Diário da Região

05/05/2002 - 00h05min

Coração

Demora compromete vida de infartado

Coração

Primeiro a dor no peito. É como se uma prensa esmagasse o tórax. E dali ela segue para o braço, subindo ao queixo, alcançando a nuca. O coração ameaça parar. O desconforto não. Enjôo, falta de ar, tontura, suor. Não há como negar, é o prenúncio de infarto do miocárdio, doença que atinge 300 mil brasileiros a cada ano e com um dado assustador: mata na primeira hora 50% de suas vítimas, segundo o cardiologista da Unidade Coronariana da Unifesp (Universdiade Federal do Estado de São Paulo), Nilo César Braga Santiago de Lima. Perder tempo na busca por socorro é fatal. “O mais importante é saber reconhecer os sintomas e pedir ajuda. Tratado na primeira hora, as chances de fatalidade do infarto se reduzem a 2%. Nas primeiras seis horas, de 7 a 9%, e essa relação cresce gradativa à mesma medida que as horas passam”, alerta Lima.

“Da porta do hospital ao primeiro exame de eletrocardiograma, que vai detectar se os sintomas tratam mesmo de infarto, o tempo não pode ultrapassar os 10 minutos. É por isso que em centros dos Estados Unidos e Europa existe um setor de emergência específico para quem chega com dor no peito. No Brasil, são poucos os hospitais que adotam esse procedimento”, comenta o chefe do departamento de Coronária do Instituto de Moléstias Cardiovasculares (IMC) de Rio Preto, Gilmar Greque. A pressa no atendimento tem fundamento. O infarto de miocárdio nada mais é do que a obstrução - devido a coágulos que se instalam nas placas das artérias - de um desses canais sangüíneos que irrigam de sangue o coração. Como esse sangue deixa de circular naquela região, o coração não consegue manter a pressão, as células musculares começam a morrer e daí o corpo todo. “Costumamos dizer que tempo é músculo.

Quanto mais rápido se desobstrui a artéria mais vida será garantida aos músculos”, destaca Greque. “Além disso, a maioria das mortes súbitas após os sintomas de infarto é decorrente de arritmias cardíacas”, atesta o cardiologista Carlos Lesse, do Incor de Rio Preto. A arritmia, que nada mais é do que um desvio do ritmo das contrações cardíacas, mas que se constitui numa das armas mais letais agregadas ao infarto, podem alcançar o paciente nas primeiras 24 horas após os sintomas. Os fatores de risco do infarto do miocárdio estão mais associados a colesterol e pressão altos, tabagismo, diabetes ou em pessoas que já tenham histórico de infarto. Pacientes enquadrados em algum desses itens merecem atenção redobrada. O cardiologista frisa ainda que, muitas vezes, o infarto aparece sem despertar a tal dor no peito. É onde mora o perigo.

“A dor no peito é o sintoma com o qual as pessoas mais associam o infarto. Mas a doença pode se manifestar por uma dor no estômago ou por uma simples dormência nos braços. A orientação, principalmente para os pacientes com fatores de risco, é que procurem a emergência a qualquer sintoma que vá do umbigo ao peito”, explica Greque. A ausência de dores no peito também pode enganar, em alguns casos, os diabéticos, segundo o cardiologista da Unifesp. “A pessoa diabética pode apresentar o que se define como neuropatia, que é a diminuição da sensibilidade dos nervos cardíacos”, diz. O infarto atinge preferencialmente homens acima dos 45 e mulheres acima dos 55 anos. “Porém, com a inclusão da mulher no mercado de trabalho de modo mais decisivo e a conseqüente sobrecarga, tem aumentado a porcentagem de mulheres com infarto cada vez mais cedo”, alerta o cardiologista do Instituto do Coração (Incor) de Rio Preto, Luís Alcides Fusco Marques.

Tratamentos
Uma simples aspirina, por incrível que pareça, pode salvar a vida do infartado de miocárdio. “A aspirina, desde que não haja contra-indicação, reduz a mortalidade em 23%”, revela o cardiologista Nilo Lima. É que segundo ele, as aspirinas, como o AAS, inibem a ação das plaquetas, elemento do sangue responsável pela formação dos coágulos. “Com isso, aumentam-se as chances de abrir o vaso obstruído”, afirma. No entanto, exi

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