Diário da Região

17/11/2012 - 02h00min

Diocese de Rio Preto

Dom Tomé: um bispo firme e flexível

Diocese de Rio Preto

Hamilton Pavam Dom Tomé na entrevista coletiva de ontem, na mesma sala onde se sentaram dom Lafayette, dom José, dom Orani e dom Paulo
Dom Tomé na entrevista coletiva de ontem, na mesma sala onde se sentaram dom Lafayette, dom José, dom Orani e dom Paulo

Quinto bispo da história da Diocese de Rio Preto, dom Tomé Ferreira da Silva, 51 anos, assumiu ontem com discurso flexível e deu um recado sobre um tema recorrente na Igreja Católica durante as últimas eleições municipais: a participação de padres na política, desaconselhada pela administração interina, mas não obedecida na totalidade pelos sacerdotes.


Dom Tomé lembrou que há uma “orientação geral da Igreja”, reafirmada pela CNBB, para o padre não se envolver em política partidária. Mas pode acontecer em casos que ele chanou de específicos: “não seria compreensível? Em caráter de exceção, pode ser sim, desde que não nos deixem envergonhados”, afirmou.


A posição faz sentido a outra afirmação de dom Tomé, que se define como adepto da flexibilidade, de acordo com a exigência de cada circunstância: “Pode ter certeza que vou ser conservador, moderado e às vezes muito atirado”, disse.


Eram 9h30 da manhã de ontem, quando ele desceu do avião, em companhia do cardeal-arcebispo de São Paulo dom Odilo Scherer, a maior autoridade eclesial do Estado e uma das mais influentes do País. A esperar por eles estava o vigário-geral, padre Jarbas Brandini Dutra, que ficou como administrador diocesano por sete meses e 10 dias.


O aeroporto de Rio Preto teve tráfego intenso de autoridades da Igreja para assistir à missa de posse: quatro arcebispos e mais de 10 bispos. Às 15 horas, dom Tomé recebeu a imprensa na Cúria, que é a desde ontem sua nova casa. Risonho (mas firme), dono de um discurso fluente e prático, elegantemente trajado de terno xadrezinho cinza, com uma Bíblia e um terço à sua frente, ele atendeu a imprensa pacientemente.


Ao Diário, ele revelou algumas preferências: gosta de comida síria, torce para um time da favela Heliópolis (o Ratatá) com a evidente finalidade de não contrariar nenhum torcedor, tem devoção especial por São Bento, São José (“ele se faz o último na Sagrada Família”), São João da Cruz e Santa Tereza de Ávila e é um homem que reza muito. “O primeiro serviço de um bispo é rezar. Ele não tem outra prioridade antes da vida de oração, no mínimo duas horas diárias. O povo quer que o bispo seja um homem de Deus,” disse.


Seria pleonástico afirmar que ele prega a paz, mas ele reforça: “Não dá para ser amigo de Jesus Cristo se não formos promotores da paz.” Aos olhos do seu superior, dom Scherer, as qualidades vão além. “Rio Preto vai ser muito feliz com Dom Tomé. É um bispo preparado, trabalhador, afável, amigo, tenho certeza de que ele vai fazer um grande trabalho aqui.”


Pergunta - Qual a sua expectativa quanto à nova diocese?Dom Tomé - A melhor possível. É uma alegria, uma satisfação, poder viver a fé com vocês, nesta bela cidade e região.


Pergunta - Preparado para ser arcebispo?Dom Tomé - Isso depende da nunciatura. Primeiro, vamos ao pedido da Diocese de Votuporanga; sei que está protocolado na Nunciatura, dirigido à Santa Sé, que pediu dados complementares. Seria precipitado de nossa parte dizer alguma coisa sobre isso, mas se está iniciado, vamos continuar. Só não dá para dá para dizer o tempo. Se a Igreja é eterna, é porque ela não tem pressa.


Pergunta - Temos vivido uma rotatividade de bispos (Dom Orani ficou sete anos, Dom Paulo, seis). Como o senhor vê isso? Dom Tomé - A saída e a chegada de um bispo não interrompe a vida pastoral de uma diocese. Há organismos que possibilitam a continuação da vida da Igreia. A sede não fica totalmente vacante. Não vejo rupturas de imediato, vejo continuidade de projetos já iniciados.


