Diário da Região

13/02/2004 - 14h22min

Beira D?Água

Mãe D?Ouro guarda tesouro escondido por bandeirantes

Beira D?Água

Orlandeli/Editoria de Arte NULL
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Era por volta da 0 hora de uma sexta-feira 13. O pescador Zé Alcides de Sant?Ana voltava da pescaria de lobós nas águas do Assombradinho, estreito e profundo córrego entre Rio Preto e Ipiguá. Ele havia percorrido metade dos dois quilômetros que separavam sua casa, localizada num pedaço de terra arrendado, e o córrego. A pescaria não rendeu como de costume, apesar da chuva que regara o chão o dia inteiro. Algo estranho, pois com a chuvarada as águas ficam turvas e dão as condições propícias para a pesca da traíra. Nascido e crescido nas cercanias do córrego, Zé Alcides dizia-se um homem com o ?pé no chão?, apesar de pouco ter freqüentado a escola. Superstições, diferentemente do que pensavam os amigos, eram coisas de pessoas mais velhas. ?Meu avô é que acredita em lobisomens e outras coisas do além.

Eu só gostava de escutar as histórias, mas jamais acreditei em alguma delas.? Isso era o que sempre dizia Zé Alcides aos amigos. Mas durante o dia, enquanto o pescador lutava com paciência na tentativa de retirar ao menos um lobó da água, ele sentia algo estranho. ?Não sei o que há. Mas que há algo, há.? Ao contrário do que costumava acontecer, Zé Alcides não ouviu um único som de bicho na mata ciliar do córrego nem viu sequer um peixe pular. A impressão é de que estava em um lugar abandonado. Nem os chatos mosquitos resolveram aparecer. Depois de mais de cinco horas de frustradas tentativas, o pescador resolveu voltar para casa. Os fatos estranhos vividos na pesca, apesar de terem incomodado, não foram capazes de minimizar o seu ceticismo.

Distante cerca de um quilômetro de casa, Zé Alcides olhou adiante e no meio do breu avistou uma luz intensa. Estrela não era. O céu estava tampado de nuvens. Livre de crendices e de superstições, o pescador imaginou tratar-se de algum amigo, querendo pregar uma peça. ?Oh João! Pára de brincadeira! Não tenho medo dessas coisas, não! Vai tentar assustar os outros que acreditam nessas histórias do meu avô.? Depois de gritar muito e não ver resultado algum, resolveu retomar a caminhada de volta para casa. Sem demonstrar medo, Zé Alcides não dava um passo sem observar a luz. Conforme acelerava a caminhada, a luz o acompanhava. Quando parava, a luz fazia igual. Cansado do que até então pensava ser uma brincadeira do amigo João, resolveu partir para cima da luz. Depois de correr cerca de 50 metros em direção ao que lhe incomodava, percebeu que a luz fazia o mesmo, porém com velocidade bem superior. ?Enquanto corri essa distância, a luz deve ter corrido quatro vezes mais em minha direção?, diz. O pescador então caiu na real. ?Não é o João, não! Ele é lerdo que nem um bicho preguiça. Jamais correria com tanta rapidez!?

Com o ceticismo já em xeque, Zé Alcides resolveu tomar o caminho inverso. ?Corri que nem um alazão! E conforme eu olhava para trás e via a luz a me perseguir, aumentava a velocidade.? Sem saber do que corria e sem o ceticismo para encorajá-lo a enfrentar o que o perseguia, Zé Alcides ficou ainda mais assustado quando ao cruzar o limite do sítio em que morava deu de cara com o amigo João. Quase sem fôlego, o pescador deu um berro e imprimiu ainda mais velocidade à corrida. Sem entender nada e surpreso por ver o corajoso amigo correr como louco, João decidiu correr também. E mais ainda após olhar para trás e ver a mesma luz que assustara Zé Alcides. Ao invadir a casa do companheiro, João o viu beirar a cama do avô, pois já passava da meia-noite. ?Oh vô, acorda! Preciso te mostrar algo!?

Após convencer o avô a se levantar da cama, foram os três para a porta da casa. Trêmulo e ofegante, Zé Alcides, com o dedo em riste, apontou para a luz. João deu um berro e correu para dentro. O avô, Juvêncio Sant?Ana, começou a rir ao ver a luz. O neto, irritado com a reação do avô, até pensou que ele fosse o responsável pelo susto. Porém, antes de esboçar a raiva com a situação, Zé Alcides ouviu a avô dizer: ?Essa Mãe D?Ouro não falha nunca?. Juvêncio entrou de novo em casa. Curioso e ainda assustado, Zé Alcides cobrou uma explicação do avô, que de pronto respondeu: ?Se vo

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