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Diário da Região

13/12/2017 - 15h52min

Termômetros

Bolha chega da Argentina para ‘derreter’ a região

Termômetros

Lézio Júnior Massa de ar quente está influenciando as altas temperaturas
Massa de ar quente está influenciando as altas temperaturas

A semana mais quente do ano em Rio Preto, também marcada pela alta temperatura em várias cidades da região, que chegaram a registrar mais de 41 graus, foi só uma amostra do que ve pela frente. Entre hoje e amanhã, de acordo com os meteorologistas, os termômetros podem marcar 43 graus, como em Votuporanga, por exemplo. Em Rio Preto a temperatura máxima deve ficar entre 41 e 42 graus. A culpa é dos “hermanos”.


De acordo com o meteorologista do Climatempo, Marcelo Pinheiro, uma grande massa de ar quente vinda da Argentina está sob a região centro-oeste do País e impede a entrada de ventos polares e a formação de nuvens, fazendo com que as cidades dessa região tenham a baixa umidade muito comum no inverno e temperaturas elevadas, que são mais comuns no verão.


“Na primavera os dias são mais longos, o sol fica durante mais tempo irradiando calor e isso faz com que o ar aqueça mais. Com noites mais curtas, o ar não esfria e isso prolonga o calor”, diz o especialista. Além do Estado de São Paulo a massa de ar quente está influenciando as temperaturas no Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Paraná. Nesses estados há grandes possíbilidades da temperatura chegar a 45°C (à sombra) na tarde de domingo.


Os meteorologistas estão chamando essa grande massa de ar quente de “bolha”, já que ela impede a aproximação dos ventos mais frios. Essa “bolha” está a 1,5 mil metros e deve ficar mais forte no domingo. Na segunda , porém, há prvisão de chuvas fortes. “Antes de se dissipar a massa de ar quente, chegará ao seu ápice com ventos noroestes vindos da Amazônia, porém na segunda uma grande massa de ar polar deve chegar da região sul e levar o ar quente para longe.


Na segunda deve chover forte, com vento e possível temporal em diversas regiões”, afirma o meteorologista. Ontem Rio Preto marcou máxima de 38,9 graus e 20% de umidade do ar. O clima ficou ligeiramente mais ameno que no dia anterior quando a cidade bateu mais um recorde de temperatura neste ano, 39,9 graus de acordo com a estação de monitoramento da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).


Em Mirassol e Araçatuba as temperaturas bateram chegaram, respectivamente, a 39,6 e a 40,2 graus. Na região, Votuporanga, Jales, Santa Fé do Sul e Valparaíso também bateram os 40 graus nesta semana. Em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, os termômetros chegaram a marcar 41,9º no dia 14, terça-feira. A temperatura mais alta do país nesse dia. Com calor demais e chuva de menos, vários municípios estão apelando para o racionamento de água.

Sergio Isso Vertedouro no rio São José dos Dourados secou e comprometeu o abastecimento de água em Mirassol

