Diário da Região

06/09/2012 - 00h50min

Comércio ilegal

Mulheres colocam óvulos à venda na internet

Comércio ilegal

Divulgação O interesse na compra óvulos criou um mercado lucrativo, daí os interesse das brasileiras no negócio
O interesse na compra óvulos criou um mercado lucrativo, daí os interesse das brasileiras no negócio

Quatro mulheres da região, sendo duas de Rio Preto, uma de Ilha Solteira e uma de Votuporanga, estão entre as brasileiras cadastradas no site surrogatefinder.com - na tradução livre, buscador de barriga de aluguel -, dispostas a vender óvulos para estrangeiros. A prática é proibida no Brasil, mas liberada em países como Estados Unidos da América, Espanha e Índia. O Surrogatefinder.com, hospedado na Índia e criado há 4 anos, cobra pelo cadastro 99 libras (R$ 275) por seis meses ou 199 libras (R$ 547) por um ano.


A procura pelo serviço é grande. Dados do Statscrop, site especializado em análise de páginas virtuais, mostra que o Surrogatefinder recebe 525 visitas e tem 1.365 páginas visualizadas por dia, o que mostra a dimensão do negócio. O interesse na compra óvulos criou um mercado lucrativo, daí os interesse das brasileiras no negócio.


As fornecedoras de óvulos chegam a receber, de acordo com médicos ouvidos pelo Diário, entre US$ 8 mil (R$ 16.300) e US$ 40 mil (R$ 81.600) para proporcionar a famílias estrangeiras, sejam de mulheres inférteis ou casais homossexuais, a oportunidade de ter um filho. O lucro pode ser maior, chegando a US$ 100 mil nos EUA, para as mulheres que se dispõem a ser barriga de aluguel, ou seja, fecundar o bebê de outras mulheres até o nascimento.


As negociações são feitas pela internet ou telefone, mas a venda só se concretiza fora do país, já que o transporte dos óvulos também não é permitido. Das quatro mulheres da região inscritas no site, duas deixam explícito que estão em busca de dinheiro. Uma delas é Ana, 22 anos, de Votuporanga, que se diz mãe de quatro filhos e cantora gospel. “Preciso do dinheiro para construir uma casa”, diz ela em cadastro na página virtual. A jovem revela ter altura de 1,68 metro, peso de 57,6 quilos e cabelos e olhos marrom.


No site, o perfil completo do candidato é exposto, de tipo sanguíneo até grau de escolaridade. Uma espécie de cardápio para os interessados escolherem as características que querem para seus filhos. Já os contatos telefônicos, de e-mail, endereço e nome completo só são disponibilizados para cadastrados, que também devem pagar as taxas de inscrição.


A rio-pretense Aderlene, 38 anos, é outra que está em busca de pagamento pelos seus óvulos. Em seu perfil onde revela as razões de doações está escrito: “por dinheiro”. Ela se diz divorciada e mãe de um filho. Informa ainda que é loira e tem olhos verdes, peso de 59 quilos e 1,6 metro de altura. A descrição das características são fundamentais para conseguirem compradores, por isso a maioria divulga suas fotos, de filhos e até do marido como atrativos.


Marta, 23 anos, de Ilha Solteira, exibe quatro fotos em seu cadastro, duas delas com um curto vestido preto que exibe suas pernas torneadas e um corpo atlético. E mais, ela afirma ter passaporte e estar disposta a viajar para qualquer lugar do mundo. Além das características físicas, ela revela possuir dotes intelectuais. Diz cursar engenharia em uma faculdade de Ilha Solteira.


A rio-pretense Nayara, 22 anos, outra jovem que quer “doar óvulos”, aposta na divulgação de seu casamento para conseguir a venda. Ela exibe duas fotos, uma dela com o marido e outro vestida de noiva. E ainda faz propaganda. “Creia, pois o seu sonho será realizado e eu vou te ajudar para que isso aconteça o mais rápido possível”.

