Diário da Região

18/11/2006 - 23h16min

Dia da Consciência

Amanhã é dia de pensar negro

Dia da Consciência

Pierre Duarte Braaga: vergonha deve ser substituída pelo orgulho de ser negro
Braaga: vergonha deve ser substituída pelo orgulho de ser negro
A região de Rio Preto tem a menor população negra do Estado de São Paulo. São 17,2% negros e pardos e 82% brancos. Os índices foram divulgados esta semana pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), em função da comemoração do Dia da Consciência Negra, amanhã, em todo o País. O porcentual no Estado é de 30,9% de negros e pardos. No município de Rio Preto, são 15,3%. Para a historiadora e colunista do Diário Nilce Lodi, o principal fator que levou a esses números foi Rio Preto ter começado a se formar em 1852, menos de 40 anos antes do fim da escravidão. No recenceamento de 1872, o município contava com 2.639 habitantes, 259 deles escravos. Com a Lei Áurea assinada em 1989, o fortalecimento da cultura cafeeira no município a partir de 1890 já se deu com a mão-de-obra de portugueses e espanhóis.

Além de Rio Preto, Sorocaba é outra região com baixa concentração da população negra (18,8%). Lá, a atividade comercial era o comércio de mulas e cavalos, tipicamente de tropeiros e peões e não de afro-descentes. Para Nilce Lodi, outros fatores podem ser apontados, como a maior mortalidade infantil entre negros e a ?política de branqueamento?. O primeiro caso ainda carece de números mais detalhados. Mas no segundo, como avalia, além dos governos abrirem as portas preferencialmente aos migrantes europeus, os próprio negros livres preferiam casar-se com brancas para gerarem filhos cada mais claros. Essa realidade mudou nos últimos anos. As pessoas têm se identificado mais com a raça/cor negra. De acordo com os números da Seade, de 1991 a 2000 houve um aumento de 6,7% da população que se declara negra; de 2000 a 2005, houve crescimento de 13,6%.

?A vergonha de se assumir foi substituída pelo orgulho e o prazer de ser negro?, diz o músico Braaga Jamaica. Ativista do movimento negro rio-pretense, o músico acredita que essa mudança de conceito se deve ao maior reconhecimento da sociedade como um todo da importância da cultura negra para sua formação. Para ele, o momento agora é de buscar alternativas para promover desenvolvimento socioeconômico a partir dessa valorização. ?Agora buscamos a industrialização dos produtos da cultura afro. Queremos passar a ser vitrine e não produtos de agressão ou de choque cultural?, diz. Essa mudança de postura com relação à cultura afro, para a secretária da Educação de Rio Preto, Duda Laguna, vem de uma mudança desde a escola. Nos últimos anos, foram inseridas no currículo a história da África e dos negros que vieram para o Brasil. Com isso, como explica, foi possível ampliar a discussão e trabalhar a identidade e auto-estima das crianças afro-descendentes.

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