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Diário da Região

13/12/2017 - 12h02min

Luta contra o mosquito

De doentes a ativistas contra a dengue

Luta contra o mosquito

Sidnei Costa Eliana dos Santos Godoy, que já teve dengue, uma vez por semana percorre a vizinhança para alertar moradores e recolher objetos que podem virar criadouros do mosquito Aedes
Eliana dos Santos Godoy, que já teve dengue, uma vez por semana percorre a vizinhança para alertar moradores e recolher objetos que podem virar criadouros do mosquito Aedes

Moradores de Rio Preto que tiveram dengue também pegaram o vírus da indignação. Depois de sentir na pele o abatimento provocado os sintomas da doença, eles resolveram arregaçar as mangas e tornar-se verdadeiros ativistas. Eles cobram os vizinhos, fazem campanhas nas redes sociais para mobilizar os amigos e até catam lixo que servem de criadouros do mosquito em terrenos baldios.

Eles têm motivos de sobra para arregaçar as mangas. Somente neste ano a doença matou quatro pessoas e contaminou 4.053 pessoas na cidade. Um das combatente da dengue é a embriologista Lígia Previato, moradora do condomínio Damha. Depois de cuidar do marido com dengue, ela resolveu mobilizar a vizinhança para acabar com o mosquito no condomínio, que por coincidência, é o mesmo onde mora o prefeito Valdomiro Lopes (PSB).

"Estamos fazemos reuniões para organizar um mutirão de limpeza. Até as crianças vão participar. Para ajudar na mobilização criamos um grupo no WhatsApp. Lá, todos compartilham ideias e fotos de locais sujos", diz Ligia. No bairro São Deocleciano, o vírus da indignação transformou a dona de casa Eliana dos Santos Godoy em uma agente extraoficial de combate a dengue. Ela, que teve a doença neste ano, pega um saco de lixo e, uma vez por semana, sai pelas ruas recolhendo recipientes como garrafas, tampinhas, copos e tudo que pode virar berçários para o mosquito.

 

Anísio Ferreira da Silva Anísio Ferreira da Silva toda semana pega um saco de lixo para recolher sujeira no bairro

"Resolvi fazer alguma coisa depois de ver também o sofrimento que passou meu marido. Tenho uma filha de 1 ano e seis meses. Não quero que ela pegue a doença", diz a moradora. O exemplo da dona de casa dá orgulho na vizinha Lucélia dos Santos, que também faz tudo para eliminar os focos em casa. "Seria bom se em todas as ruas, os moradores se juntassem para acabar de vez com o mosquito. Talvez assim não teríamos essa tremenda epidemia espalhada pela cidade", comenta Lucélia.

No Jardim João Paulo 2º, quem está empolgado para eliminar focos do mosquito é o trabalhador autônomo, Anísio Ferreira da Silva, 51 anos. Toda semana, ela pega um saco de lixo para recolher a sujeira da vizinhança. "Eu já tive dengue e meu filho também. Minha intenção é evitar que minhas netas também peguem essa doença", diz o morador.

O dono de serralheria Valmir da Silva, 54 anos, apoia Anísio e sempre que possível dá uma forcinha para ajudar na limpeza. "Não é a hora de ficar reclamando se vai passar agente da Prefeitura. Temos de dar nossos pulos, arregaçar as mangas e nos virar para não pegar a doença, que não escolhe ninguém", afirma o serralheiro.

Lição na escola

O professor de geografia Wagner Soeiro é outro que ficou doente de dengue e se transformou em um ativista. "Eu ensino como fazer repelente caseiro para usar à noite porque tem aparecido muitos mosquitos. Nos córregos aqui da região têm leitos pedregosos que formam poças de água parada e morna. Isso vira um criadouro enorme de mosquitos que ninguém fiscaliza", critica o educador.

 

Jarbas Barbosa Jarbas Barbosa, secretário do Ministério da Saúde

‘Vacina não é solução definitiva’

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, responsável por decidir a estratégia para uso das vacinas contra a dengue, diz que apesar do poder de imunização dos medicamentos, a população não pode relaxar no combate a doença.

"Mesmo com a possibilidade de contar, no futuro, com uma vacina contra a dengue, o combate ao Aedes aegypti continuará como uma prioridade. As vacinas poderão ter eficácia limitada. E há outros vírus, como o Chikungunya e o Zika, que também são transmitidos por esse mesmo mosquito", alerta Barbosa.

Há três vacinas contra a dengue que poderão ser usadas. Cada uma está em estágio um diferente de análise. A que está em processo mais avançado é a vacina criada pelo empresa francesa Sanofi Pasteur, que já fez pedido à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar a comercialização. Aplicada em três doses, ela tem eficácia de 60%. As demais vacinas são desenvolvidas no Brasil. 

Uma está sendo elaborada pelo Instituto Butantã e a outra pelo Instituto BioManguinhos. As duas ainda estão em fase de testes. "Vamos analisar todas as vacinas para estabelecer se a incorporação é vantajosa do ponto de vista da saúde pública, da segurança, da eficácia, o custo e o impacto orçamentário", disse o secretário.

Padre também entra na luta

Preocupados com número de fieis com a doença, o padre Natalício Nascimento dos Santos leva mensagens às missas para incentivar os frequentadores a fiscalizarem seus quintais e combater os focos do mosquito transmissor. "Todo dia atendo três pessoas que se queixam das dores causadas pela doença e do sofrimento que passam no atendimento público", diz o sacerdote.

O aconselhamento do religioso para combater a dengue acontece também durante os atendimentos diário aos fieis. Mas o padre tem motivação extra contra a doença. "Nossa igreja fica na avenida Alberto Oliveiri, bem próximo do Linhão, que vive sujo. E quem despeja o material são os próprios moradores. É outro pecado que não tem perdão, porque pode matar pessoas", diz o sacerdote. 

?Veja a entrevista com os ativistas:

 

 

 

 

 

 

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