Diário da Região

13/04/2009 - 08h01min

Catanduva

Prefeitura faz vistas grossas para jogatina

Catanduva

Thomaz Vita Neto Bingo Catanduva, na rua Paraíba, fica a cerca de 200 metros da prefeitura (prédio ao fundo)
Bingo Catanduva, na rua Paraíba, fica a cerca de 200 metros da prefeitura (prédio ao fundo)
Graças às vistas grossas do poder público e da polícia, Catanduva tornou-se a capital da jogatina na região. Mesmo sem alvará, dois bingos na cidade atraem todos os dias multidões de jogadores - inclusive rio-pretenses - sem ser incomodados pelos fiscais da prefeitura. Em fevereiro, o bingo Catanduva, no Centro, fechado pelo poder público municipal desde janeiro de 2007, reabriu as portas e se juntou ao Clube da 15, no bairro São Francisco, aberto desde dezembro do ano passado. A assessoria da prefeitura confirma que nenhum dos dois estabelecimentos tem alvará. E informa que, no caso do Catanduva, os fiscais aguardam parecer definitivo da Secretaria de Negócios Jurídicos para voltar a lacrar o prédio, o que não tem data para ocorrer.

O delegado-titular do 1º Distrito Policial, João Wagner Bertoncello, contesta a passividade do Executivo. ?A prefeitura pode fechar aquilo a qualquer momento. Recentemente, lacraram uma igreja evangélica no Centro pelo mesmo problema: falta de alvará?, disse. Bertoncello investiga a legalidade do bingo por meio de inquérito. A direção do Catanduva alega ter um contrato com a Liga Regional Desportiva Paulista, entidade autorizada pela Justiça em São Paulo a operar bingos. ?Estamos verificando se o contrato é verdadeiro ou não?, afirmou o delegado. ?Antes disso não posso fazer nada. Posso ser processado por abuso de autoridade.?

Em 2008, com base no contrato, a empresa Diego Borges da Costa-ME ingressou com ação na Justiça pedindo que a prefeitura concedesse o alvará. A juíza Sueli Juarez Alonso negou o pedido, com o argumento de que a beneficiada pela decisão judicial da Capital era a Liga, e não Costa. A advogada da Liga, Amira Abdo, diz que a entidade não autorizou o funcionamento do bingo. ?O contrato é fraudulento?, disse. Diego mora no bairro São Deocleciano, em Rio Preto. Ele é sobrinho de Igor Pereira Borges, ex-gerente do bingo Rio Preto, que hoje controla o negócio ilegal na área central de Catanduva. Até outubro de 2008, a microempresa de Diego era uma lanchonete. O Diário obteve um parecer da Secretaria de Negócios Jurídicos contra o funcionamento do bingo. Datado de novembro de 2008, o documento cita uma sentença da Justiça Federal que ?determina ao município de Catanduva que deixe de emitir alvará para pessoa jurídica que explore, direta ou indiretamente, jogos de azar?.

Clube da 15

Com relação ao Clube da 15, a assessoria da prefeitura diz estar impedida de lacrar o prédio devido à decisão do juiz da 1ª Vara Criminal, Celso Maziteli, que permitiu o funcionamento do bingo. O argumento também é contestado pela polícia, desta vez pela delegada do 2º DP, Marlene Carolina Marangoni. ?A sentença impede apenas a polícia de fechar o local. O processo administrativo corre paralelamente na prefeitura, e eles podem impedir a atividade.?

Caça-níquel domina periferia

Se na área central de Catanduva os bingos funcionam livremente, na periferia são as máquinas caça-níqueis que atuam a todo vapor. O Diário flagrou os equipamentos em dois bares da rua Sete de Setembro, na Vila Jorge. As máquinas ficam no fundo dos bares, em cômodos discretos, vigiadas por funcionários. A Polícia Civil da cidade investiga ainda uma chácara na Vila Sotto que abrigaria pelo menos 30 caça-níqueis. O delegado-titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Luís Ricci, admite a dificuldade em flagrar as máquinas. ?A maioria é portátil, e eles põem e tiram a toda hora nos bares. Se apreendemos uma, o dono fica sabendo no mesmo instante e avisa os outros bares. Fica difícil.? Segundo ele, no último mês a DIG apreendeu 37 caça-níqueis em Catanduva, das quais 25 máquinas de videobingo, flagradas por acaso em uma chácara durante a Operação Fênix, de combate à pedofilia, no dia 11 de março.

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