Diário da Região

03/10/2010 - 00h41min

Colecionadores

De Cadillac a vinil, eles colecionam de tudo

Colecionadores

Rubens Cardia Empresário rio-pretense Milton Hage com seu mimo de 260 mil dólares, um Cadillac fabricado em 1959 adquirido por intermédio de um amigo de Curitiba
Empresário rio-pretense Milton Hage com seu mimo de 260 mil dólares, um Cadillac fabricado em 1959 adquirido por intermédio de um amigo de Curitiba

Há cinco anos, o empresário rio-pretense Milton Hage dava início a uma coleção que o fez a retornar, no mínimo, a uns 40 anos na história dos automóveis nacionais e também internacionais.


Entre os 35 itens destaca-se o glamuroso Cadillac, presente nas histórias de grandes filmes de época, eventos de luxo e até na famosa música do rei Roberto Carlos, “O Calhambeque”, da década de 60, por exemplo, é uma das preciosidades do colecionador, avaliada em 260 mil dólares, cerca de R$ 400 mil.


O mimo é vermelho com detalhes em branco, tem direção hidráulica, ar condicionado, bancos com controle elétrico, é conversível, pneus cromados. O Cadillac é do ano de 1959 e foi adquirido por meio de um amigo de Curitiba, que importou o carro dos Estados Unidos para Hage. “Os grandes colecionadores desses carros importados de época estão no Sul. A maioria veio de lá.”


A paixão pelos carros tem uma explicação: o design e a história que cada um carrega dentro do tempo. “Gosto como eles foram desenhados. Por isso, minha intenção é divulgar a história guardada e como a tecnologia já estava presente em cada um, sem perder a originalidade ao longo do tempo.”


Além do Cadillac, também integra a coleção um Mustang 1967 que, apesar das restaurações, mantém tudo original. Azul com a capota em branco, custou também a “bagatela” de 150 mil dólares, ou seja, aproximadamente R$ 240 mil. Mas, para mantê-los impecáveis, todo cuidado é pouco. “Eles não saem nem na chuva e circulam poucas vezes. O Cadillac, por exemplo, já foi solicitado para levar o Papai Noel até um shopping. Também foi pedido por um amigo para a festa de casamento dele”, diz Hage.


O colecionador explica que os pequenos passeios também incluem os eventos automobilísticos, como em Araxá, Minas Gerais, e na cidade paulista de Águas de Lindóia. As máquinas são guardadas em um salão de 500 m². O colecionador não revela, porém, quanto gasta por mês para manter todos em pleno funcionamento. “São gastos com lavagem, enceramento, troca de óleo e manutenções normais de qualquer carro”, diz.

Rubens Cardia Documentarista Fernando Marques em meio às sua relíquias, vinis que reúnem obras de jazz, rock, pop e MPB: ‘É só ter uma agulha e vitrola que o som sai igualmente’
SomPara o documentarista Fernando Marques Alves, 49 anos, o disco de vinil Help, dos Beatles, ganho aos sete anos de idade, despertou a vontade em colecionar vinis e guardar também a história das músicas presentes em cada um. A partir daí, não parou mais. Hoje são mais de quatro mil discos com diversos gêneros musicais. Clássicos, jazz, MPB, rock, pop, instrumentais nacionais, internacionais e até discos japoneses estão inclusos na coleção de Marques, todos separados de forma organizada por categoria musical.Na coleção estão também raridades, como o vinil do centenário de Santos Dumont, de 1973, lançado pelo Ministério da Aeronáutica, e a Sinfonia da Alvorada, de 1961. Ambos incluem encartes explicativos e o último possui o projeto de engenharia e arquitetura de Brasília. Os dois podem ser encontrados na internet, em fóruns de discussão, mas não saem barato. “Não saem por menos de R$ 1 mil e podem chegar a R$ 2 mil”.Outro destaque em sua sua coleção é um disco com uma entrevista com o ex-jogador Pelé, em 1969, lançado pelo Museu da Imagem e do Som. “Foram lançados apenas mil cópias, mas criou polêmica pela entrevista e não foi mais distribuído. Mas uma dessas cópias é minha”, orgulha-se o documentarista.Nem a tecnologia supera a paixão declarada aos “bolachões”. “Esses discos possuem muitos anos e ainda hoje podem ser ouvidos, é só ter uma agulha, uma vitrola que o som sai igualmente. No caso dos CDs, a vida útil deles é muito pequena e não é igual.” Mesmo assim, Marques ainda possui aproximadamente 5.500 CDs. E começou recentemente coleção de equipamentos de projeção de imagem, câmeras fotográficas antigas, rádios de época e câmeras de filmagem à corda. Super-heróisNo caso do advogado Márcio Constantino Mimessi, 28 anos, a coleção de figuras de ação ou miniestatuetas originou de uma pequena coleção de gibis de histórias de ação, como do Super-Homem, Mulher Maravilha, Homem-Aranha, entre tantos outros. “Eu gostava de ler histórias de gibis e descobri as figuras, mas que não vendem no Brasil.”O hobby surgiu há quatro anos com o intuito de relaxar da tensão dos estudos para concursos. Hoje já são 230 miniestatuetas compradas via internet em sites internacionais ou em leilões de outros admiradores. As peças medem, em sua maioria, seis polegadas, isto é, 15 centímetros. “Eu gasto pouco, no máximo R$ 50, incluindo o pagamento do frete. Cada um sai, geralmente, por cerca de R$ 25”.

