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Diário da Região

13/12/2017 - 10h35min

Outubro Rosa

Quando é preciso radicalizar pela retirada das duas mamas

Outubro Rosa

Guilherme Baffi Cristina Abdo, 44 anos, que retirou as duas mamas depois de passar pelo drama do câncer
Cristina Abdo, 44 anos, que retirou as duas mamas depois de passar pelo drama do câncer

É uma decisão difícil, mais mulheres têm optado pela retirada das duas mamas, mesmo quando só uma tem tumor maligno. A advogada Cristina Abdo, 44 anos, fez a dupla mastectomia. Em 2011, descobriu que estava com câncer na mama esquerda, em estágio três, ou seja, com metástase. Passou pelo tratamento quimioterápico para redução do tumor, a mastectomia, e colocou um expansor. Depois de 28 sessões de radioterapia, voltou para o centro cirúrgico e retirou a mama direita. “Os riscos de o câncer voltar no meu seio direito eram muito grandes, o melhor era fazer a mastectomia preventiva”, diz Cristina.

A mãe dela teve câncer de mama, uma tia está com a doença e uma prima morreu por causa desse câncer. O médico a orientou a fazer os exames genéticos BRCA1 e BRCA2 para confirmar se poderia ter o câncer na mama direita. “Mas os exames não apontam só se você pode ter câncer de mama, apontam todos os tipos. Decidi não fazer. Imagina ter de viver com a informação que você pode ter câncer no pâncreas, não dá para fazer essa cirurgia preventivamente”, diz Cristina.

A atriz Angelina Jolie fez os exames e médicos constataram que ela tinha 87% de risco de desenvolver a doença. Considerada uma das mulheres mais belas do mundo, Angelina decidiu encarar a dupla mastectomia, mesmo sem a doença ter se manifestado. De certa forma, contribuiu para quebrar um tabu.

Outra rio-pretense que decidiu pela cirurgia preventiva é a decoradora Marli Brasileiro Anselmo, 48. Há seis anos ela passava por exames para a retirada das mamas preventivamente, quando foi diagnosticada com a doença. Apesar de o câncer, na época, ter atingido um dos seios, quis a dupla retirada. “Foi por prevenção mesmo, tenho várias pessoas na família com a doença. Minha mãe morreu com 53 anos”, diz.

A professora universitária Melissa Bonvino, 42, descobriu estar com câncer na mama esquerda há dois anos. Depois dos exames pré-operatórios, decidiu pela mastectomia bilateral. “A chance de eu ter câncer na mama direita dentro de um ano era grande. Não queria passar por tudo novamente, que é o medo, o desespero e o tratamento até a recuperação”, conta.

Reconquista

Após as sessões de radioterapia, na mesma cirurgia para retirar a mama direita, a advogada Cristina Abdo fez a reconstrução das mamas. Em julho, ela reconstituiu o mamilo esquerdo com micropigmentação. O mamilo direito foi preservado na cirurgia, já que não havia tumor na mama. “É um resgate da autoestima que não dá para descrever. A gente se sente linda novamente.”

Segundo o chefe do setor de plástica do Hospital de Base, Antônio Roberto Bozola, uma equipe multidisciplinar trata das mulheres com câncer de mama, sendo que o setor de plástica e a unidade de mastologia e oncologia ginecológica trabalham juntos, no HB.

“As pacientes chegam e fazemos todos os procedimentos até o diagnóstico. Definimos se a paciente terá ou não que passar por radioterapia posterior à cirurgia. E, se possível, a reconstrução é no mesmo procedimento ou se será colocado expansor”, diz o chefe da unidade de mastologia do HB, o oncologista Newton Bordin.

Se a reconstrução será imediata ou não, depende do estágio da doença e se a paciente terá de passar por radioterapia. É que o procedimento aumenta o risco de contratura capsular, que é a perda da elasticidade da cápsula que envolve a prótese de silicone.

“Não se trata de uma cirurgia estética, é reconstrutiva. Mas a mulher precisa saber que, após a mastectomia, ela poderá ter sua autoestima devolvida com a reconstrução da mama retirada”, diz Bordin. O procedimento é custeado pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Assim, todas as mulheres têm acesso a próteses atualmente.

“Percebemos que as mulheres que têm as mamas reparadas adotam um comportamento psicológico de maior colaboração com o tratamento. Isso é muito importante”, afirma Bozola.

Assista abaixo videorreportagem:

 

 

Estagiamentos

Um dos fatores que determina se a mulher poderá, na mesma cirurgia, retirar a mama e colocar a prótese, é o estágio em que o câncer foi descoberto. Segundo o oncologista Bordin, são quatro. “No primeiro estágio, o tumor tem até dois centímetros”, diz. Ainda considerado como estágio inicial são os menores de cinco centímetros. Quando o tumor tem cinco centímetros, como metástase que envolve a pele, é o de estágio três. O quatro é quando o câncer já atingiu outros órgãos do corpo, como ossos, pulmão entre outros.

“O meu estava no estágio três, com metástase. Por isso, precisei do expansor, por um período. Agradeço o doutor Bordin por salvar a minha vida e o doutor Bozola, por devolver a minha autoestima”, finaliza Cristina.

 

MAMAARTE Clique na imagem para ampliar

 

 

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