Diário da Região

17/01/2010 - 01h26min

Mundo animal

Kauê, o cachorro inteligente de Mirassol

Mundo animal

Sérgio Menezes Mesmo sem ter sido adestrado, o cão Kauê aprendeu a buscar remédio na farmácia
Mesmo sem ter sido adestrado, o cão Kauê aprendeu a buscar remédio na farmácia

Quando precisa de um remédio, a dona de casa Eunice Coelho Zambrano, 56 anos, liga na farmácia que fica na esquina de sua casa, no centro de Mirassol, e faz a encomenda. Ao desligar o telefone, a ação é imediata:- Kauê, busca na farmácia o remédio da mamãe.A cena pode parecer comum a um ouvinte desavisado, quando encontra Eunice contando com orgulho as façanhas do “filho”. Mas não se trata de um “filho” qualquer. Kauê é um labrador de seis anos, considerado o xodó da família Zambrano.


Ao ouvir o pedido da “mamãe”, ele corre em direção à porta. Espera que ela abra o portão e segue em passos firmes até a farmácia da esquina. O vendedor o aguarda do lado de fora, com a sacolinha na mão. Sem latir, Kauê ergue a cabeça pedindo o remédio. Recebe um afago, encaixa a encomenda na boca e volta para casa.



Sérgio Menezes A pedido da sua dona, Kauê vai a farmácia, pega remédios de um funcionário
Buscar os medicamentos da família é apenas uma das habilidades do labrador, que nunca foi adestrado por um profissional. “Ele aprendeu sozinho, ao acompanhar a gente. Nunca foi adestrado”, diz o advogado André Luis Zambrano, 32 anos. “Esse cachorro é uma figura. Não há quem não se impressione.”Na calçada, com o remédio na boca, ele chama a atenção. As pessoas olham curiosas e admiradas. “Achei muito interessante. Não vemos animais espertos assim por aí”, diz o vendedor Uelinton Rodrigues Alvez Ruiz, 20 anos, que iniciou o trabalho na drogaria há pouco tempo e não conhecia Kauê. “Agora não vou estranhar quando disserem para entregar a compra para um cachorro.”



Sérgio Menezes Kauê caminha tranquilamente de volta e entrega a encomenda ao dono
O labrador foi um presente da namorada do irmão mais velho de André. Ele chegou a Mirassol ainda filhote, com 2 meses, vindo de São Paulo, e foi recebido com festa. Pouco tempo depois o irmão se casou e Kauê ficou com a família. As habilidades foram aparecendo aos poucos. “Ele ia junto com a gente na farmácia. Quando estávamos no meio do caminho, ele corria na frente e pegava o remédio. Com o tempo, a gente só abria o portão”, afirma o advogado. Para ele, uma das principais ajudas de Kauê é carregar sua garrafa térmica de tererê até a academia, que fica a dois quarteirões de sua casa. O recipiente pesa cerca de nove quilos.



Sérgio Menezes Um dos passatempos matinais do cão é pegar o jornal no portão de casa
Basta André dizer que vai ao treino para o cachorro sair em disparada até a cozinha, colocar a alça da garrafa na boca e acompanhar o dono. Quando chega no local, ele deixa a vasilha no chão, deita do lado de fora e espera André terminar as atividades. Dócil, o labrador já é considerado da casa. “Ele fica quietinho, sem incomodar ninguém. Todo mundo que treina aqui gosta dele”, diz o proprietário da academia, Sinval Machado, 49 anos. “Fiquei assustado quando vi isso pela primeira vez. É muito legal.”





Sérgio Menezes “Mamãe” Eunice pede para Kauê pegar o “tutu”, que ele corre e traz a bolsa dela

Companheiro

Para Eunice, o cachorro é mais um companheiro que um simples animal de estimação. “Ele é como uma pessoa.” Kauê a acompanha em tudo, e por isso aprendeu a ajudar. Se ela disser, por exemplo, que precisa do “tutu” para ir ao banco, ele aparece com a sua bolsa. “Já escondi e ainda assim ele achou.” Se ela vai ao mercado, ele ajuda com as sacolas das compras. Kauê retira as sacolas do carro ou ajuda o entregador. “O funcionário só precisa chegar até o portão. Ele pega e leva tudo para dentro”, diz André.Uma das atividades preferidas de Kauê é buscar o jornal de manhã. Assim que Eunice acorda, o cão já está esperando que ela abra a porta. “Se eu demoro, ele chora”, diz ela. O labrador leva o Diário até a mesa da cozinha, onde a dona de casa já prepara o café. Quando o marido dela acorda, ele pega o jornal da mesa e leva até ele. Vaidoso, ele adora exibir os seus dotes. Não se intimida com a reportagem e nem se assusta com as fotos. “Sempre que chega uma visita, ele faz questão de buscar alguma coisa para buscar que sabe. Gosta de ajudar e de aparecer”, diz Eunice.

Sérgio Menezes Kauê faz questão de levar a garrafa térmica de nove quilos para o dono, André

Cão tem sintonia com dono

As habilidades desenvolvidas pelo labrador Kauê resultam da sintonia do cachorro com seus donos, de acordo com o adestrador João Pereira, dono da escola de adestramento Siborg, de Tanabi e adestrador há 35 anos. “Nenhum cão aprende sozinho. Existe um condicionamento para o comportamento dele, que é reforçado casualmente.” Pereira afirma que tudo o que o animal faz tem como objetivo conseguir a atenção do dono. “Ele interage em determinada situação e recebe uma resposta. A consequência da ação, se positiva, faz com que o cão interaja novamente”, diz. “É necessário uma sintonia entre os dois.”Essa sintonia deve estar ligada à rotina do proprietário. “A rotina do cão é a do seu dono.” Dessa forma, o animal percebe detalhadamente as ações e desejos das pessoas com quem convivem proximamente. “Eles aprendem coisas todo o dia, como onde podem entrar e sair ou latir”, diz. Cachorros da raça pinscher ou chihuahua sabem que seus donos vão sair cerca de uma hora antes de eles deixarem a casa. Por isso já começam a chorar.”O comportamento do animal também pode se condicionar de forma negativa. “O animal pode desenvolver coisas boas, como no caso desse labrador que faz atividades em casa, como também ruins. Tudo é condicionado pelo comportamento e o vínculo que ele tem com o dono.” AdestramentoSegundo Pereira, que trabalha com curso de formação comportamental e psicologia canina, o adestramento profissional é indicado em qualquer situação a todas as raças. “Um cachorro só se sente feliz quando está entrosado com o seu dono”, diz. Geralmente, o adestramento leva cerca de 40 dias quando realizado com ajuda profissional. O condicionamento casual, como o caso de Kauê, pode demorar até um ano e tem mais chances de acontecer quando já está com a família desde filhote.

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