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Diário da Região

13/12/2017 - 11h42min

Paulo de Faria

Homossexual é encontrado decapitado e dois suspeitos são mortos

Paulo de Faria

Reprodução Leandro Rodrigues Dorta foi encontrado com a cabeça decepada em Paulo de Faria
Leandro Rodrigues Dorta foi encontrado com a cabeça decepada em Paulo de Faria

Atualizada às 23h34
 

Policiais militares de folga mataram no domingo, 12, dois rapazes, de 19 e 21 anos, suspeitos de terem decapitado um homossexual minutos antes em Paulo de Faria. Os policiais alegam legítima defesa, já que, na versão deles, a dupla teria atacado os PMs, mas a versão foi colocada em xeque pela Ouvidoria da Polícia, que promete acompanhar as investigações do caso. O corpo do homossexual Leandro Rodrigues de Oliveira Dorta, 26 anos, foi encontrado no quarto da casa de uma amiga, que estava viajando. A mulher, que não teve o nome divulgado, disse à polícia que Leandro costumava frequentar a casa dela e que ele pode ter entrado por uma janela que foi arrombada. O corpo estava degolado.

Cerca de três horas após o crime, ocorrido por volta das 14h, enquanto peritos trabalhavam no local, a PM recebeu a informação de que dois homens, moradores de Uberlândia (MG), estavam na cidade e teriam cometido o assassinato de Dorta. O sargento Vaelinton Ferreira da Silva Junior e o cabo Denis Ribeiro Machado, que estavam de folga, entraram pelos fundos de uma casa indicada pela denúncia, enquanto dois policiais civis aguardaram do lado de fora. Segundo a PM, João Carlos Gonçalves Pereira, 19 anos, e Fagner Soares Silva, 21, resistiram e houve troca de tiros.

Na versão dos PMs, Pereira apontou um revólver calibre 22 para o policial Silva Junior, mas o tiro picotou. O policial então revidou, e os tiros atingiram o peito e a região da bacia do lado direito. Na sequência, Silva Junior teria abaixado para desarmar Pereira, momento em que Silva, com uma faca, partiu para cima dele. Antes, porém, o cabo Machado, que estava vistoriando a casa, atirou em Silva, acertando a testa na lateral direita e também a região da bacia. Os dois morreram no local.

Precipitação

"Houve precipitação dos policiais", disse o ouvidor Júlio César Fernandes Neves. "Se tivessem agido como consta no manual do método Giraldi (criado em 1997 e utilizado desde 2002 pela Polícia Militar paulista para formação de policiais), teriam abordado os suspeitos fora da casa e não invadido de forma bruta, correndo riscos." O delegado Wander Luciano Solgon acredita que os policiais se defenderam dos suspeitos. "Pela cena encontrada no local, entendemos que houve resistência. Mudanças no curso da investigação podem ocorrer quando os laudos técnicos forem concluídos."

O CPI-5 informou que instaurou Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar o caso. As armas dos policiais foram apreeendidas para passarem por perícia. O ouvidor deve encaminhar ofício para o Ministério Público designar um promotor para acompanhar o caso.

 

Cosme Silva “A gente tá acabado com o que aconteceu”, diz o padrasto dele, Cosme Silva

Vingança

A suspeita da polícia é de que Dorta tenha sido morto por vingança. "Ele teria mexido com um dos rapazes e eles não gostaram. No local do crime encontramos vestígios de material que aparenta ser cocaína. O uso de entorpecente também pode ter contribuído", disse o delegado. O padrasto de Dorta, Cosme Osmar Menezes Silva, 52 anos, disse que desconhece que ele fosse usuário de drogas. "Ele trabalhava em Rio Preto como garçom, mas esse fim de semana ele não foi. A gente está acabado com o que aconteceu, ele era um rapaz tranquilo, sem briga". O corpo de Dorta foi sepultado no cemitério de Paulo de Faria, nesta segunda-feira, 13. 

Já a família de Pereira não acredita que ele tenha reagido. "Pelo que conheço dele, ele não apontaria uma arma para um policial. Sempre foi estudioso, trabalhava como servente com um outro tio. A gente não sabe se ele usava drogas, mas de uns tempos para cá mudou o comportamento dele", disse o tio dele, André Luiz Pereira, 40 anos. Os corpos de Pereira e Silva serão sepultados terça-feira, 14, em Indianópolis (MG). 


Município vive dia de terror

A pacata cidade de Paulo de Faria, com pouco mais de 8 mil habitantes, viveu um dia de terror no domingo. Os moradores da cidade, que até então tinha registrado apenas um homicídio neste ano, em abril, ficaram assustados com as três mortes em uma só tarde. "Quem não fica horrorizado com tanta morte no mesmo dia, ainda mais com a crueldatde que foi com aquele rapaz. Arrancaram a cabeça dele", disse a dona de casa Greice Kelly Bueno, 31 anos.

Não só homicídios são casos raros em Paulo de Faria. De janeiro a maio, só um caso de roubo foi registrado. "Meu Deus nos livre dos problemas de cidade grante", disse Carlos Alves, 72, aposentado. 

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