Diário da Região

16/04/2009 - 01h46min

Bisturi e batom

No curso de medicina, elas que têm a força

Bisturi e batom

Guilherme Baffi Alunos do 2º ano de medicina da Famerp: predominância feminina se repete nas outras turmas
Alunos do 2º ano de medicina da Famerp: predominância feminina se repete nas outras turmas
Em dez anos, a participação das mulheres no último ano do curso de medicina passou de 44,6% para 73,3% em Rio Preto. Atualmente, o 6º ano do curso na Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp) conta com 44 mulheres e 16 homens. A participação delas representa 73,3% da classe. Já em 1999, a instituição formou 25 mulheres e 31 homens. Naquele ano, as mulheres correspondiam a 44,6% do total de formandos. Para Marina Maciel, 23 nos, aluna do 6º ano, a resposta para a prevalência feminina pode ser a dedicação. ?As mulheres acabam sendo mais dedicadas aos estudos.? Ela também acredita que o processo seletivo da faculdade, que prioriza as respostas dissertativas a objetivas, pode ter sido um prato cheio para as meninas que tanto estudaram. Já Cintia Marchi, 24 anos, aluno do 5º ano, acha que os números atuais na medicina comprovam que a mulher pode conseguir tudo o que deseja e não fica atrás do homem. ?Me sinto feliz em ver muitas mulheres na faculdade. Mostra que o sexo não tem nada de frágil.? O raciocínio de Thaís Couto, 21 anos, aluna do 2º ano, segue a mesma tendência.
?Isso é reflexo do próprio interesse da mulher em conhecer novas áreas e da conquista de um espaço maior na sociedade.?

A presença feminina não é majoritária apenas no último ano de curso. Na classe de Cintia, elas também são maioria. Assim como no 4º ano e 2º ano. No 3º ano há equilíbrio - 32 homens e 32 mulheres. A presença da mulher nas salas de aula da Famerp vem ganhando força desde a década de 80. Em 1979, dos 67 formandos, 37 eram homens e 30 mulheres. Dez anos depois, formaram-se 32 homens e 31 mulheres. As inscrições no Conselho Regional de Medicina (Cremesp) também mostram a força feminina. Em 2008, dos 3.072 inscritos, 52,96% eram mulheres. A mesma dedicação apontada pela mulheres é lembrada pelos homens quando eles falam das companheiras de classe. ?Elas são muito mais dedicadas, mais sérias?, diz Danilo Botelho, 23 anos, aluno do 2º ano do curso. A geneticista e diretora de pesquisa da Famerp, Eni Goloni Bertolo, acredita que o crescimento da mulher está ligado a sua persistência com relação à profissão. Ela também convive em um ambiente onde o feminino domina. ?No nosso laboratório de pesquisa a maioria é feminina. De um grupo de 30 pessoas, 4 são homens.?

Preparação explica fenômeno
O sociólogo e coordenador geral de extensão da Faculdade de José Bonifácio, Luciano Alvarenga, explica que o processo histórico de expansão da mulher no mercado de trabalho vem aparecendo em diversos cursos superiores. ?Mas não é só a questão histórica que faz elas serem maioria. A mulher tem se preparado mais que o homem e tem se sobressaído.? Alvarenga explica que enquanto a mulher apresenta uma postura de dedicação os estudos e de correr atrás de seus objetivos, os homens vivem uma crise existencial com relação a vários pontos de suas vidas. Ele aponta que mais mudanças virão. Segundo o sociólogo, o Brasil está seguindo uma tendência já verificada na Europa. ?Vai diminuir cada vez mais o número de mulheres da classe A e B que terão filhos. E sem filhos elas tendem a investir mais na carreira profissional. Isso já existe na Europa há 30 anos.? Mas essa alteração já começa a produzir alguns resultados ?Há um preço emocional que elas pagam em função dessas escolhas, por abrir mão dos filhos e da família tradicional por uma vida independente.?

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