em janeiro, estava pesquisando sobre as opções e me deparei com o estilo e com o grupo de São Paulo”, conta. Sem pensar duas vezes, Cássia entrou em contato com o movimento na Capital, comprou uma passagem e fez uma viagem bate e volta para conhecer o pessoal e como funcionava o estilo. Voltou apaixonada pelo que viu. Foi então que começou a articular com os conhecidos em Rio Preto a formação do movimento local.

Mas, por mais simples que pareça, o movimento também tem algumas regras, explica Cássia. “Você pode usar qualquer material que desejar, mas o que você está registrando tem que estar contextualizado. Por exemplo, se vou desenhar um banco de uma praça, preciso incluir o espaço no seu entorno. Descrevemos nossa ação como um registro de um momento da vida junto com as sensações que você teve naquele momento em que fazia o desenho”, explica. Depois que todos terminam seus desenhos, se unem para fazer uma foto e compartilhar os trabalhos. 

 

Grupo Urban Sketchers 2 - 12112016 Grupo desenha ao ar livre no anfiteatro da Represa, cartão-postal de Rio Preto

“É um momento para trocar ideias e debater. Não há críticas, ninguém vai depreciar o trabalho do outro. Isso ajuda a descobrir outras visões, enriquecer seu conhecimento”, conta Cássia. A evolução no traço não é resultado apenas da troca de conhecimento entre os participantes do movimento. Por retratarem, na maioria dos casos, áreas públicas, as interferências do ambiente fazem com que os artistas sejam forçados a se adaptar. E o aprendizado com o grupo vai além do trabalho e da técnica, garante o publicitário Igor Mendonça, de 28 anos. 

Segundo ele, o movimento ajuda a conectar pessoas de diversas áreas e de diversos lugares da cidade. “É sensacional. Nos últimos anos, temos vivenciado uma modificação nas interações sociais proporcionada pela tecnologia. Por isso o grupo te dá possibilidade de aumento do contato físico, da conversa presencial, do olho no olho, da troca de informações. Isso é precioso”, defende. O movimento também contribui para um conhecimento mais aprofundado da cidade, garante o estudante de arquitetura e urbanismo Douglas Liberatto Fagion, um dos integrantes do grupo em Rio Preto. 

“Fui pela primeira a um encontro porque gosto de desenhar, mas comecei a ver a cidade com outros olhos, ver detalhes que antes não notava.” Todos esses benefícios atraíram a arquiteta Delcimar Teodozio. “Acho magnífico. É um movimento muito rico que nos leva a vivenciar o espaço urbano e tira as pessoas de casa. É um registro da vida em movimento”, conta. Não precisa ser profissional de uma área ligada ao desenho para participar. O grupo é aberto a todos, garante Igor. “A intenção é conectar pessoas de todo o Brasil que fazem desenhos retratando o local onde vivem, viajam e também difundir o valor educativo da prática do desenho de observação. Qualquer um pode participar, é só levar lápis papel e borracha.”

Comunidade on-line

Apesar de o foco do grupo seja se desconectar, realizar encontros pessoalmente e promover o desenho feito sem nenhuma ferramenta eletrônica, são as redes sociais que ajudam o movimento a acontecer. Eles têm um grupo no Facebook, onde compartilham desenhos e debatem o estilo artístico. Ali também é discutido onde será cada um dos encontros, e os eventos criados ajudam a organizar a ação. Segundo Cássia, já são mais de 120 membros, mas a participação efetiva fica entre nove e 12 pessoas. “São esses que vão em praticamente todos os encontros”, diz. 

(Colaborou Harlen Félix)

História

Em 2007, uma comunidade global de Urban Sketcher começou a tomar forma quando o jornalista e ilustrador Gabriel Campanario, que vivia em Seattle, nos Estados Unidos, criou um fórum on-line “para todos os sketchers que amam desenhar as cidades em que vivem e visitam, da janela de suas casas aos cafés e parques, parados em uma esquina... sempre na locação, não a partir de fotos ou da memória”

Um ano depois, Campanario convidou um grupo de sketchers para compartilhar seus desenhos e histórias em um blog, Urban Sketchers, onde os leitores poderiam “ver o mundo, um desenho por vez”. O blog ajudou a comunidade a ganhar visibilidade e a inspirar entusiastas da arte por todo o mundo a desenhar a partir de um manifesto

 

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