Diário da Região

28/01/2003 - 03h28min

A invasão

Caramujos invadem Rio Preto

A invasão

Sérgio Menezes Os caramujos foram econtrados em terreno no Jardim Nazareth
Os caramujos foram econtrados em terreno no Jardim Nazareth
Em terreno baldio no Jardim Nazareth, em Rio Preto, serve de abrigo para um molusco que pode se transformar em um risco à Saúde Pública: o caramujo africano. Hospedeiro intermediário do parasita Angiostrongyllus cantonenses, a espécie pode provocar um tipo de meningite, a angiostrongilíase meningoencefálica, e ainda a doença conhecida por abdômen agudo, que pode ser fatal. Há cerca de um mês, a enfermeira Edna Aparecida Jorge Coelho, 38 anos, moradora do bairro, notou a presença de um grande número de caramujos em um terreno ao lado da sua casa. “Eu enchi um vidro e encaminhei os moluscos para a Vigilância Epidemiológica, que constatou tratar-se do caramujo africano”, conta a enfermeira. Apesar da confirmação, Edna diz que o órgão da Secretaria Municipal de Saúde até agora não visitou a área infestada. “Até hoje (ontem de manhã), ninguém da Vigilância Epidemiológica esteve no terreno”, reclama.

Preocupada com o risco iminente, a enfermeira é quem vem alertando os vizinhos sobre os cuidados que devem ser tomados para evitar o contágio de doenças. “Ficar esperando as autoridades de Saúde é que não podemos”, diz. Encontrado hoje em 14 Estados do País, segundo a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), o caramujo já provocou 120 mortes por contaminação, mas nenhuma no Estado de São Paulo. O professor do departamento de zoologia e botânica da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Preto, Arif Cais, 57, realizou estudos para mapear a presença do molusco na cidade. “Os estudos mostraram que Rio Preto está infestada de caramujos africanos”, diz. O mapeamento da espécie foi iniciado depois de ter sido constatada a presença do caramujo em Rio Preto, em outubro de 2001. Sua presença, no entanto, é notória no período de chuvas. O estudo aponta a presença da espécie nos bairros Jardim Nazareth, Jardim do Bosque, Castelinho, Vivendas, Vila Ercília, Parque Celeste, Jardim Viena, Jardim Atlântico, São Judas Tadeu, Jockey Clube, Alto da Boa Vista, São Francisco e Talhados.

O professor da Unesp afirma ter entregue o resultado do mapeamento ontem à tarde à Secretaria de Saúde. “É necessário ficar atento à presença desse caramujo. Não podemos esperar que apareça alguém contaminado para depois tomarmos uma atitude”, diz. Para Cais, é necessária a realização de campanhas de esclarecimento sobre a presença da praga. “A população precisa ter informações e auxiliar a Saúde no combate ao molusco”, afirma. A Vigilância Epidemiológica, apesar de já ter constatado a presença do molusco, ainda não traçou planos para seu combate efetivo. O órgão da Secretaria Municipal de Saúde orienta as pessoas a capturar os moluscos e a colocá-los dentro de um saco plástico. Em seguida, é necessário jogar sal para matá-los. O secretário de Saúde, Cacau Lopes, 44, afirma que disponibilizará funcionários da pasta para a orientação da população sobre os cuidados a serem tomados. “O trabalho, por enquanto, será apenas para esclarecer”, diz.

Molusco chegou ao País em 88
O Achatina fulica, nome científico do caramujo gigante africano, entrou no Brasil ilegalmente em 1988, sem critério de avaliação do impacto ambiental para o caso de o molusco fugir do cativeiro. A intenção dos importadores era vendê-lo como escargô, iscas para a pesca e até mesmo oferendas para deuses afros. O consumo desse caramujo é comum na Europa, especialmente na França, mas apenas quando criado dentro das condições higiênico-sanitárias. A espécie foi introduzida no Brasil por Curitiba (PR), com promessas de retorno financeiro fácil e possibilidade de exportação. Mas as dificuldades apareceram na hora de vender o produto. Vários empresários desistiram do empreendimento. Os caramujos, então, foram abandonados nas cidades. Em contato com a natureza, eles se tornam um veneno para o organismo humano, ao contrário do que acontece com os que são criados em cativeiro.

São transmissores de um tipo de meningite e ainda podem provocar um tumor no estômago capaz de levar o

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