Diário da Região

13/04/2009 - 11h13min

Som pesado

?Doença do iPod? é nova ameaça à saúde

Som pesado

Thomaz Vita Neto Estudante Taison Luís da Costa Borges: sem música só no banho ou dormindo
Estudante Taison Luís da Costa Borges: sem música só no banho ou dormindo
O estudante Taison Luís da Costa Borges, 17 anos, só deixa de ouvir músicas em seu aparelho MP4 quando está no banho ou dormindo. Na escola, ele aproveita o intervalo entre as aulas e o recreio para curtir as músicas eletrônicas que gravou no aparelho. ?Só ouço no volume máximo. Quando a bateria acaba, recarrego logo para não ficar sem. Às vezes, nem ouço as pessoas ao meu redor de tão alto que está?, relata. Taison faz parte de uma geração que pode perder parte da audição em decorrência do uso constante dos aparelhos. O problema já está sendo chamado de ?doença do iPod?, em refência a uma marca de tocadores digitais. ?Estamos formando uma geração de surdos. Pessoas que vão sofrer com perdas auditivas irreversíveis no futuro?, afirma o otorrinolaringologista André Luiz Del?Arco. ?Os jovens estão fazendo os ouvidos sofrer e não se preocupam com isso. É preciso se cuidar agora para evitar grande problemas futuros.? Taison sabe que o uso excessivo do aparelho pode trazer problemas a audição, mas admite que não consegue deixar o equipamento de lado. ?Minha mãe já cansou de falar para eu parar de ouvir música tão alto, mas não consigo. Já se tornou um vício. Quando não estou com o MP4, ligo o som de casa bem alto?.

De acordo com o otorrinolaringologista, o ouvido humano suporta confortavelmente até 85 decibéis. Apesar disso, a maior parte dos tocadores disponíveis no mercado tem mais de 90 decibéis de intensidade. Para se ter uma ideia, um show de rock tem entre 105 e 120 decibéis. ?A maior parte dos jovens ouve músicas quase no volume máximo do aparelho. Você passa perto e ouve a música, mesmo sem estar com os fones no ouvido. Essa é a maneira mais fácil de constatar que a intensidade está acima da tolerada pelo ouvido humano?, alerta o médico. O especialista recomenda usar o aparelho em ambientes mais silenciosos e evitar ultrapassar a metade da capacidade do equipamento. Além disso, para cada uma hora de música, o ideal é dar 10 minutos de descanso aos ouvidos.

Um pouco mais consciente que Taison sobre os perigos que o equipamento oferece, o estudante Paulo Eduardo Ramilo, 16 anos, garante que não ultrapassa o volume oito do aparelho, que chega até o 25. ?Procuro não ouvir música por muito tempo seguido. No máximo, uso por duas horas. Sinto que o fone começa a incomodar a orelha, por isso desligo?. O médico explica que um dos sintomas mais imediatos dos danos causados pela música alta e constante ao sistema auditivo é o surgimento do zumbido, som que não é gerado pelo meio ambiente, mas ouvido pela pessoa. ?O zumbido é a indicação de que algo está errado, que o ouvido está sendo lesado. Ao perceber esse barulho, a pessoa deve procurar logo um médico. Outra indicação de que existem problemas é quando a pessoa tira o fone e tem a sensação que o ouvido está entupido?, diz Del?Arco. Taison conta que sempre que desliga o aparelho, ouve os sons como se as pessoas estivessem falando com ele a uma grande distância. ?Por mais perto que a pessoa ou a televisão esteja, ouço como se estivessem bem longe de mim. Isso sempre acontece e demora um pouco para voltar tudo ao normal?.

Campanha

Para chamar a atenção sobre o problema, a Sociedade Brasileira de Otologia lançou em novembro do ano passado a campanha ?Abaixe o volume ou diminua para sempre sua audição?, para conscientizar os jovens, principais consumidores dos equipamentos. O volume dos tocadores é inclusive discutido na Câmara dos Deputados. Um projeto de lei prevê a proibição da venda de equipamentos cujo volume máximo ultrapasse os 90 decibéis. O projeto ainda está em discussão.

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