Diário da Região

20/01/2012 - 01h48min

‘Paraguainhas’, enfim, sorriem

Crianças paraguaias reencontram familiares

‘Paraguainhas’, enfim, sorriem

Guilherme Baffi Momento do tão esperado reencontro com a bisavó, Rosália Pineda, e o tio, Walter
Momento do tão esperado reencontro com a bisavó, Rosália Pineda, e o tio, Walter

Após nove dias aos cuidados de estranhos em Rio Preto, as meninas paraguaias Antonela, um ano, e Luana, seis anos, reencontraram na tarde de ontem seus familiares. O encontro com a bisavó, um tio e uma tia, foi marcado pela emoção. O choro deles e das meninas revelava uma mistura de saudade e conforto. Aos prantos, as meninas pularam nos braços da bisavó e de um tio e não queriam mais deixá-los, com medo de uma nova separação.


“Obrigado, meu Deus. Obrigado por trazer minhas bisnetas de volta. Só o Senhor para saber o apuro que passamos em pensar em perdê-las”, dizia a aposentada Rosália Pineda, 61 anos, bisavó das meninas. As crianças estavam na casa de uma mãe social em Rio Preto desde a noite de terça-feira da semana passada quando a avó, que havia se identificado à polícia como mãe das crianças, foi presa junto com um homem no carro em que viajavam, transportando 72 quilos de maconha pela BR-153, perto da base da Polícia Rodoviária Federal.


Após uma semana do ocorrido, o juiz da Infância e Juventude de Rio Preto, Osni Assis Pereira, deu prazo de 15 dias para que o pai ou responsáveis viessem buscar as garotas. Assustados com a possibilidade de perderem a guarda das meninas, a família fez empréstimos com outros familiares para viajar de Ciudad del Este, onde moram, até Rio Preto. Eles afirmam que só não vieram antes por falta de recursos financeiros. “Fiquei louca quando soube disso e demos um jeito de vir”, diz a bisavó. As irmãs, que ficaram em um lar provisório mantido pelo Projeto Teia, corriam risco de ser colocadas para adoção, caso os parentes não fossem localizados dentro do prazo.


A família pediu emprestada uma van, mas tiveram de pagar aluguel para o dono do veículo. Fizeram um mutirão com amigos e familiares para arrecadar R$ 1,5 mil, necessário para a viagem. Porém, conseguiram ficar com apenas R$ 220 para a volta. “Vamos usar o dinheiro para abastecer. Eu não ligo de ficar sem comer, desde que as meninas estejam bem e alimentadas”, disse a bisavó. A família recebeu lanches fornecidos pelo Conselho Tutelar Norte para comerem durante a viagem de volta.


Além dos parentes, o padrasto das meninas, o pedreiro César Arnaldo Centurion Jorjas, 27 anos, veio na van. Ele está há um ano junto com Mirta Pineda, 38 anos, porém, assim como os familiares, alega não saber o motivo da viagem da mulher - que é avó das crianças, mas cuida de ambas porque a filha não assumiu a maternidade e fugiu de casa. “A Mirta não avisou ninguém (sobre a viagem durante a qual acabou presa). Saí para trabalhar e quando voltei não estava mais em casa. Estou surpreso (com a prisão dela por tráfico de droga).”

Guilherme Baffi Rosália Pineda, com as bisnetas Antonela e Luana, parte de volta para casa

Espera

Os familiares das garotas esperaram por seis horas sentados em bancos no Juizado de Infância e Juventude de Rio Preto, junto com os advogados e com a conselheira tutelar Stela Maria Atanázio. A autorização foi dada pelo Juizado por volta de 17 horas. O encontro das crianças com a família ocorreu pouco depois, na sede do Trabalho de Emancipação da Infância e Adolescência (Projeto Teia), na Boa Vista. “As crianças foram muito bem cuidadas enquanto estavam na casa da mãe social, mas estamos contentes em poder entregá-las para a bisavó”, afirmou a conselheira. Sufoco antes do encontroA família das “ paraguainhas” contaram com o apoio da Prefeitura para passarem a noite em Rio Preto, já que só tinha o dinheiro da viagem. Eles saíram de Ciudad del Este às 23h de terça-feira e, após 15h de viagem, chegaram ao município, por volta de 14h de anteontem. Sem conhecerem a cidade, rodaram outras três horas até chegarem à Delegacia da Polícia Federal. “Além da falta de dinheiro, enfrentamos um caminho desconhecido”, disse o tio, Walter Pineda, 30 anos.Como já havia passado das 17 horas, horário de expediente do Fórum, eles foram encaminhados a um albergue da cidade, onde tomaram banho e se alimentaram. Depois dormiram dentro da van, em frente a uma base da PM. A avó e o comparsa permanecem presos por tráfico.

   

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