Rubens Cardia Susi conta que tudo começou em 91 e que hoje acervo reúne 200 obras

Paixão pelas artes populares une casal

As artes populares brasileiras foram a inspiração de Roberto Lot Cocenza e a mulher, Susi, para dar o pontapé inicial à coleção de obras de arte. O casal conta que tudo começou em 1991 e que hoje o acervo reúne 200 obras. “Desde criança tinha gosto por coleções, como figurinhas, óculos, isqueiros, mas conforme fui amadurecendo, estudando, criei a vontade por outros tipos de coleções. Depois que fiquei um tempo no Canadá, dei início a minha coleção de obras focada na arte popular brasileira”, explica Roberto. Entre os artistas, Susi destaca Rodrigo Braga e Paulo Monteiro, mas também acrescenta outros presentes em sua coleção. “Temos também da Mariana Palma, André Feliciano, Valdirlei Dias Nunes, Carlos Barea, Eduardo Verderame, entre tantos outros.”Os colecionadores falam também que possuem, desde 2004, uma das obras mais importantes em sua coleção: a de uma pintora japonesa muito conceituada no mundo das artes - AyaTakano. Roberto diz ainda que em sua coleção é possível encontrar também diversas representações da passagem bíblica da Santa Ceia, devido à sua popularidade. “É uma passagem conhecida e, por isso, muitos artistas a reproduzem ao seu modo e de acordo com o seu perfil de produção.”Cocenza orgulha-se também ao lembrar que obras de sua coleção, do artista Karim Rashid (designer egípcio ), já estiveram expostas no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, considerado o local mais importante na América Latina e especializado em buscar novas referências no mundo artístico. “Fizemos uma exposição lá em 2008, onde há um encontro de obras de arte nacionais e internacionais focadas em novas tendências de arte.”

Rubens Cardia Professor Flávio Augusto Teixeira começou coleção há 25 anos e hoje são 545 tipos diferentes de elefantes

Professor é aficionado por elefantes

O professor Flávio Augusto Teixeira começou, há 25 anos, quase que sem querer, uma coleção de elefantes. Hoje são 545 objetos com o formato do animal. E vale tudo, desde os tradicionais, em porcelana, até simples imãs de geladeira confeccionados pelos próprios alunos. São vários bibelôs, pingentes, decorações de portas, suporte para livros e canetas, porta-balas e incenso, velas, luminárias e até um lápis com a cabeça de elefante.O primeiro veio de uma amiga como sugestão para símbolo da escola, pois também remetia a um animal com grande memória. Era um elefantinho pequeno e vermelho, com dizeres educativos. “A coisa foi crescendo e hoje eu ganho todo tipo de lembrancinha”, diverte-se Teixeira.A coleção, como o professor conta, foi conquistada em 90% de presentes de amigos, familiares e alunos, e vindos de todas as partes do mundo. Entre os objetos, estão um elefante em mármore branco, da Rússia; outro de Las Vegas, nos Estados Unidos; um da Itália em pedras semipreciosas; da Índia, em madeira marfim; do Nordeste brasileiro, em pau-brasil; garrafas de cerveja da Turquia com símbolos de elefantes; imagens trabalhadas em conchas e pedra sabão; fotos com elefantes e até uma nota de dinheiro indiano.Um dos mais belos da coleção é o que foi comprado durante viagem em um cruzeiro, em 1998. O xodó é feito de cristal italiano, mas somente foi adquirido por um golpe de sorte. “Achei a peça muito bonita, mas cara. Só comprei mesmo porque joguei algumas fichas no cassino do cruzeiro e ganhei dinheiro suficiente para comprá-la.”

Rubens Cardia Coleção de professor conta com elefantes de todas as formas

Satisfação pessoal impulsiona mania

A psicóloga cognitivo-comportamental Irene Araújo Corrêa explica que as pessoas geralmente guardam objetos como um sentimento de preservação e dedicação a uma parte da história. “Fica a sensação de que a coleção preserva uma parte da pessoa. Em geral, as pessoas colecionam por passatempo, diversão e prazer de conquistar e ver uma coleção pronta com significado especial.”As coleções podem gerar também algo para se desprender das atividades cotidianas. “É algo para manter o foco e um exercício de dispersão em relação ao resto das atividades em sua vida. Há também ganhos secundários, como a admiração que gera nas pessoas que não têm a mesma disposição.”Contudo, a especialista conta que o hobby, em alguns casos, chega a extrapolar o papel de entretenimento, desenvolvendo a capacidade de organização e disciplina. “Isso gera uma função terapêutica, pois ele cria sequência às atividades com perseverança até que cada tarefa esteja concluída.”Por outro lado também, o benéfico de quem faz coleções pode ser confundido com uma compulsão, conhecido como TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo). Isso pode levar algumas pessoas a um grau irracional, sem equilíbrio que confunde-se com o ato de colecionar. “Eles (compulsivos) vão acumulando em desordem ou em uma sequência abstrata, de domínio próprio. São déficits no processamento cognitivo, e a pessoa tem dificuldade em decidir o que deve ser jogado fora.”Quer ler o jornal na íntegra? Acesse aqui o Diário da Região Digital

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