Pergunta - São normais estas mudanças?Dom Tomé - Não. Teologicamente, o bispo eleito deveria ficar até morrer naquela diocese, ou se tornar emérito. Mas às vezes a Igreja vê que determinados bispos têm aptidão para aquela diocese vacante, então por necessidade, se faz a transferência.


Pergunta - O senhor vai dar continuidade ao remanejamento de padres?Dom Tomé - Se alguém é nomeado pároco, em tese, ele deveria permanecer ali. Mas temos uma série de ambientes que necessitam de trabalho específico de um padre. Para mim, padre não significa estar necessariamente vinculado a uma paróquia. A CNBB aconselha que ele fique seis anos em cada paróquia. Acho seis, nove anos, um período excelente para fazer um bom trabalho.


Pergunta - Quais as suas prioridades?Dom Tomé - Conhecer as pessoas e dar oportunidade para que me conheçam. De imediato passar pelas 97 paróquias, organismos e instituições paroquiais, a sociedade civil, quero ver as pessoas, senti-las, abraçá-las. E estar mais próximo dos padres, diáconos, religiosos, leigos.


Pergunta - E no sentido pastoral?Dom Tomé - Pastoralmente temos duas realidades: 1) o Ano da Fé, iniciado em outubro (transmitir a fé às novas gerações; 2) é a Jornada Mundial da Juventude, em 2013, no Rio. Virão milhões de jovens. Temos que ir ao encontro dos jovens e dar-lhes a atenção que merecem.


Pergunta - O senhor é contra ou a favor depadres na política?Dom Tomé - Há uma orientação geral da Igreja que padre não deve se envolver em política partidária. É reafirmada pela CNBB. Mas se houver um caso específico, não seria compreensível? Em caráter de exceção, pode ser sim, desde que não nos deixem envergonhados.


Pergunta - Como o senhor se define, um bispo moderno ou conservador? Dom Tomé - Há situações na Igreja em que você precisa ser conservador, outras moderado, outras atirado. Pode ter certeza que vou ser assim, conservador, moderado e às vezes muito atirado.

Edvaldo Santos O novo bispo na procissão de entrada da missa solene na Catedral, igreja-mãe da Diocese, lotada de padres, seminaristas e fiéis

Catedral recebe duas mil pessoas

Pelo menos duas mil pessoas lotaram ontem a Sé Catedral São José para assistir à missa solene de posse de Dom Tomé. No altar, acompanharam a cerimônia 18 sacerdotes do mais alto clero brasileiro, entre arcebispos e bispos. Delegações de quase todas as cidades da Diocese se fizeram presentes. As casas religiosas consagradas de Rio Preto e região estavam em peso. Só de Jaci, da Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus, eram mais de 60 religiosos entre homens e mulheres.O prefeito Valdomiro Lopes foi representado pela secretário do Meio Ambiente, Lima Bueno. Também compareceram os vereadores Marco Rillo e Pedro Roberto Gomes, o prefeito de Uchoa, Claudio Martins, o diretor do CDP Ademir Panciera, o deputado estadual João Paulo Rillo e o fundador da Rede Vida de Televisão, João Monteiro Filho.Faixas de cidades da região e de pastorais saudavam o novo bispo. A exemplo do papa Bento 16 (que anuncia na Basílica de São Pedro as delegações de peregrinos de todo o mundo para ser aplaudidas), dom Tomé enumerou uma a uma as cidades que compõem a sua diocese. Estava visivelmente emocionado ao proferir a homilia.Hoje, ele visita Votuporanga para conhecer a realidade da cidade e região e dar andamento no processo de criação da Diocese. Dom Tomé vem de uma família rural, numerosa: oito homens e três mulheres. Uma de suas irmãs é missionária no Pará e passa meses na floresta, evangelizando. Ele entrou no Seminário com 14 anos. “As coisas sempre aconteceram muito cedo na minha vida,” diz. Às 21h15, dom Tomé já tinha colocado sua homilia da noite no Facebook. Quer ler o jornal na íntegra? >> Acesse aqui o Diário da Região Digital

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