Diário da Região

08/09/2013 - 20h01min

Transporte público

Circular em Rio Preto é mais lento que pedestre

Transporte público

Pierre Duarte O corredor Peter Jackson Miller Camargo disputou com o circular e chegou sete minutos antes do veículo ao ponto final
O corredor Peter Jackson Miller Camargo disputou com o circular e chegou sete minutos antes do veículo ao ponto final

Não é raro ouvir dos usuários de transporte público em Rio Preto que se fossem a pé chegariam mais rápido ao destino do que indo de ônibus. Pois o que parece exagero tem fundamento. Pelo menos foi o que provou o corredor Peter Jackson Miller Camargo, 30 anos. Disputando com a linha de circular mais lenta de Rio Preto, a “309 - Shopping”, chegou sete minutos antes do veículo ao ponto final.


De bicicleta, então, a diferença foi ainda maior. Enquanto o ônibus fez o percurso de 4,4 quilômetros em 21 minutos e 30 segundos, o ciclista amador Jean Paul Cunha, 40, anotou o tempo de 10 minutos e 45 segundos. A convite do Diário, tanto o ciclista quanto o corredor se juntaram a uma moto e a um carro e fizeram o mesmo percurso da linha, no mesmo horário do ônibus.


Todos chegaram com folga à frente do ônibus. Apesar da intenção da reportagem ser verificar quem chegaria primeiro ao destino, nenhum dos competidores cometeu atos de desrespeito aos outros motoristas ou infringiu leis de trânsito. O motorista do ônibus não sabia da “disputa”.


A escolha da linha “309-Shopping” se deu por ela ser a com menor velocidade média entre todas, 10,6 kmh, segundo levantamento da Prefeitura. Mas o resultado não seria muito diferente com outras linhas. O corredor desenvolveu velocidade média de 18 km/h. Com isso, foi mais rápido do que 63 linhas, das 109 existentes. No dia da disputa, o ônibus manteve velocidade média de 12,28 km/h. Insuficiente, porém, para desbancar qualquer outro participante.


A corrida


A saída foi do Terminal Rodoviário, no trecho que sai pela rua Pedro Amaral. Assim que o ônibus saiu, os outros competidores também partiram. A disputa foi feita dia 26 de agosto, uma segunda-feira, às 18h, horário de pico no trânsito rio-pretense. Os participantes seguiram até a avenida Francisco das Chagas Oliveira, ponto final do ônibus.


“Ultrapassei o ônibus no primeiro semáforo e não perdi mais a vantagem”, disse Peter, que tem experiência em competir contra os ônibus. Já havia utilizado a tática como treinamento, sempre com vitória. Mesmo com as dificuldades de ter de correr entre os carros, sem espaço isolado como em maratonas, Peter registrou larga vantagem e garante que poderia até ser maior. “O percurso foi difícil, porque até chegar na Brigadeiro é só subida. Além disso o vento estava muito forte,” disse Peter.


Durante a corrida, diz que teve apenas um problema com os carros. “Fiz 80% do percurso pela rua e fui respeitado a maior parte do tempo. Só em uma ocasião uma mulher não esperou e eu tive de parar de correr para não ser atropelado.”


Ciclista


O ciclista Jean Cunha mal viu o ônibus. Fez a ultrapassagem logo no primeiro quarteirão e disparou junto com a moto, que foi conduzida pelo repórter Bruno Ferro. “Em alguns momentos achei que chegaria à frente até da moto, mas a falta de semáforos no final do trajeto fez a diferença,” disse Jean, que é empresário e anda de bicicleta como hobby. Pratica quatro vezes por semana.


O ciclista chegou quase três minutos antes do carro. “Se tivesse liberdade, teria escolhido outro caminho e chegaria mais rápido, porque passaria por ruas menos movimentadas. Além disso, encontrei um trenzinho de criança e segui atrás dele por alguns quarteirões,” justifica o motorista do carro, Antônio Bortoli.


Ele foi ultrapassado pelo corredor próximo ao Mercadão e só voltou a alcançá-lo na altura da Rubião Júnior. Também na região do Mercadão, Bortoli passou pelo ônibus, quando o coletivo parou no ponto.


Sem sinalização para ciclistas


O trecho que vai da Rodoviária ao Riopreto Shopping não tem ciclovias, ciclofaixas e nem placas de trânsito indicando a distância mínima que os veículos precisam manter dos ciclistas. Mesmo assim, o ciclista amador Jean Cunha percorreu o trajeto em 10h45, apenas 25 segundos a mais que a moto e mais de dez minutos em relação ao ônibus.


Mais econômica e menos poluente, o uso de bicicleta tem sido incentivado nas grandes metrópoles. Cidades do mesmo porte de Rio Preto, como Sorocaba e Santos, não param de investir em ciclovias e até em estações para aluguel de bicicletas públicas. Essa realidade, no entanto, parece estar longe de Rio Preto.


Os dois pontos de ciclovia existentes atualmente na cidade não têm ligação entre si. Dessa forma, funcionam apenas como local de passeio ou para a prática de exercícios. “Só para passeio não está errado, mas não ajuda na questão do trânsito,” disse Otávio Cunha, presidente da Associação Nacional de Transportes Urbanos (NTU).


