Diário da Região

18/08/2013 - 00h52min

Eu Repórter

O céu é meu escritório

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Edvaldo Santos Nara (com réplica de avião) diz que rotina não combina com a vida de aeronauta e Larissa (de lenço) diz que não troca profissão por nada
Nara (com réplica de avião) diz que rotina não combina com a vida de aeronauta e Larissa (de lenço) diz que não troca profissão por nada

Senhores leitores, bem vindos a bordo deste voo pela vida turbulenta e feliz das comissárias de bordo. Seja no céu de brigadeiro ou nas tempestades, a gentileza e o sorriso no rosto são as marcas registradas dessas profissionais que agem como enfermeira, psicóloga, bombeira, médica, agente de segurança, mágica, malabarista, tia. Tirar os pés do chão e cruzar os ares é para quem tem muita coragem, afinal o nosso escritório é o céu.


Aeromoça, comissária de bordo, comissária de voo, tripulante. Os nomes são vários, assim como a rotina. Conseguir encontrá-las para um bate papo, longe dos aeroportos, é uma tarefa difícil. Assim é possível descobrir a veracidade da crônica escrita por Mário Quintana, “Aeromoças não existem”. Esta é a primeira característica da vida de quem anda pelas nuvens - voar contra o tempo. De aeroporto em aeroporto é possível conhecer lugares incríveis e fazer amigos em pouco tempo.


Explicar para os “terráqueos” a vida nos ares, às vezes pode ser frustrante. Basta chegar numa festa, mesa de bar, boate, ou em um chá de bebê e alguém descobrir a profissão, as perguntas sempre são as mesmas. “Qual a sua rota?”, “Quais são seus dias de folga?”, “Que horas você trabalha?”, “É fácil conseguir desconto em passagens?”. Por mais que se explique, a sensação que fica é que ninguém entendeu nada.


Durante os voos, vemos passageiros de todos os tipos. Gente que viaja esperando um “eu te amo” e outros que voltam amargando um “sinto muito”. Gente que vai matar a saudade que sufoca e gente que vai ter que conviver com o sufoco por um bom tempo. A bela comissária Larissa Gabriela Martinez, 27 anos, ama viver nas alturas e não troca essa vida por nada. “Sou formada em Biologia, mas não exerci.


Quando uma amiga me falou da profissão de aeromoça, fiz o curso que durou nove meses, fui aprovada na prova da Anac e entrei em uma grande empresa. Não me arrependo de nada”, conta. Para Larissa, ter os pés fora do chão é uma experiência inesquecível e única. “Uma vez um comandante me chamou na cabine e, quando entrei, ele disse para olhar pela janela. Vi de um lado o sol se pondo e do outro a lua nascendo. Foi lindo, mágico e inesquecível! Isso ninguém me tira”, disse.


Coragem e dedicação. Quem vê na aeronave essas meninas bonitas e bem arrumadas, nem sabe que elas já passaram frio e mataram galinhas, coelhos e construíram abrigos. Por trás da aparência frágil, se escondem verdadeiras heroínas. Entre sorrisos estonteantes, estão as guardiãs de voo, pois é exatamente isso que estudam e treinam, para garantir a segurança do voo, e agir em caso de qualquer incidente. Hora certa pra dormir ou acordar não existe.


A rotina é algo que definitivamente não combina com a vida de um aeronauta. Por exemplo, um voo de São José do Rio Preto para São Paulo é composto por uma tripulação de quatro comissários, com o comandante e o co-piloto. Esse tipo de tripulação pode trabalhar até onze horas por dia, sendo que a jornada de trabalho se inicia na hora da apresentação do aeronauta no seu local de trabalho, quando se encontra na sua base, ou trinta minutos antes dos motores serem ligados. O dia se encerra somente trinta minutos após o corte dos motores. A mesma equipe não se repete em outras viagens.


José Otávio Junges foi comissário em três empresas aéreas e hoje se dedica à sua outra paixão, a televisão. No entanto, os momentos do trabalho nas alturas não saem de sua mente. “Super heróis cujo super poder é a empatia, voam pelos céus ao redor do mundo. Somos acostumados nessa filosofia de vida de comer e dormir sempre que puder, afinal você nunca sabe quando vai fazer isso de novo. Faz parte da nossa missão ajudar alguém que é grosso com você as quatro horas da manhã de natal e, mesmo assim, manter o sorriso no rosto. Isso é tarefa pra quem tem uma capacidade sobre humana de auto controle e paciência”, disse.


Temos a oportunidade de dizer pra alguém da família, da noite para o dia, e dizer para fazer as malas porque no dia seguinte vamos viajar juntos. E não importa pra onde. Quando isso não acontece, convivemos com a solidão de um quarto de hotel e na solidão de um voo lotado.


É gente nova o tempo todo. São centenas de “bom dia”, “boa tarde” e “boa noite” todos os dias. São medos, anseios e saudades. Passamos a vida levando e trazendo, os passageiros e suas expectativas. Aeroporto deveria se chamar saudade. Talvez seja esse o sobrenome de todo mundo que mora entre as nuvens, Saudade. Passamos em casa de vez em quando, mas levamos sempre todos os que amamos dentro dos nossos corações.


Como participar:


Interessados em fazer como a Nara Calachi e publicar sua própria reportagem no Diário da Região devem entrar em contato pelos emails milton.rodrigues@diarioweb.com.br e salomao.boaventura@diarioweb.com.br e proporem o tema e a abordagem que pretendem dar à matéria. Os assuntos propostos serão avaliados pela Redação que, em caso de aprovação, acompanha e supervisiona a produção da reportagem. A publicação não tem custo e a participação do leitor-repórter é totalmente voluntária.


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