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Diário da Região

14/12/2017 - 21h05min

Como germina uma boa ideia

Mais de 200 voluntários já plantaram 1,8 mil árvores em Rio Preto

Como germina uma boa ideia

Guilherme Baffi Anízio Tomé, aposentado de 62 anos, plantando árvore na avenida João Bernardino de Seixas. Ele mora em Bady Bassitt e é um dos 200 voluntários do projeto. Trata o plantio como uma terapia. Quando vem a Rio Preto, faz questão de passar perto das árvores que semeou.
Anízio Tomé, aposentado de 62 anos, plantando árvore na avenida João Bernardino de Seixas. Ele mora em Bady Bassitt e é um dos 200 voluntários do projeto. Trata o plantio como uma terapia. Quando vem a Rio Preto, faz questão de passar perto das árvores que semeou.

Uma semente que começou pequena está mudando a cara de Rio Preto. O projeto Muda que a Cidade Muda, criado em julho de 2016, já plantou pelo menos 1,8 mil árvores e deixou o ambiente mais verde e florido com ajuda de 200 voluntários. “Tem um foco na área central. São 7 mil novas árvores que devem entrar ali em um período de três anos. A ideia é arborizar a cidade, hoje tem muito bairro que pede a nossa presença”, diz a idealizadora Fernanda Sansão, publicitária de 52 anos.

Somente nas ruas Benjamin Constant, Coronel Spínola de Castro, Imperial e XV de Novembro são 1,6 mil novas árvores, fora as semeadas no dia a dia e em conjunto com outras entidades. “A gente não consegue ficar sem plantar entre uma ação e outra”, diz Fernanda. A preferência é dada às árvores nativas da região, como ipê-branco e ipê-amarelo, sabão-de-macaco, escova de garrafa, pata-de-vaca e quaresmeira.

Há parcerias com as Secretarias de Meio Ambiente e Planejamento, empresas e sociedade, que doam mudas e insumos como adubo e estacas. Arif Cais, professor do Departamento de Zoologia e Botânica do Ibilce, afirma que a atividade é planejada. “Leva em conta o espaço público. É feito um levantamento criterioso, a demarcação”, diz. Antes do plantio, os voluntários conversam com os donos das casas e empresas que vão receber as árvores.

“O plantio é feito de acordo com o traçado da rua, com a fiação. São mais de 40 espécies, e depois vem o acompanhamento. Adubação, irrigação, sustentação”, explica o professor. Marcio Finimundi, geólogo de 55 anos e voluntário do projeto, entende que a ideia é mais que semear uma semente. “É multiplicador do resgate da cidadania no sentido de provocar nas pessoas o estímulo à busca e implementação de soluções para benefício da sociedade da qual fazermos parte, e não só exigindo e cobrando passivamente do poder público”, considera. 

Anízio Tomé, aposentado de 62 anos e morador de Bady Basitt, considera o Muda uma terapia. “É uma felicidade muito grande estar nesse projeto plantando árvores”, diz. Quando vem a Rio Preto, ele faz questão de passar pela Coronel Spínola, onde estão alguma das mudas que semeou.

 

Fernanda Sansão - 29042017 Fernanda Sansão, idealizadora do projeto, diz que o foco é na área central e que muitos bairros pedem a presença do grupo

'Parte de mim'

Camilla Lizo, estudante de administração de 27 anos, diz que o grupo se comunica diariamente. Para ela, ser voluntária é mais que satisfação pessoal. “É pela natureza, que eu tanto prezo e amo. Sem ela não somos nada, não respiramos. E principalmente pelos nossos sucessores.” Quando passa perto de uma muda que plantou, sente felicidade e amor. “É como se fizesse parte de mim.”

Delcimar Teodózio, arquiteta e urbanista de 53 anos, mora no Centro, gosta de andar a pé e percebe que faltam árvores. Na Coronel, já nota uma mudança. “Quando passo por lá fico imaginando essas árvores altas, grandes e frondosas e sabendo que a gente vai poder andar por uma calçada mais fresquinha e sombreada”, diz. 

Instituto Mudar

O Muda que a Cidade Muda já fez surgir mais um fruto: o Instituto Mudar, que já tem até CNPJ. Segundo Fernanda, ele foi criado para abrigar outros projetos na área de educação, cultura e esporte, sempre ligados ao meio ambiente.

Rio Preto tem pouca árvore

Dados da Secretaria Municipal de Meio Ambiente apontam que Rio Preto tem 17,77% de projeção de copa de árvores. O ideal, segundo o Município VerdeAzul, seria ter 20%. A professora Denise de Cerqueira Rossa Feres, do Departamento de Zoologia e Botânica do Ibilce, é voluntária no Muda que a Cidade Muda e diz que a cidade tem menos da metade das árvores que deveria ter. O último levantamento feito mostra 1,08 árvore por habitante, enquanto o ideal seriam três. “Não é muda. Tem que ser árvore, com copa”, afirma.

Denise alerta que Rio Preto tem uma estação seca pronunciada, em que a umidade relativa do ar chega a menos de 20%. “Tem as queimadas, isso joga um monte de partículas sólidas, causa problemas de saúde gravíssimos. Rio Preto tem frota automotiva muito grande, o combustível fóssil também joga material particulado no ar”, aponta. A melhor solução para os problemas são as árvores. “São o melhor filtro de poeira. Retêm a poeira nas folhas, quando chove vai para o tronco e é reincorporada ao solo, não fica no ar”, explica Denise.

Números

  • 200 voluntários
  • Pelo menos 1,8 mil árvores plantadas ao todo
  • 400 árvores na rua Coronel Spínola de Castro
  • 600 árvores nas ruas Benjamin Constant e Imperial
  • 600 árvores na rua XV de Novembro
  • 200 árvores espalhadas por outros pontos da cidade, como Vila Aeroporto e Represa
  • Um Instituto, o Mudar, fundado para ter projetos de educação, esporte e cultura ligados ao meio ambiente

análise

Levantamento para plantio é criterioso

O Muda que a Cidade Muda é uma organização espontânea. Rio Preto é uma cidade extremamente quente, sem praças. O cidadão está cansado de ver esse desprezo com o meio ambiente e resolveu então fazer por si mesmo. É uma atividade planejada que leva em conta o espaço público, não é feito à revelia. É feito depois de um levantamento criterioso.

O plantio é feito de acordo com o traçado da rua, de acordo com fiação, então são plantadas árvores de pequeno porte onde tem fiação. A árvore filtra o ar, elimina poeira, diminui o calor excessivo, aumenta a umidade relativa do ar e muda a paisagem, que torna-se mais amena, bonita. Isso suaviza a pressão que o cidadão sente nessa selva de pedra. O índice de sombra de árvore é muito pequeno. 

Abrem-se muito mais áreas do que se repõe arborização. Não é preciso ter número exato. Basta você ter sentimento de calor. O Centro da cidade é uma ilha de calor, por isso que quando você tem chuva pesada em Rio Preto, chove mais ainda no Centro da cidade. É incontestável que Rio Preto precisa de árvores.

Arif Cais, professor do Departamento de Zoologia e Botânica do Ibilce, campus rio-pretense da Unesp

 

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