O projeto de mobilidade urbana, que deve ser implantado até 2030, prevê a criação de outros quatro pontos de ciclovias ou ciclofaixa. “Com a verba liberada pelo Governo Federal o projeto não inclui grande número de ciclovias. O que não quer dizer que não haverá investimento nessa questão”, disse o secretário de Planejamento, Milton de Assis.


A falta de ligação entre as vias para bicicletas, principal reclamação dos que utilizam o veículo, deve ser corrigida aos poucos, com ciclofaixas, segundo o secertário de Planejamento de Rio Preto. Milton Assis, no entanto, não falou em prazos. “A primeira deve ser uma ciclofaixa para ligar a avenida Philadelpho Gouvêa Neto (onde existe uma ciclovia) à área central.”


Nas ruas que não permitem ciclovias, uma boa saída, segundo o superintendente da Agência Nacional dos Transporte Público (ANTP), Luiz Carlos Nespoli, é a implantação de ciclorotas (vias sinalizadas para passagens de ciclistas).


25km/h é a velocidade considerada ideal


25 km/h. Essa é a velocidade média ideal para que o transporte público possa ser considerado vantajoso, segundo o Otávio Cunha, presidente da Associação Nacional de Transportes Urbanos (ANTU). Dessa forma, o serviço atrairia mais usuários e o número de carros nas ruas seria reduzido. Em Rio Preto, a velocidade média dos ônibus é de 18,8 km/h, mas está longe de ser satisfatória.


A média é inflada graças às linhas que passam por rodovias ou vicinais. A mais veloz, Nova Veneza via Pesqueiro do Papa, com 32,3 km/h, utiliza trecho da rodovia Washington Luís. Das 109 linhas (fora as especiais) de Rio Preto, 22 andam com velocidade abaixo dos 15 km/h.


“Não adianta ter linhas com 30 km/h, se existem outras com 10 km/h. O ideal é que a velocidade média de cada linha esteja entre 20 e 25 km/h, porque o passageiro analisa a velocidade da linha que usa, não do sistema,” disse Luiz Carlos Nespoli, engenheiro e superintendente da Agência Nacional dos Transporte Público (ANTP).


Cidades do porte de Rio Preto também estão com velocidade abaixo do ideal, mas a discrepância de velocidade entre as linhas é menor. Em Jundiaí, a mais lenta é de 15 km/h e a mais rápida de 20km/h. Em Santos, a mínima é de 20 km/h e a máxima de 25 km/h, mesma média também de Sorocaba.


De todas as linhas que circulam acima dos 25 km/h em Rio Preto, apenas uma (Região Norte – Damhas) roda todo o trajeto dentro do perímetro urbano. Como uma bola de neve, as velocidades baixas dos ônibus atravancam o trânsito. “A redução da velocidade comercial provoca a fuga de passageiros para transportes particulares, aumentando o número de veículos no trânsito,” afirma Cunha.

   

Faixas exclusivasA implantação de corredores ou faixas exclusivas para ônibus, uma das saídas para aumentar a eficiência, deve chegar ao trânsito rio-pretense em 2014. Segundo a Secretaria de Planejamento, os ganhos iniciais de velocidade devem chegar a 45% nos horários de pico para os trechos com faixas exclusivas. O ganho geral na cidade seria de 35%. A área central, que hoje recebe a grande maioria dos ônibus, deve ser aliviada com a criação dos miniterminais e o aumento do número de linhas radiais.Além disso, com o crescimento da cidade, o secretário acredita que a necessidade dos usuários de irem para o Centro deva diminuir. “Hoje, Rio Preto ainda é dependente do Centro. Na medida que vão se criando minicentros comerciais, vai sendo eliminada essa dependência e, consequentemente, o trânsito fica menos intenso.” Em comparação com 2010, antes do consórcio Riopretrans assumir, a velocidade em Rio Preto cresceu. Saiu de 16,7 km/h para 18,8 km/h. Das 52 linhas que constam nos dois anos, 26 linhas aumentaram, outras 24 diminuíram e duas mantiveram a velocidade.Faixa atrapalha conversãoPara diminuir o tempo gasto pelos usuários dentro dos ônibus, o projeto de mobilidade urbana da Prefeitura prevê a criação de 40,9 quilômetros de corredores exclusivos ou preferenciais para os ônibus. O lado destinado às circulares, entretanto, causa polêmica.Em Rio Preto, as faixas para ônibus serão à direita, que, além de acabar com estacionamentos, pode causar transtornos, já que carros e motos terão de atravessar esses corredores para fazer conversões.“À esquerda seria mais eficiente. À direita, a circulação dos ônibus tende a ser mais lenta. Mas é preciso verificar caso a caso”, afirma Luiz Carlos Nespoli, engenheiro e superintendente da Agência Nacional dos Transporte Público (ANTP).De acordo com o secretário de Planejamento, Milton de Assis, a escolha pelo lado se deu pela praticidade, já que os atuais ônibus têm as portas pelo lado direito. Caso circulassem próximo ao canteiro central, seriam necessárias portas à esquerda. “Além disso, o ônibus não anda apenas pelas grandes avenidas, por isso seria inviável a troca do lado das portas.”

   

   

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