Diário da Região

18/08/2013 - 00h43min

Recuperação pós-cirurgia

Cigarro e bisturi não combinam

Recuperação pós-cirurgia

Stock Images/Divulgação Além de causar envelhecimento e estar associado a mais de 50 doenças, o hábito de fumar dificulta a recuperação pós-cirurgia
Além de causar envelhecimento e estar associado a mais de 50 doenças, o hábito de fumar dificulta a recuperação pós-cirurgia

Todos os anos, cerca de cinco milhões de pessoas morrem no mundo por doenças decorrentes do cigarro (200 mil delas no Brasil). Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabagismo é a segunda maior causa de mortes de fumantes ativos e a terceira de fumantes passivos. As implicações negativas à saúde do ser humano são devastadoras. Há comprovação científica, segundo a OMS, de que elementos decorrentes do tabagismo que penetram no organismo, como o alcatrão e a nicotina, estão associados a mais de 50 doenças.


“Algumas dessas doenças são o câncer de bexiga, o câncer de laringe e o câncer de pulmão. De maneira isolada ou até paralelamente, podem ocorrer doenças vasculares, como a tromboangeíte obliterante - que leva a perdas dos membros - e a impotência masculina”, explica o cirurgião plástico Gerson Luiz Julio, de Campinas.Pouco se fala, no entanto, dos efeitos do tabagismo relacionados à cirurgia.


O principal problema entre o fumo e a cirurgia é que a nicotina presente no cigarro compromete bastante a circulação sanguínea, podendo causar desde dificuldades na recuperação até infecções e cicatrização mais pronunciada. “Já está provado que o fumo acelera o processo de envelhecimento. Os fumantes têm 12 vezes mais chances de apresentar complicações em procedimentos cirúrgicos do que os não fumantes.


Além de ser uma droga psicoativa, que chega ao cérebro em nove segundos, a nicotina causa dependência e aumenta a liberação de catecolaminas, causando vasoconstrição, acelerando a frequência cardíaca, causando hipertensão arterial e provocando maior 'adesividade plaquetária', responsável pela trombose”, alerta o cirurgião plástico de São Paulo Vitorio Maddarena Junior. Cuidados especiais


Os especialistas explicam que, muitas vezes, nas cirurgias realizadas em pessoas que têm o hábito de fumar é necessário adequar técnicas menos agressivas, como descolamento teciduais menores, para proteger o paciente de possíveis complicações.


“É interessante também indicar o uso de antioxidantes - sendo o mais conhecido a vitamina C -, previamente. Em altas doses, os antioxidantes podem funcionar como um cofator positivo na cicatrização, diminuindo os efeitos negativos da nicotina, já que ela é considerada um cofator negativo para a cicatrização”, diz Luiz Julio.


Cada cirurgia é um caso isolado, mas vários especialistas estão se recusando a operar pacientes fumantes. “Quando o paciente se compromete a ficar um tempo antes e depois da cirurgia sem fumar, os riscos de complicações diminuem. Porém, quando o paciente é fumante e ainda toma regularmente anticoncepcional, a probabilidade de formação de coágulos é maior. Portanto, o médico é quem deve analisar todos os riscos e decidir se é recomentado que o paciente faça a cirurgia”, esclarece o cirurgião plástico Rodrigo Antoniassi, de Rio Preto.


Data


Em 1986, o governo brasileiro aprovou a Lei Federal número 7488, que estabeleceu 29 de agosto como o Dia Nacional de Combate ao Fumo.

Ferdinando Ramos/Arquivo Kátia Graceli, fumante há 30 anos e que passou por procedimento cirúrgico recente, diz que tenta parar de fumar

Consciente dos riscos

Sempre que pensar em realizar um procedimento cirúrgico, o interessado deve consultar um especialista membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Na condição de médico, ele está apto a dar as devidas orientações. A produtora artística de Rio Preto Kátia Graceli, fumante a mais de 30 anos, passou recentemente por cirurgia e, mesmo sabendo dos riscos, não conseguiu parar de fumar. “Antes de entrar em cirurgia, fiz todos os exames com cardiologista e conversei com o meu médico e com o anestesista, que me alertaram várias vezes que eu deveria parar de fumar 30 dias antes e no mínimo 30 dias depois. O melhor mesmo seria nunca mais fumar. Porém, mesmo com medo e sabendo de todos os riscos e males que o cigarro faz à minha vida não só na cirurgia, assumo que não consegui. O anestesista pediu então que eu usasse um adesivo de nicotina e foi o que eu fiz. Confesso que me ajudou durante um tempo, mas hoje, menos de 30 dias após a cirurgia, eu voltei a fumar”, conta. Kátia diz que até hoje a enfermeira de seu médico liga para ela todos os dias pedindo para que não fume. “Estou no projeto para largar o cigarro para sempre, mas não é nada fácil. O cigarro é meu único vício, sei que é como qualquer droga veiculada à sensação de bem-estar, por isso quero parar”, diz.O ginecologista e obstetra da Clínica da Mulher em Rio Preto, Jose Bertazzo, foi quem realizou as cirurgias da produtora artística. Ele conta que ela estava ciente de todos os riscos, soube do resultados dos seus exames e sofreu pressão clínica para largar o tabaco. “Como ela voltou a fumar depois de 20 dias da cirurgia, o processo de cicatrização já tinha acontecido, os riscos já eram menores, mas fumar não faz mal apenas no ato cirúrgico, fumar faz mal para a vida toda. A minha recomendação, como médico, é que o paciente largue o vício para a vida toda e não apenas para entrar na sala de cirurgia.”O cirurgião plástico de Rio Preto Rubem Bottas dá um alerta: alguns tipos de cirurgias são contraindicados em pacientes que fumam. “É importante que o paciente informe ao médico o tempo exato e a quantidade de cigarros que fuma, pois as consequências podem ser graves complicações”, diz.

   

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