Diário da Região

05/12/2009 - 00h16min

Na UTI

Homem espera há 90 dias por novo coração

Na UTI

Thomaz Vita Neto Israel Alves Serqueira está internado na UTI do HB desde o dia 1º de setembro de 2009 à espera de um transplante de coração
Israel Alves Serqueira está internado na UTI do HB desde o dia 1º de setembro de 2009 à espera de um transplante de coração

A doença no coração obrigou Israel Alves Serqueira, 61 anos, a deixar a família, a casa, os hábitos e o convívio com os amigos. Desde o dia 1º de setembro de 2009, o aposentado está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base, em Rio Preto, e sobrevive com a ajuda de tubos, medicamentos e acompanhamento médico. Serqueira espera, sem qualquer garantia, por um transplante. Não é o único. Além dele, mais sete pessoas, todas da região, aguardam um coração novo em Rio Preto e estão na fila organizada pela Secretaria de Estado da Saúde - no Estado, são 60.


Enquanto o órgão não chega, a vida sofre drástica mudança e se resume a graves crises de falta de ar e seguidas idas e vindas ao hospital. O aposentado mora em Cedral. É casado Antônia Maria e pai de quatro mulheres e um homem. Jardineiro de formação, foi obrigado a se aposentar, há dois anos, quando a miocardiopatia dilatada apareceu.


A doença faz o coração ficar grande, inchado e enfraquecido. O órgão não consegue bombear adequadamente o sangue para o restante do corpo. O tratamento com drogas não foi suficiente para resolver o problema. A única opção é o transplante. Homem sempre ativo e de fé, Serqueira considera a doença uma provação. “É difícil ficar aqui parado.


Quero andar. Mas é preciso ter coragem e dominar a ansiedade. Há uma barreira na minha frente. Quero vencê-la. Não tem como voltar atrás. Se não der, pelo menos valeu a pena tentar”, diz. Ele fez aniversário na terça-feira passada. A data não passou em branco. Os familiares trouxeram um bolo e festejaram do jeito que foi possível. Ele sofre de falta de ar, a exemplo dos outros integrantes da fila de transplante de coração.


Rotina


Os pacientes têm uma rotina em comum. Não conseguem trabalhar, não comem direito e enfrentam dificuldade até para tomar banho. Vivem com o ouvido colado ao telefone à espera de um chamado. Na mesma UTI, há um homem, 28 anos, de Barretos. Ele foi operado há quatro dias. O mais antigo da fila é uma mulher. Há dois anos, aguarda o órgão. Só não conseguiu porque é obesa e não apareceu coração compatível. A média de espera, em Rio Preto, é de seis meses.


O relógio trabalha contra quem necessita de transplante. No Hospital de Base, a cada dez pessoas que aguardam coração, pelo menos três morrem sem conseguir o objetivo. Em média, 35% das pessoas sucumbem durante o processo. O chefe do departamento de Cardiologia e Cirurgia Cardiovascular do HB, Reinaldo Bulgarelli Bestelli, afirma que 64% dos doentes do coração estão em estado gravíssimo. “As pessoas têm esperança de que vão conseguir. Ao mesmo tempo ficam deprimidas devido à saúde debilitada. O coração delas está com capacidade mínima de funcionamento. É muito triste”.


Procedimento exige máxima agilidade


Verdadeira operação de guerra é deflagrada no Hospital de Base, em Rio Preto, quando chega a notícia de que há um coração disponível para transplante. A Secretaria de Estado da Saúde regula a fila, ordenada por data de inscrição. São analisados peso e tipo sanguíneo do receptor. Se não for compatível, o segundo da lista é acionado. E assim sucessivamente. Uma equipe é mobilizada para buscar de avião ou carro o órgão, que não pode ficar mais que duas horas fora do corpo. Se ultrapassar esse período, não servirá mais. O receptor é avisado e tem que voar para o hospital. Enquanto isso, a equipe da cirurgia é mobilizada. O transplante dura três horas.


O chefe do departamento de Cardiologia e Cirurgia Cardiovascular do HB, Reinaldo Bulgarelli Bestelli, explica que 20% dos corações doados são descartados pelo péssimo estado em que se encontram. O órgão ideal para transplante é de pessoas com menos de 35 anos. “Antes, morriam-se mais jovens em acidentes de trânsito.


Hoje, com as leis mais rigorosas, diminuiu. Estamos recebendo corações de doadores com 50 anos e que sofreram acidente vascular cerebral. São pessoas que têm outras doenças”, diz Bestelli. A rejeição ao coração atinge 20% dos transplantados. “Ninguém morre por isso, se controlar direito com medicação”. O HB realiza transplantes de coração desde 2000. No total, 72 transplantes foram realizados, média de oito por ano. Metade dos transplantados ganha até três salários mínimos por mês.

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