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Diário da Região

13/12/2017 - 11h43min

SAÚDE

Justiça suspende greve dos médicos de Rio Preto

SAÚDE

Johnny Torres Pacientes dispensados durante greve realizada em julho (Foto: Johnny Torres)
Pacientes dispensados durante greve realizada em julho (Foto: Johnny Torres)

Atualizada às 23h42

 

Depois de um dia de caos em Unidades Básicas de Saúde e no Ambulatório de Especialidades (ARE) em função da greve dos médicos da rede municipal em Rio Preto, no final da tarde desta segunda-feira, 13, a Justiça determinou que os profissionais retornem nesta terça-feira, 14, ao trabalho. A decisão do Tribunal de Justiça acata, em parte, ação civil pública da Prefeitura de Rio Preto. Em caso de descumprimento, o Sindicato dos Médicos terá de pagar multa diária de R$ 10 mil. Ainda conforme o TJ, sindicato e Prefeitura devem se reunir na sexta-feira em audiência de conciliação. A decisão é do vice-presidente do Tribunal, Eros Piceli.

Sem saber que os médicos estavam parados, pacientes chegavam em UBSs e tinham as consultas remarcadas. Mas o pior quadro era no ARE. Indignação e preocupação é o que se via nos rostos das pessoas que aguardavam há meses por atendimento e foram remarcadas para dentro de aproximadamente um mês. Segundo o Sindicato dos Médicos, a adesão à greve foi de 90%. A Prefeitura disse que não chegou a 50%. "O dado do sindicato não é real. Só as UBSs do Gabriela e do Residencial Rio Preto 1 estão sem médicos", informou a secretária de Saúde, Teresinha Pachá, na manhã de hoje.

 

medicos_reuniao greve Médicos reunidos na sede do sindicato da categoria

Contudo, o Diário esteve em seis unidades, e em quatro não havia nenhum médico para atender a população, como o caso da Central. Questionada sobre as UBSs visitadas pela reportagem e que não tinham médicos, a secretária afirmou que teriam a partir das 11h, quando um novo turno seria iniciado. Até o final da tarde, a falta de médicos continuava em parte das unidades. Nem mesmo funcionários de UBSs sabiam que os médicos terão de voltar nesta terça-feira, às suas funções. Eles pediam para as pessoas ligarem para saber se as consultas seriam ou não feitas hoje.

A entrega de medicamentos, atendimento de enfermagem e agendamento de consultas foram mantidos nas UBSs. Como prometido pela Prefeitura, nenhuma unidade fechou as portas. Pacientes que foram às unidades básicas em busca desses serviços foram atendidos normalmente. Havia quem nem soubesse da greve dos médicos. Até a tarde de hoje, o Conselho Municipal de Saúde não havia recebido reclamações dos usuários.

Causas

Os médicos entraram em greve nesta segunda-feira por implantação de planos de cargos e carreiras, isonomia salarial, melhores condições de trabalho, concursos públicos e piso da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), que vai de quase R$ 11 mil a R$ 23,3 mil, conforme turno de trabalho. O salário de um médico em início de carreira, em Rio Preto, é de R$ 3,6 mil mais bonificação de R$ 1,7 mil por 20 horas semanais. No final de carreira, o profissional se aposenta com salário de R$ 11,1 mil.

O retorno do atendimento vai deixar tranquila a dona de casa Cláudia Renata Martins. A filha tem consulta marcada para esta terça-feira, com um pediatra. "Espero que tenha médico. Minha filha precisa", disse às pressas, antes de deixar o ARE. Ela foi ao ambulatório para saber se o pai, que tinha consulta marcada com um nefrologista, seria atendido. O médico também não foi hoje de manhã.

 

UBS jaguare_AdelinoMartins_papelconsulta Aposentado Adelino Martins, tinha consulta marcada com urologista no ARE

Paciente terá de esperar mais por consulta

Pessoas que aguardavam havia meses uma consulta com um especialista terão de esperar ainda mais. A greve dos médicos de Rio Preto fez pacientes voltarem para casa sem atendimento. "Meu Deus do céu". Foi a única frase dita pela aposentada Alzira Marine Malermo, 92 anos, quando soube, na recepção do Ambulatório de Especialidades (ARE), que não passaria por consulta agendada com dermatologista. Entre gemidos de dor e levada pelos braços da filha Antonia Malermo, 67, a idosa está com doença de pele que provoca coceiras no corpo todo e que chegam a sangrar.