Em Mirassol, 20 mil sem águaO rio São José dos Dourados, principal fonte de abastecimento em Mirassol, está praticamente seco e um terço dos 54 mil moradores - 20 mil habitantes - estão sem água. O nível já baixou tanto que as bombas de captação precisaram ser desligadas. O "plano B" do município, que seria fazer a captação do aquífero Guarani, não deu certo depois que a bomba que faz o serviço quebrou. A Sanessol, empresa responsável pelo abastecimento da cidade, começou ontem os reparos, mas o reparo deve durar pelo menos seis dias. Caso não chova nesse período, os moradores do Centro, Cohab 1, Renascença, São Bernardo e São José ficarão sem água até que a captação do aquífero seja iniciada. O rio São José dos Dourados chegou a ficar quase meio metro abaixo do seu nível normal e parou de verter ontem no ponto onde a água é captada, na área rural de Mirassol. "Não podemos ligar a bomba. Ela pega terra e para. Percorremos todo o rio, acima da barragem, para ver se tinha algo obstruindo a passagem da água, mas não encontramos nada. São as nascentes, que secaram mesmo", diz Bruno Lima, supervisor operacional da Sanessol.Manobras na rede foram feitas por técnicos da empresa, porém não deve resolver totalmente o problema. "O nível do rio baixou rápido. Já vínhamos alternando entre captação do rio e do aquífero, mas dessa vez os dois sistemas falharam. Nossas equipes estão trabalhando 24 horas por dia para resolver a situação", diz Renata Ferrarese, operadora técnica da Sanessol. O bairro mais afetado é o Centro. Não passava nem do meio-dia de ontem e Valmir Henrique Sbrissa, 41 anos, já enfrentava problemas. Ele tem um lava-jato e para não perder os clientes teve de trabalhar com lavagem a seco, com uso de produtos químicos. "O resultado é o mesmo. O carro fica limpinho, mas tem cliente que não gosta." Além do prejuízo no trabalho, ele, que mora em frente ao lava-jato, também estava sem água em casa. "Não tive como lavar a louça. A torneira está seca", afirma a mulher dele, Neusa Menezes. A Sanessol solicitou aos moradores para que façam economia de água. Os pedidos foram feitos até em carro de som. RegiãoAlém de Mirassol, outra cidade da região que enfrenta problema de falta d'água é Barretos, que decretou racionamento a partir de segunda-feira. Quem desperdiçar pode ser multado em até R$ 529. Para amenizar a situação do ribeirão Pitangueiras, responsável por 60% do abastecimento do município, o frigorífico JBS anunciou que dará férias coletivas a partir do próximo dia 27. A empresa capta 260 metros cúbicos por hora de água do manancial.Outros lugares já enfrentam racionamento. Em Bebedouro, o período com torneiras secas foi aumentado, passando das 8h às 16h. Antes começava às 12h. Em Uchoa, o fornecimento é interrompido entre 12h e 16h.

Johnny Torres Acima a quente rotina de Cláudio, que encara a caldeira em tempo de calorão. Abaixo, Marcos, que trabalha no meio do gelo e não está nem aí para as altas temperaturas de Rio Preto

O homem do gelo e o homem do fogoO rio-pretense Marcos Paulo Iuga, 28 anos, não esta nem aí para a temperatura na casa dos 40 graus. Ele passa oito horas do dia de agasalho, botas, luvas e óculos de proteção. Marcos trabalha no melhor lugar do mundo em tempos de calor: em uma fábrica de gelo, onde são produzidas diariamente, 48 toneladas do produto, para armazenar a produção é necessário manter a câmara fria a menos 15 graus. "Eu já me acostumei com essa temperatura, entro e saio desse ambiente extremamente gelado várias vezes por dia e gosto muito do que faço", afirma o trabalhador enquato coloca mais alguns sacos de gelo na câmara.Por outro lado, tem profissional que sofre ainda mais com o calor nesses dias mais quentes. O fundidor Claudio Roberto Machado, 39 anos, nunca passa frio enquanto está trabalhando. O serviço dele é derreter ferro. Ele comanda um forno industrial que atinge a marca de 1490 graus. Durante as oito horas de trabalho, Machado consegue transformar em líquido 6 toneladas de ferro. "É bem desgastante quando o calor está muito forte. Quando os dias estão mais amenos, a gente para um pouco e toma um ar, mas hoje, por exemplo, não tem para onde ir, tudo está quente", afirma. Mesmo na área um pouco mais afastada da fundição, mas no mesmo ambiente, a temperatura passa dos 45 graus. Impossível não transpirar próximo ao forno. "Apesar do calor absurdo que passo aqui, eu gosto do que eu faço e já estou há 14 anos na empresa. Depois, para refrescar, ou eu passo no boteco pra tomar uma, ou vou pra casa tomar um banho", diz Machado que nunca se feriu no trabalho.

   

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