Diário da Região

27/11/2012 - 01h48min

Dúvida cruel

Aos 63 anos, Benedita busca o pai de sangue

Dúvida cruel

Hamilton Pavam Gêmeos Pedro e João aguardam para fazer exame de DNA
Gêmeos Pedro e João aguardam para fazer exame de DNA

Uma dúvida atormenta Benedita (nome fictício), de 63 anos: homem que a adotou aos seis meses de vida é, na verdade, o seu pai legítimo? A mulher conta que o pai garante tê-la adotado porque a mãe dela, empregada da família, não tinha condição de criá-la. O pai sustenta a história ainda hoje, aos 83 anos e viúvo há pouco mais de um ano, mas Benedita diz que seu coração insiste em lhe dizer que é ela sua “herdeira” de sangue e de direito. “Faz um ano que eu pedi o exame, pois desconfio que eu seja filha legítima dele”, conta a mulher.


Ontem, na fila do mutirão de DNA que acontece no Hemocentro do Hospital de Base e reúne 708 crianças, jovens e até adultos como a própria Benedita, ela dava os primeiros passos no sentido de iluminar a escuridão que envolve sua origem. Entre pais, mães e filhos, o mutirão, que vai até o próximo dia 30, deverá reunir 2, 1 mil pessoas de Rio Preto e região.


Também na fila, o garoto Paulo (nome fictício) tem clareza do que quer ser no futuro. “Atacante e artilheiro do Brasileirão, espera só para ver”, desafia o menino ao abraçar a mãe, que não encontrava havia mais de um ano. Antes, porém, precisa esclarecer dúvidas do seu passado. Ele mora em São Paulo, com uma tia. A mãe, Neuza Pereira da Silva, 46 anos, é detenta do Centro de Ressocialização Feminina de Rio Preto, onde cumpre pena por tráfico de drogas.


“Fui intimada pelo juiz para vir até aqui fazer o exame. A atual mulher do meu ex-marido está em dúvida se o nosso filho é realmente dele. Ela pediu na Justiça e eu vim colher o material”, explica. “Mas eu tenho certeza que ele é meu pai”, adianta-se o candidato a craque. A dona de casa Dalva (nome fictício), 27, estava na fila do mutirão com os filhos gêmeos Pedro e João (nomes fictícios) para que eles ganhem o direito de ter o nome do pai na certidão de nascimento e também para requerer a pensão alimentícia. A mulher, que tem cinco filhos, sendo quatro deles gêmeos, disse que o suposto pai dos meninos nunca colaborou com nada. “Mãe, mas ele já deu quatro salgadinhos e uma coca-cola para a gente”, reagiu um dos garotos, “interrompendo” a mãe durante a entrevista.


“Dá dó. Eles gostam do pai. Ele aparece raramente em casa, normalmente quando está bêbado, mas mesmo assim eles sentem falta. Tanto que este dia, em que ele trouxe os salgadinhos, ficou na memória dos meninos”, afirmou Dalva, enquanto esperava o ex-marido chegar para a coleta do material. “Essa já é a terceira vez que venho fazer o exame, mas ele não aparece. Estou esperando, mas duvido que ele apareça aqui. Não sei mais o que faço.”


Há também histórias de pais que pedem o exame para saber se os filhos são mesmo deles. Roberto (nome fictício) é um deles. Ele conta que teve um caso com Ângela durante quatro meses. Nesse período, a mulher ficou grávida e ele assumiu a paternidade. Hoje a menina está com 9 anos, mas ele decidiu entrar na justiça para ter certeza que a filha é dele.


“Os parentes dela e alguns amigos me falaram que ela teve um caso ao mesmo tempo comigo e com um outro homem. Fiquei na dúvida e resolvi fazer o teste. Mesmo se não for minha filha, o que eu acho difícil, irei amá-la da mesma forma, porém, não vou mais precisar pagar a pensão”, diz Roberto.


Resultado fica pronto em 30 dias


Os exames de DNA são realizados pelo Instituto de Medicina Social e Criminologia de São Paulo (Imesc), órgão da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania. Ao todo, 708 pessoas foram convocadas para participar dos testes. De acordo com a assistente técnica do Imesc, Maria Luiza Salum, podem participar apenas as pessoas que foram convocadas judicialmente. Para a realização do exame é necessário que compareçam a mãe, o suposto pai e o filho. “Há casos também em que o pai já é falecido e então pedimos a presença dos avós, dos tios ou então dos irmãos do suposto pai para a coleta de sangue”, afirma. Maria explica que para o exame são coletadas gotas de sangue do dedo anelar dos envolvidos para a realização do exame.


“O resultado fica pronto, em média, em 30 dias, porém pode ser que esse tempo seja um pouco maior ou menor. Não há necessidade de contra-prova, uma vez que o teste é 100% eficaz. Em casos de pais falecidos, como o material não é do próprio doador genético para ser considerado pai é necessário ter compatibilidade genética acima de 60% ”, conclui. O último mutirão foi realizado em junho de 2011 e atendeu 780 famílias de Rio Preto e região.


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