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Diário da Região

13/12/2017 - 10h33min

Não para de aumentar

Dispara número de pessoas que vivem na rua em Rio Preto

Não para de aumentar

Johnny Torres Morador de rua na praça Rui Barbosa
Morador de rua na praça Rui Barbosa

Todos os dias, o rio-pretense se esbarra com quase mil moradores de rua pedindo esmola nos semáforos, praças e nas portas de lojas e restaurantes. Sem políticas eficazes, a Prefeitura de Rio Preto vê o número de pedintes disparar, principalmente nos últimos dois anos. Eram 136 em 2013 e hoje o número já chega a 813 moradores de rua.

Apesar de fazer o levantamento periódico da população de rua, a Secretaria de Assistência Social só divulgou os números depois que o Diário fez uma solicitação por meio da Lei de Acesso à Informação. A quantidade atualizada é referente ao número de atendimentos prestados em agosto.

Quem precisa passar todos os dias por regiões com aglomerados de moradores de rua se diz refém da situação. "As autoridades pedem para não dar esmola, mas se não dou eles riscam o carro, murcham o pneu e até ameaçam. Passei por essa situação semana passada ao parar o carro para ir em um supermercado. Ele me pediu uma grana para vigiar o carro, mas não paguei. Disse que iria rapidinho ao supermercado. Quando voltei, o pneu estava murcho", conta o eletricista Juliano de Paula.

Quem também passou por situação constrangedora foi o estudante universitário Hugo Souza Lopes.

"Estava em um restaurante e minha mesa estava perto da calçada. Um pedinte se aproximou, disse que estava com fomel e me pediu dinheiro. Não dei o dinheiro, mas dei uma porção de batata frita que havia acabado de chegar. Ele pegou a batata, jogou fora e saiu resmungando. Sei que isso é um problema de todos nós, mas é principalmente das autoridades que recebem impostos e contam com programas criados justamente para conter esse avanço. Estamos reféns. Se damos esmola, alimentamos essa situação. Se não damos, corremos risco."

Além das zonas de comércio e restaurantes, os pedintes costumam se aglomerar também nas imediações de igrejas. Na Catedral, que fica entre as praças Rui Barbosa e Dom José Marcondes, a abordagem aos fiéis é quase que certa. “Eles afugentam os clientes. Quando estão por perto ninguém vem por temer ser abordado ou algo do gênero. Nunca vi nenhum deles assaltando, mas vivem consumindo drogas”, afirmou o taxista Carlos Manoel, 46 anos, que trabalha em frente à Catedral.

 

moradores de rua_praca rui barbosa e Cruzeiro Moradores de rua na praça Rui Barbosa e na praça do Cruzeiro, na Vila Anchieta (foto com uma cruz)

Fora do Centro

A medida que o número de moradores de rua cresce, eles vão buscando lugares fora do Centro. Hoje em dia há grupos vivendo, por exemplo, em praças da Vila Ideal, sob a marquise de lojas na avenida Domingos Falavina, zona norte, na avenida Potirendaba, na zona sul, nas imediações da Represa, entre outros. A praça do Cruzeiro, na Vila Anchieta, por exemplo, virou moradia de três homens. Um deles é Heitor Lopes de Oliveira, 50 anos, 18 deles vividos na rua. Oliveira afirma que morava no bairro Eldorado com os pais e um irmão. Os pais morreram e o irmão vendeu a casa, o deixando sem nada. Como não tem outros parentes no município, encontrou no bairro a chance de sobreviver. Ganhou cobertores para dormir e todos os dias recebe marmita de um restaurante. O dinheiro que ganha vendendo latas vazias utiliza para comprar roupa, cachaça e fumo. “Meu irmão me enganou e sumiu. Estudei um pouco na Apae e parei. Agora só tenho a rua como companheira”, disse.

‘O município não está fazendo a parte dele’

Em fevereiro deste ano, o Ministério Público, por iniciativa do promotor José Heitor dos Santos, começou uma força-tarefa com o propósito de deixar o Centro mais seguro, reduzindo o número de crimes e criando métodos para reduzir a população de pessoas em situação de rua.

A ação contou com apoio da Polícia Militar, Guarda Municipal, entre outros órgãos de iniciativa privada, entidades sem fins lucrativos e comunidade em geral. Foram levantadas 18 ações para chegar ao objetivo. Cada entidade envolvida tinha sua tarefa. Segundo o MP, a força-tarefa conseguiu reduzir o índice de criminalidade e tráfico no Centro. No entanto, as ações de responsabilidade da Secretaria de Assistência Social, focadas nos moradores de rua, não avançaram. As tarefas consistiam em montar programas para retirar os moradores de rua. “Nunca se teve tanta disponibilidade de promotor, guarda, polícia. Todos se colocando à disposição para trabalhar juntos. Melhorou a questão do tráfico na estação rodoviária e Centro. Porém, o município não está fazendo a parte dele. A Prefeitura alegou falta de verba, mas não pedimos dinheiro. O que queremos é organização para que possam ser feitas parcerias com entidades”, afirmou o promotor José Heitor dos Santos.

 

MORADORARTE Clique na imagem para ampliar

O promotor afirma que é preciso disponibilizar locais para atender essa população não só com objetivo de oferecer alimentação e banhos, mas que tenha programa para fazer com que sejam reinseridos na sociedade e, desta maneira, deixem às ruas. “Tendo esses locais, a população tem de ser conscientizada a não dar esmola e nem alimentos, fazendo com que eles procurem esses espaços”, disse.

Desde quarta-feira passada, a reportagem solicita entrevista com a secretária de Assistência Social de Rio Preto, Helena Marangoni. Os pedidos não foram atendidos e ontem sua assessoria disse que a secretária só teria disponibilidade para atender amanhã. 

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