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Histórias sobre a cultura negra no Brasil e no mundo contadas pelo jornalista e militante negro Marco Antonio dos Santos
Castro Alves, o poeta da abolição
segunda-feira, 02/10/17, às 18:04, por
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Antonio Frederico de Castro Alves nasceu no dia 14 de março de 1847, filho de Clélia Brasília da Silva Castro e Antonio José Alves. Com oito anos de idade, em Salvador, perde a mãe. Seu pai foi uma grande influencia na sua formação abolicionista, pois era tinha um comportamento como médico assistencialista junto a população negra.

Aos 15 anos de idade, ele e o irmão, José Antonio vão continua seus estudos na capital de Pernambuco, Recife. Lá toma contato com os movimentos abolicionista. Já em 1963 publica seu primeiro poema sobre afro-brasileiro: “A Canção do Africano”. No mesmo tempo acaba se apaixonando por uma atriz portuguesa de teatro, Eugênia Câmara.

O ano de 1864, o poeta sofre um forte abalo emocional, seu irmão José, entra em depressão que depois se mata. Nem sua admissão na Faculdade de Direito do Recife, o acaba animando. Passa longos períodos de tristeza e dedica-se cada vez mais a literatura. É neste clima que escreve seus poemas “Mocidade e Morte”, “O Século” e “Os Escravos”.

Em 1866 acontece mais um fato triste na vida de Castro Alves, seu pai, morre. Ele acaba entrando assim de cabeça no abolicionismo, para esquecer a situação e por convicção e acaba conhecendo um promissor estudante e político, Rui Barbosa e juntos fundam uma organização de combate a escravidão.

No mesmo tempo que se dedica a política abolicionista, o poeta é também um sucesso no mundo artístico, quando declama no Teatro Santa Isabel o poema “Pedro Ivo”, e relaciona-se amorosamente com sua paixão, Eugênia. Os dois têm uma intensa e forte paixão, que se mudam do Recife e vão morar em Salvador. Inspirado nela, ele escreve “Gonzaga”, que o consagra como poeta..

Em uma viajem a capital do Império, conhece os escritores Machado de Assis e José de Alencar, onde ambos trocam impressões sobre literatura e política. Fascinado pelo desenvolvimento da região sudeste, Castro pede transferência de curso para a Faculdade de Direito do Largo São Francisco – na capital do Estado de São Paulo, onde se matricula no terceiro ano.

No ambiente progressista e republicano do Largo São Francisco, Castro escreve “O Navio Negreiro”, e em sua primeira declamação pública, foi aplaudido em pé. No mesmo ano, 1868, sua peça teatral “Gonzaga”faz um sucesso estupendo. Mas o ano não acaba bem, quando ele, em um acidente de caça acaba dando um tiro no próprio pé esquerdo.

O que vem na seqüência de sua vida, só o faz deprimir-se: Eugenia termina o relacionamento e seu pé que, sob ameaça de gangrena, foi afinal amputado no Rio, em meados de 69. Castro Alves acaba assim abandonando os estudos e retorna para o Nordeste, retornando a residir em Salvador.Na capital baiana, ainda tenta recuperar o vigor pela vida, quando nutre paixão platônica pela cantora Agnese Trinci Murri. Mas seu estado de saúde piora, e acaba morrendo no dia 6 de julho de 1871. É o patrono da Cadeira nº. 7 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador Valentim Magalhães.

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