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Diário da Região

13/12/2017 - 17h24min

ELAS DIZEM BASTA

Disparam denúncias de violência contra mulheres

ELAS DIZEM BASTA

Hamilton Pavam 1/4/2015 E.R.G. buscou informações no Centro de Referência e Atendimento à Mulher, que oferece apoio psicológico, social e jurídico
E.R.G. buscou informações no Centro de Referência e Atendimento à Mulher, que oferece apoio psicológico, social e jurídico

O número de mulheres vítimas de violência que decidem romper o ciclo de agressões e buscam apoio psicológico, social e jurídico foi recorde no ano passado, frente aos últimos nove anos. No total, 422 buscaram atendimento na esperança de reconquistar a dignidade e autoestima - média de pelo menos um caso por dia.
A procura é 9,3% superior ao total de 2013, quando houve 386 atendimentos no Centro de Referência e Atendimento à Mulher (CRAM). A escalada não demonstra que os casos devam diminuir já que só neste ano, de janeiro a março, foram 186 registros - média de dois casos por dia.
A vigilante E.R.G., de 41 anos, suportou a violência do marido por 12 anos. Além das agressões físicas, ela conviveu com a violência psicológica. Chegou a ter um revólver apontado na boca várias vezes - diz que até perdeu a conta.
O marido alcoólatra batia nela por qualquer motivo e sem ter motivo. Era também ameaçada de ter o filho tirado de sua companhia. Ameaça cumprida depois que resolveu enfrentar o agressor e decidiu se separar. Hoje, ela tenta reconstruir a vida, luta para ser presente na vida do filho.
“Eu era um fantoche nas mãos dele. Só podia conversar com quem ele queria, só olhava para quem ele queria. Comia e bebia aquilo que ele permitia”, afirmou a mulher, que era agredida com chutes, socos e tapas. A primeira agressão, ela lembra que ocorreu logo após de casada, três meses após conviver com o homem sob o mesmo teto. A família desencorajo-a a denunciar. “Eu só queria voltar para a casa da minha mãe, mas ela disse que casamento era mesmo assim. Ela também sofreu com meu pai”, contou E.R.G.
Ela decidiu se separar, começou a trabalhar em dois serviços, como faxineira e entregadora. Alugou “uma kitinete”, mas o ex-marido ainda assim a perseguia. A última briga ocorreu em outubro do ano passado. Há um mês tem sido atendida do CRAM. Agora fortalecida, a mulher busca se reaproximar do filho e assumiu sua opção sexual. 
“Resolvi me aceitar como sou. Eu sempre deixei claro para ele que tinha atração por mulheres, mas nunca havia saído com nenhuma. Ele quis casar, mas não aceitava que eu tinha sido sincera. Bebia, me batia, foram anos de violência. Estou aprendendo a cada dia a superar tudo o que sofri.

A reação da vítima do lutador de jiu-jitsu

A vendedora Natalie Rodrigues da Costa, 27 anos, demorou para reagir às agressões do ex-marido, o segurança e lutador de jiu-jitsu Leonardo de Oliveira Gonçalves, 21 anos. Ela nunca havia tido coragem de denunciá-lo. Depois de decidir por fim no casamento, foi agredida pelo ex-marido, que também agrediu um amigo dela, o empresário Daniel Lincoln Baptistella, 33 anos.
Desta vez, a agressão não passou em branco e o caso chegou à polícia. O episódio, ocorrido no dia 20 de fevereiro, foi filmado pelo circuito de segurança da loja de Baptistella e as cenas são chocantes. Pouco mais de um mês de posse da medida protetiva, que, pela Lei Maria da Penha, estabelece que o agressor não pode se aproximar dela a menos de 100 metros, Natalie conta que a rotina ainda não voltou ao normal.
“Agora estou mais tranquila, mas não saio a noite porque ainda tenho medo”, conta a vendedora, que acredita que a medida protetiva foi o que fez com que Gonçalves deixasse de procurá-la. “Se eu soubesse que ele realmente não chegaria mais perto de mim, teria denunciado antes. Não fiz porque algumas pessoas diziam para que eu não denunciasse.” 

Centro especializado encoraja denúncias

A coordenadora do Centro de Referência e Atendimento à Mulher (CRAM), Clea da Cruz Lima, afirma à medida em que a mulher busca apoio, passa a se sentir mais fortalecida. “Quando essa mulher, vítima de violência, chega ela está sem autoestima, frágil. No decorrer do atendimento, ela vai descobrindo que pode romper o ciclo da violência. É uma desconstrução daquilo que ela viveu e passa a acreditar que ela pode ter uma vida saudável.”
Para a psicóloga Luciana Ferreira, a tolerância às agressões acontece enquanto a mulher tem a esperança de que o companheiro vai mudar o comportamento somada à falta de apoio da família. “Ela acredita que aquela foi a última vez que apanhou. Ele, na maioria das vezes, faz promessas ou é tão violento que não há mais o diálogo. Se não há o apoio de familiares, a mulher se sente ainda mais fragilizada.”
“Por anos a violência doméstica foi silenciosa, um verdadeiro mito, mas as campanhas tanto do município como as nacional têm mostrado para a mulher onde ela pode buscar ajuda. Ela ganhou voz”, afirmou a secretária da Mulher, Eni Fernandes. 

Casa Abrigo oferece teto provisório

Mulheres que correm o risco de serem assassinadas pelos maridos ou ex-companheiros são obrigadas a morar provisoriamente em abrigos públicos, até terem condições psicológicas e financeiras para reconstruir a vida longe dos agressores. Atualmente, três mulheres e seis crianças vivem na “Casa Abrigo”, mantida pela Prefeitura de Rio Preto.
As vítimas têm à disposição atendimento com psicólogos, assistentes sociais e participam de oficinas de trabalho manual e cozinha, além de cursos de capacitação. Desde a fundação, em maio de 2011 até agora, o abrigo acolheu 180 mulheres. O local atende 120 cidades da região, e tem capacidade para cinco famílias.
O tempo de permanência do local é de até seis meses. “Em alguns casos, a estadia pode ser estendida porque as vítimas só deixam o local quando estão de fato seguras. Todo o suporte é oferecido àquelas que saem do abrigo: ela começa a trabalhar, uma casa é alugada, mobiliada, os filhos matriculados na escola”, afirmou Sandra Regina Vieira Desidério, coordenadora da Cáritas Diocesana, responsável pela “Casa Abrigo”.

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