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Diário da Região

14/12/2017 - 21h09min

Menos patrulha

Viaturas deixam patrulha de lado e viram peça de marketing

Menos patrulha

Guilherme Baffi Policial com viatura operacional no projeto Visibilidade na região da Represa
Policial com viatura operacional no projeto Visibilidade na região da Represa

Enquanto a Polícia Militar desloca para a ação Visibilidade suas viaturas operacionais - aquelas utilizadas para atender aos chamados do 190 e na patrulha da cidade -, locais mais afastados de Rio Preto ficam desguarnecidos e vulneráveis ao crime. A ação mantém os veículos por quatro horas, das 7h às 9h e das 17h às 19h, em pontos específicos da região central. Ela deveria ser realizada pelas viaturas administrativas, aquelas destinadas para transporte de documentos, retirada de materiais e armamentos em São Paulo, por exemplo. Mas o sucateamento da frota faz com que veículos operacionais também sejam usados.

Dos dez pontos onde há operação, em quatro são usadas viaturas operacionais. O Diário da Região teve acesso à escala de serviços da semana passada. Entre os dias 24 e 28 de abril, a operação concentrou 12 policiais e seis viaturas operacionais em três cruzamentos: avenida Alberto Andaló com a marginal Fernando Correa Pires, na Vila Redentora, e Murchid Homsi com a marginal Adhemar Pereira de Barros, no Jardim Santa Cruz, áreas pertencentes ao 1º Distrito Policial; o terceiro ponto fica na avenida Lino José de Seixas com a Alameda das Crisandálias, em frente à Represa Municipal e sob cuidados do 2º Distrito Policial.

São bairros onde há alto fluxo de veículos nos horários de pico, porém, com índices de criminalidade menores do que outras regiões, segundo as estatísticas da Secretária de Segurança Pública do Estado de São Paulo. “Implantamos a Operação nos pontos de fluxos para promover a sensação de segurança. Ainda que em Rio Preto os indicadores de criminalidade sejam baixos, muitas pessoas se queixam da falta de presença dos policiais”, explicou o coronel Rogério de Oliveira Xavier, comandante do CPI-5, que reimplantou o projeto na cidade.

Ele disse que a Operação não poderá ser justificada por números de ocorrências e casos solucionados. “Mas já teve pessoas que contam que estavam assustadas com motociclista, após esse ter observado pertences dentro do carro, e sabia que a 200 metros teria a operação Visibilidade e, ao chegar, disse que estava sendo perseguida. O motociclista, que também deveria saber da presença dos policiais, já havia tomado outro rumo.” O coronel afirma que esse deslocamento não fragiliza o patrulhamento em bairros periféricos.

“O grande problema, hoje, é a demora para concluir uma ocorrência, o tempo de espera no plantão policial”, disse Xavier. O 1º D.P., onde duas viaturas foram destinadas e oito policiais cumpriram a operação entre 7h e 9h e 17h às 19h, é proporcionalmente o com menor índice de registros policiais. Em 2016, foram feitos 1.713 boletins de ocorrências. Já o 3º D.P. é o que concentra o maior número de ocorrências em toda a cidade: 3.173. Ele atende bairros populosos como Anchieta, Maceno, São Deocleciano, Jaguaré, Jardim do Bosque 2, Parque da Liberdade, Lealdade e Amizade e João Paulo - esse último com altos índices de criminalidade.

 

Veículos da PM na oficina - 05052017 Veículos da PM na oficina

A operação

Iniciada em janeiro de 2015, pelo próprio Xavier enquanto esteve no comando do CPI-5 por apenas seis meses, a Operação Visibilidade perdeu forças após a coronel Helena dos Santos Reis assumir o cargo mais alto da Polícia Militar na região. A princípio, a Operação, cujo objetivo é transmitir a sensação de segurança em horários de pico, seria realizada pelas viaturas administrativas.

Xavier disse que toda a região de Rio Preto reúne 110 viaturas no total. No entanto, diariamente, é difícil contar com todas elas. “Tenho baixas de viaturas e a oficina libera outras consertadas. O desgaste é extremamente grande, porque os veículos têm cinco anos de uso e rodam 24 horas por dia, sob cuidados de dois até três policiais por dia”, disse Xavier.

Na semana passada, a reportagem deparou com 12 viaturas, no mesmo período da escala, em uma oficina mecânica localizada na avenida Benedito Rodrigues Lisboa, no bairro Vivendas. No local, nove veículos estavam estacionados na oficina e outros três passavam por reparos. O Diário apurou que alguns veículos ficam dentro da oficina, mas não são reparados.

(Colaborou Arthur Avila)

 

Arte - Locais da operação viabilidade - 05052017 clique na imagem para amplair

Operação ignora a zona Norte

A rota da Operação Visibilidade é definida de acordo com o fluxo de pessoas nos horários de pico e, em segundo, índices de ocorrências policiais, segundo o coronel Rogério de Oliveira Xavier. Dos dez endereços, apenas um está localizado na zona Norte, o cruzamento das avenidas Ernani Pires Domingues com a Mirassolândia e a Domingos Falavina. Outro endereço que destoa das áreas centrais é próximo à Unesp.

“Eu não preciso estar na zona Norte. Preciso estar no caminho das pessoas nos horários de ida e volta do trabalho ou de levar filhos nas escolas. Na Unesp, por exemplo, havia alto índice de ocorrências”, disse o coronel Xavier. “Não tenho condições de realizar a operação em toda a cidade. Já temos o patrulhamento nessas regiões com viatura operacional. E também fizemos um levantamento e, nesses horários de pico, o índice de criminalidade é baixo.”

Xavier garantiu que, em casos de chamados, os policiais que estão parados nas avenidas devem seguir para ocorrências. Mas, na escala, um recado em vermelho ao final dos horários adverte que o policial que deixar a Operação sem autorização será advertido. Um sargento da PM, que não quis ser identificado, contou à reportagem que as advertências acabam não acontecendo, já que a realidade é de falta de viatura e não há o que ser feito quando ocorrências acontecem próximas ou em outros locais e não há veículos disponíveis para comparecer ao local.

Especialista vê falhas em ação

A pedido da reportagem, Guaracy Mingardi, cientista político e especialista em segurança pública, fez um análise sobre a Operação Visibilidade em Rio Preto. Para ele, o principal risco é que o “criminoso profissional poderá migrar para regiões onde não há presença de viaturas”. Guaracy também coloca em dúvida o objetivo. “A Operação deveria se chamar vitrine, é só para exibir a presença de policiais com a máxima que transmite a sensação de segurança, mas essa sensação dura pouco tempo”, disse o especialista.

O Diário entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública, que destinou o caso para a Polícia Militar. Por e-mail, a PM defende que a Operação é um plus no serviço preventivo. “As ocorrências são atendidas pelas viaturas que comutam o 190, sendo que as viaturas da Operação Visibilidade são compostas por PMs do efetivo administrativo, ou seja, a Operação Visibilidade é um ‘plus’ no serviço preventivo da Polícia Militar”, respondeu a assessoria da PM, por e-mail.

“Paralelamente a este esforço de aumentar a sensação de segurança, já que a cidade detém um dos melhores índices dentre as unidades de seu porte, as viaturas comutadas com o 190 também se posicionam em pontos estratégicos da cidade (zona Norte) se não estiverem no atendimento de ocorrência.” 

 

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