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Histórias sobre a cultura negra no Brasil e no mundo contadas pelo jornalista e militante negro Marco Antonio dos Santos
José do Patrocínio, pioneiro negro do jornalismo
quinta-feira, 22/06/17, às 21:37, por
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O meu texto de estreia do blog no Diário tinha de ser sobre uma figura histórica do jornalismo, José Carlos do Patrocínio, mais conhecido como o abolicionista José do Patrocínio, uma das minhas inspirações profissionais.

Hoje em dia, cada vez mais profissionais negros têm conquistado espaço em meios de comunicação. Destaque para os jornalistas da TV Globo, Maria Júlia Coutinho, âncora aos sábados do Jornal Hoje; Abel Neto, âncora do Globo Esporte; e Heraldo Pereira, jornalista político da mesma emissora. Mas o pioneirismo no jornalismo foi iniciado por José do Patrocínio, lá no século XIX.

Filho de uma quitandeira com um padre, José nasceu na cidade de Campos de Goytacazes (RJ), no dia 8 de outubro de 1853. O nome de sua mãe era Justina Maria do Espírito Santo, uma negra alforriada. Seu pai era o sacerdote João Carlos Monteiro.

Patrocínio teve uma infância com muitas privações e diversas experiências de racismo. Com muito esforço ele se formou em farmácia, o que possibilitou que conseguisse emprego como funcionário no Hospital de Misericórdia do Rio de Janeiro.

Mas a vivencia com personalidades progressistas na capital do Império, fez com que ele engajasse rapidamente na luta pela abolição da escravatura. Sozinho, ele fundou um jornal abolicionista, a Gazeta da Tarde. Por sua atuação ele era apelidado de Tigre da Abolição.

José foi um dos maiores articuladores do movimento popular contra a escravidão, criando inclusive a Confederação Abolicionista.

A proclamação da Abolição da Escravidão, em 1884, no estado do Ceará, quatro anos antes do restante do país é creditada a sua articulação política. Também foi lá ele tomou inspiração e dados, para escrever suas futuras obras literárias.

Seu sogro, Emiliano Rosa de Senna, também colaborou com a campanha abolicionista, quando fundou no Rio de Janeiro, o Clube José do Patrocínio, destinada à participação feminina na campanha.

No dia 13 de maio de 1888, um domingo, José do Patrocínio foi um das pessoas, juntamente com político Joaquim Nabuco e engenheiro André Rebouças, que levaram às mãos da princesa regente Isabel, a lei Áurea, para que fosse assinada. No ato, contam alguns biógrafos, ele chorou.

Naquele dia, em conversas com amigos, ele dizia que poderia morrer em paz com sua consciência.

Com o fim da monarquia, José fez forte oposição a recém-criada República, o que despertou ódio de políticos e resultou em perseguição aos anunciantes de seus jornais, que causaram a ruína o jornalista. Ele morreu em 1905. Deixou viúva Maria Henriqueta de Sena Patrocínio, tratada carinhosamente de Bibi; e os filhos Marieta, Maceu, Job e José Carlos do Patrocínio Filho.

Além da atuação política, também merece destaque sua obra literária, os livros Mota Coqueiro, Pedro Espanhol e Os Retirantes. Ele também foi integrante da Academia Brasileira de Letras.

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