Reprodução O site Surrogatefinder.com hospedado na Índia e criado há 4 anos

Lei proíbe venda

A lei 9.434 de 1997 proíbe venda de órgãos, óvulos, sêmen ou de barriga, mas não torna a prática um crime. No país, é permitido apenas a doação de óvulo e sêmen, desde que o doador não conheça o receptor e a troca não envolva dinheiro. No caso da barriga de aluguel, a permissão é só para parentes de até segundo grau, também sem qualquer tipo de pagamento.O conselheiro regional do Conselho Regional de Medicina de Rio Preto (Cremesp), Pedro Teixeira Neto, afirma que a lei foi elaborada com o objetivo de evitar que ocorra a venda indiscriminada no país. “A medicina não pode virar um comércio”. Na fila, à espera de doaçãoNo Centro de Reprodução Humano de Rio Preto cerca de 40 mulheres esperam por doação de óvulos. “As mulheres estão deixando para ter filhos mais tarde, por isso acabam tendo de recorrer ao tratamento. Algumas pacientes preciso encaminhar para São Paulo, cidade que possui mais doadoras”, explica o médico Edilberto de Araújo Filho.A professora Aline (nome fictício), 44 anos, está na fila do Centro. Por causa da idade, ela não consegue engravidar e precisa de óvulos doados para conseguir ser mãe pela primeira vez. “Estou bastante ansiosa por isso. Resolvi ser mãe aos 40 anos e o fator idade pesou”, explica.Apesar da espera que já dura seis meses ela diz que não compraria um óvulo porque acredita que esse tipo de ato deve ser solidário. Essa é também a opinião da secretária A.J.Q., 31 anos, que há oito anos tenta engravidar e não consegue devido a problemas na produção de óvulos. “A venda incentivaria a um comércio sem controle. Acredito que a doação ainda é melhor, mesmo que tenha de esperar mais”.
ANÁLISE:
Brasil discute como legalizar o comércioA evolução da engenharia genética e os progressos científicos na área da reprodução humana têm solucionado a contento o problema da infertilidade, criando várias formas de procriação assistida, com a manipulação dos componentes genéticos dos dois sexos.No Brasil, a Lei 9.434/97 possibilita a disposição gratuita de sangue, esperma e óvulos com objetivo científico ou altruístico, sem qualquer modalidade de comércio. Os Estados Unidos e Espanha, por exemplo, já permitem o comércio de óvulos e a prática atrai muitas mulheres de outros países, até mesmo do Brasil, que entram na fila para vender suas células reprodutivas. Não só. Expande-se também para a maternidade substitutiva (barriga de aluguel). É a aplicação da lei da oferta e procura.Por outro lado, em razão da proibição da comercialização, a consequência inevitável é a escassez de óvulos destinados à doação. O procedimento médico para a punção dos óvulos é complexo e pode até trazer sequelas para a mulher. Tal temor, por si só, provoca desestímulos às potenciais doadoras que, para tanto, devem ser movidas por um altruísmo sem medida. Neste vácuo começa a tomar corpo a proposta de compra de óvulos, que já vem sendo praticada por algumas clínicas, sem qualquer amparo legal, por se tratar de evidente comércio. Assim é que o próprio Conselho Regional de Medicina de São Paulo, de forma corajosa, discute uma norma legal permissiva para que seja remunerada a ovodoação, quer dizer, paga-se pelo tratamento de outro casal em troca de parte dos óvulos.Também a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) vem sendo questionada a respeito do afrouxamento das regras para importação de óvulos e espermatozoides. Justamente pela carência no mercado interno. EUDES QUINTINO DE OLIVEIRA JUNIOR - promotor de Justiça aposentado e Pós-Doutor em Ciências da Saúde

   

Quer ler o jornal na íntegra? Acesse aqui o Diário da Região Digital

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso