Diário da Região

02/11/2013 - 02h14min

Briga de bar

Para mãe de soldador morto por PM ‘foi um ato covarde’

Briga de bar

Guilherme Baffi Para Maria Luiza Galante, polícia poderia ter usado “spray de pimenta”
Para Maria Luiza Galante, polícia poderia ter usado “spray de pimenta”

A família do soldador Fábio Roberto Dias, 30, alvejado e morto pela Polícia Militar na noite de quarta-feira em um bar do Jardim Simões, em Rio Preto, se diz revoltada e promete processar o Estado. Para eles, três policiais conseguiriam, sem o uso de arma de fogo, conter o homem que estava alterado no interior do estabelecimento.


“Sei que os policiais recebem treinamento para atirar em última instância. Um gás de pimenta poderia imobilizar meu filho. Foi um ato covarde e eu vou lutar para que a justiça seja feita”, diz a cozinheira Maria Luiza Galante. Dias foi morto com um tiro na perna direita após ter investido contra a equipe de policiais que tentavam convencê-lo a soltar a faca que usava para ameaçar a dona do bar e alguns clientes do local.


De acordo com a mãe, naquela noite Dias havia se desentendido com clientes do boteco e chegou a ser agredido. Furioso, ele seguiu de moto até a sua casa, no bairro Duas Vendas F, e se armou com uma faca de cozinha. Dona Luiza estava em casa e tentou impedir que ele saísse, mas segundo ela o filho estava descontrolado. “Ele pegou a faca, montou na moto e saiu. Desesperadas, eu e minha filha saímos correndo atrás dele a pé. Mas quando chegamos lá, ele já havia sido baleado”, disse.


Luzia relata que quando o filho retornou ao bar a polícia já o aguardava no local. Ela acredita na versão registrada no boletim de ocorrência de que Fábio tenha realmente investido contra os policiais, no entanto questiona o procedimento adotado pela equipe liderada pelo cabo Waldir Gallo. “Meu filho não tinha consciência do que estava fazendo. Estava sob efeito de droga. Em três, os policiais poderiam tê-lo cercado e imobilizado. Ou utilizado spray de pimenta. Mas atirar, não.”


Segundo dona Luiza, o socorro teria demorado 40 minutos para chegar e quase uma hora e meia para sair do local do crime em direção ao hospital. “Foi horrível ver meu filho sangrar à espera de socorro. Ele ficou agonizando e foi levado ao hospital desfalecido. Esperamos uma hora e meia até o Samu sair do bairro com ele. Eu já não tinha esperanças de ver meu filho vivo novamente”, desabafa.


Indignada, a mãe de Fábio promete colher depoimentos de testemunhas e acionar um advogado para poder entrar com uma ação contra o Estado. “Vou lutar para que esse policial nunca mais cometa uma injustiça dessa. Ele tem que pagar pelo que fez. A polícia tem o dever de proteger o cidadão e atitudes como esta não podem passar impunes.” De acordo com laudo emitido pelo Instituto Médico Legal (IML), Fábio morreu em decorrência de choque hipovolêmico, hemorragia interna agudo-traumática e ferimento perfuro contuso em decorrência de disparo de arma de fogo.


Em entrevista ao Diário, o tenente coronel Afonso César Evaristo dos Santos, comandante do 17º Batalhão da Polícia Militar, informou que um inquérito foi instaurado para apurar a conduta dos policiais. Os três PMs envolvidos no caso também serão submetidos a exames psicológicos que devem apontar se eles tem o não condições de continuar trabalhando nas ruas.


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Reportagem do dia 31 de outubro de 2013


Soldador morre após ser baleado pela PM


Guto Pereira


O soldador Fabio Roberto Dias, 30, morreu após levar um tiro na perna disparado pelo cabo da Polícia Militar, Waldir Gallo, 49, durante o atendimento a uma ocorrência no Jardim Simões, zona norte de Rio Preto, por volta das 22 horas de ontem, quarta-feira, dia 30.


A vítima estava em um bar na rua Alberto Bechara Hage, ameaçava a proprietária e clientes com uma faca quando a polícia chegou e tentou prendê-lo. Dias reagiu e acabou sendo baleado na coxa direita.


Socorrido, deu entrada no Hospital de Base por volta das 23h30, foi prontamente atendido e, segundo a assessoria de imprensa, encaminhado para cirurgia. Mas após três paradas cardíacas não resistiu aos ferimentos e faleceu. O óbito foi confirmado às 6h20.


“Devido a complicações em seu quadro clínico, que já era grave quando chegou à emergência, o paciente teve três paradas cardíacas e morreu”, diz a nota emitida pelo HB ontem. A Polícia Civil foi comunicada do falecimento às 11h11.


O primeiro boletim de ocorrência registrado cerca de duas horas após a abordagem na noite de quarta-feira trata o caso apenas por lesão corporal e afirma que o cabo Gallo efetuou três disparos sendo que um deles acertou a coxa direita da vítima. Outros dois policiais estavam na ocorrência e um deles, o soldado Fernando Veloso Saes, 33, também atirou, mas não é informado quantas vezes. Já o PM Norberto Anacleto Junior, 35, figura como testemunha.


Os três estão lotados na 1ª companhia, na zona norte, mas nesta quinta-feira não foram localizados. Segundo o tenente coronel Afonso Cesar Evaristo dos Santos, comandante do 17ª Batalhão, um inquérito militar foi instaurado para apurar a morte e tanto policiais como testemunhas que estavam no bar já foram ouvidas.


Segundo ele, pelo apurado até agora, os tiros foram efetuados para o chão como forma de advertência e os policiais teriam agido, ao que tudo indica, em legítima defesa. O inquérito militar tem 40 dias para ser concluído, podendo ser prorrogado por mais 20 dias.


O comandante também justificou por que a ocorrência foi apresentada por outro policial militar que não estava no local dos fatos. Segundo ele, as as armas usadas também já foram recolhidas e vão passar por perícia técnica. O resultado será encaminhado para a Polícia Civil, que faz uma investigação paralela.


“Como os policiais estavam em serviço na hora do ocorrido, o procedimento é a abertura de um inquérito militar, o que já foi feito, e as armas apreendidas por aqui. Já o fato de outro policial registrar a ocorrência na delegacia é normal”, disse.


O tenente coronel falou ainda que os policiais vão passar por atendimento psicológico e só após a avaliação será decidido se serão afastados do policiamento das ruas ou não. “Este é o procedimento padrão”, afirma. Segundo Evaristo, esta é a primeira vez que eles se envolvem numa ocorrência com vítima fatal.



Histórico grave


Procurada pela reportagem hoje à tarde, a dona do bar Valdirene Bacco, 43, não quis falar com a imprensa. “O que sei está no boletim de ocorrência”, limitou-se a dizer. Segundo a PM, existem pelo menos três queixas anteriores registradas por ela contra Dias por ameaça e tentativa de agressão.


Dias morava na rua Izabel Coca Toledo Ramos, no bairro Duas Vendas, com a mãe Maria Luiza Galante e o padastro. Nesta quinta-feira à tarde ninguém foi encontrado na casa da família para comentar o caso. Até apor volta das 18h30, o corpo do rapaz estava no IML (Instituto Médico Legal). O velório e o enterro serão realizados na sexta-feira no cemitério São João Batista.


Comunicação


O delegado Marcelo Goulart, responsável pleo Plantão Policial, disse que o comunicado da morte do soldador foi feito pelo hospital às 11h11 da manhã. Segundo ele, o caso a partir de agora deve ser tratado como homicídio culposo e será enviado hoje para o 4º Distrito Policial, responsável pela investigação.


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