A filha Antonia estava indignada. "Deveriam ter avisado. Ela não é uma adolescente, está com a coluna ruim, está doente. Isso é uma injustiça", falava em voz alta na recepção do ambulatório. Nova consulta foi marcada para o dia 10 de agosto com um dermatologista. Já o aposentado Clemente Ribeiro, 74, terá prioridade na remarcação de consulta no ARE. Ele fez exames e agora aguarda saber com o médico se o que tem é câncer. Ele tinha consulta agendada com um oncologista, que também não compareceu na unidade na manhã de hoje.

"Na triagem, me avisaram que, assim que o médico voltar a atender, vai ser marcada uma nova consulta", disse a mulher de Clemente, Giovana. A maioria dos pacientes, contudo, teve a consulta remarcada para dentro de aproximadamente um mês. "Eu já esperei mais de um mês para conseguir passar com um ortopedista. Agora, mandaram eu voltar só em agosto", disse o mecânico Júlio César Braga do Carmo, 51 anos, que sente dores nas articulações das mãos e diz que, por isso, não consegue mais trabalhar direito. "Sou mecânico e não aguento de dor nas mãos."

O mesmo enfrentou o aposentado Adelino Martins, 79 anos, que tinha consulta com um urologista. "Estou desde o começo de maio aguardando. Agora, só em agosto. É constrangedor", disse, segurando o fichário com a data da nova consulta. "Eu saí do Eldorado e vim até aqui de ônibus, vou ter de voltar de ônibus. Poderiam ter avisado antes." A greve dos médicos comprometeu em parte o atendimento nas UBSs de Rio Preto e no ARE. Segundo o sindicato da categoria, a adesão de manhã chegava a 92%. A Prefeitura garantiu que nem 50% dos profissionais haviam aderido. 

Segundo a secretária de Saúde, Teresinha Pachá, só as unidades do Jardim Gabriela e do Residencial Rio Preto 1, estavam sem médicos. Contudo, o Diário esteve na UBS Central, Solo Sagrado, Santo Antônio e Jaguaré e nelas também nada de médicos no início da manhã. Segundo apurado, as do Parque Industrial e do Vetorazzo também estariam sem médicos. O Diário retornou à tarde às unidades Central, Parque Industrial, Santo Antônio e Jaguaré, que continuavam sem médicos nesse período. No Solo Sagrado e Vetorazzo, o atendimento era feito por parte dos profissionais.

 

medicos_reuniao greve Médicos reunidos na sede do sindicato da categoria

Médico assina livro de ponto

Médicos que aderiram à greve se reuniram na manhã de hoje no sindicato da categoria em Rio Preto. Os grevistas assinaram uma espécie de livro de ponto como forma de tentar caracterizar que não estão "parados". Nesta terça-feira, eles pretendiam cumprir o horário na Câmara de Vereadores. À tarde, diante da decisão do Tribunal de Justiça, que determinou a suspensão da greve até a próxima sexta, quando haverá audiência de conciliação em São Paulo, a categoria decidiu que iria voltar ao trabalho.

À noite, porém,  o presidente do Sindicato dos Médicos, Hubert Eloy Richard Pontes, disse que vai continuar com a greve enquanto não for notificado da decisão judicial. "Às 8h vamos nos concentrar em frente à Câmara", disse.  Segundo a secretária Teresinha, a audiência deve servir para que as negociações avancem. "Estamos abertos a propostas, mas o que o sindicato pede é inconstitucional", diz.

As reivindicações da categoria são a implantação de planos de cargos e carreiras, isonomia salarial, melhores condições de trabalho, concursos públicos e piso da Federação Nacional dos Médicos (Fenam). A Fenam calcula que o piso desses profissionais é de R$ 10.991,19 por 20 horas semanais. Por 40 horas semanais, R$ 23.351. "Sabemos que o Orçamento deste ano não pode ser comprometido. Estamos há um ano tentando negociar com a Prefeitura e nada. O reajuste é para 2016", diz Hubert. Segundo a secretária Teresinha, para alcançar os valores pedidos, haveria reajuste de até 223%. 


Colaborou: Vinicius Marques

 

 

arte_raiox da greve médicos

 

 

 

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