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Cidinha Abissamra é uma das mais históricas e luminosas professoras de Rio Preto
domingo, 22/05/16, às 00:00, por
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Professora de alunos ilustres, como o maestro Paulo de Tarso e o músico Mauri Buchala (que trabaha em Paris), entre outros, a professora Maria Aparecida Abissamra é figura onipresente no meio musical da cidade. Principalmente, em se tratando de música erudita e coral. É uma grande, redundante professora. Faz os alunos amarem cada tecla do piano ou furinho da flauta doce. A música sempre foi parte fundamental de sua vida. Teve dos pais todo o apoio para se formar em piano (no Instituto Musical Carlos Gomes) e levar adiante o ensino do piano, flauta e teclado. 

Durante os 50 anos de carreira, teve talento e inteligência para reconhecer o potencial de seus alunos, muitos começando aos seis anos. Além do piano, formou-se no magistério (antiga Escola Normal) no Colégio Santo André e lecionou, como substituta, na Escola Oscar Arantes Pires. Quando lecionava nessa escola, aos 18 anos, a diretora pediu-lhe para formar um orfeão (para os mais novos, coro). “Foi aí que começou a história do coral. Foi maravilhoso. Participamos do 1º Festival Artístico da Escola Primária,” disse.

 

Cidinha Abissamra e Karina - 22052016 Com a filha Karina, muita afinidade; seus conceitos de família são fortes

Casou-se, morou dois anos fora e quando voltou retomou as aulas. Tem uma única filha, Karina, que fez Comércio Exterior e trabalha em São Paulo, na Cielo. Claro que estudou piano com a mãe. E assim foi a vida. Sempre formando coral e dando aulas particulares. Não tem ideia de quantos alunos passaram pelo seu velho piano. Fez cursos com músicos importantes que a diretora do conservatório, Munira Bauab, trazia para Rio Preto. A partir dos anos 1970, começou a fazer audições com seus aluninhos, os pais ajudavam muito, Karfhan fotografou todas e Roberto Toledo fazia o cerimonial. “Eu reunia os alunos, arrumava local para se apresentar. Meu pai me ajudou muito, às vezes mandava levar meu piano onde não tinha.”

Cidinha atuou 12 anos na escola Pequeno Príncipe (hoje Colégio Ressurreição), onde formou a bandinha e o coral da escola. Também formou um coral de crianças na igreja da Redentora, a pedido do padre Chico Jansen, ainda bem jovem. “A coisa mais linda. Quando batia a meia-noite, na missa do Galo, as crianças começavam a cantar!” conta. Hoje, ela continua com aulas de hora em hora, todos os dias. Na terça de manhã, ensaia um coro litúrgico sob sua responsabilidade na Redentora, que canta todo domingo na missa das 10h.

 

Cidinha Abissamra criança - 22052016 Ela no colo da mãe Raife, com o pai, irmãos, tio e avó

Terça à noite, ensaia o coral Pequenas Cantores, seu mais recente projeto com o maestro Paulo de Tarso, composto por meninas até 14 anos. O grupo é encantador, as meninas são talentosas, mas elas não têm lugar para ensaiar. “Então ensaiam no apartamento do Paulo ou raramente aqui em casa.” Quinta, dia do coral da Agerip. “Muito empolgante, cantam bem e têm boa memória musical.” Na manhã desta entrevista, ela nos recebeu vestindo alegre blusinha floral, desfilou sua história musical e mostrou como é bom viver a música.

Discreta e imprescindível

“Pesquisas comprovam que ouvir certas músicas de Mozart ativa os neurônios e melhora a inteligência. O primeiro indício do que viria a ser chamado ‘Efeito Mozart’ surgiu em 1989, quando o neurobiólogo americano Gordon Shaw simulou a atividade cerebral em um computador. Em vez de imprimir um gráfico dessa simulação, ele decidiu transformá-la em sons. E, para sua surpresa, o ritmo do som cerebral se mostrou muito parecido com a música barroca.” (Fonte: “Efeito Mozart” - Don Campbell)

Esse é uma das posições da professora Cidinha Abissamra sobre os efeitos da boa música, e ela acrescenta que as notas dos alunos até melhoram. “A gente tem que divulgar estas novidades.” Ela não só vive e ensina a música, mas faz o aluno se também se envolver irremediavelmente por ela. “Fiquei feliz porque duas alunas na semana passada ganharam piano acústico (aquele tradicional), pois o mundo está mais tecnológico.”

 

Cidinha Abissamra escola - 22052016 Apresentação de alunos: nos detalhes, Cidinha, Mauri (esquerda) e Paulo de Tarso (na frente)

No mais, ela adora Mozar, Bach, Beethoven, Vivaldi, Chopin, mas também MPB e bossa nova.Gosta de comida árabe, de noticiários da TV, viagens, de ler Augusto Cury, da vida em família. Faz de tudo para apoiar seu aluno Paulo de Tarso. “Quando pequeno, era incrível, inquieto. Logo no início, com seis anos, ele já fazia dueto comigo. Hoje, além de brilhante músico, é um homem corajoso, faz de tudo em prol da música em Rio Preto.”

O Café do Ponto

Cidinha nasceu em Rio Preto, filha dos libaneses Elias e Raife, donos do Café do Ponto, famoso e sortido bar na esquina da Estação Ferroviária, onde muitos libaneses acorriam para se rever. Um de seus irmãos é Raif, dono do tradicional empório Benhamin, deliciosas iguarias árabes, na General Glicério. “Tenho muito orgulho da minhas origens, gente de muito trabalho, muita união, admiro o incentivo que os pais dão para o filho crescer.” Aos 9 anos, aluna do Externato Santo Antônio, começou a aprender piano com a irmã Vitória Maria. 

Tocava até o hino do Líbano, cuja partitura o pai comprou em São Paulo. O primeiro piano a gente não esquece: o pai deu-lhe um, o mesmo que ela dedilha com seus alunos. “Acho que foi o dia mais feliz da minha vida!” Ainda era aluna do conservatório quando começou a dar aulas particulares, a pedido de uma mãe. “Minha primeira aluna foi Leila Zerati. Naquela época, os pais investiam na música. Eu terminava o magistério. Quando vi, estava totalmente envolvida. Aí começou um aluno atrás do outro, adorei, comecei a aplicar tudo o que aprendi em didática e metodologia na música. Até que larguei tudo e fiquei só com a música”.

 

Cidinha Abissamra - Escola Oscar Arantes Pires - 22052016 O orfeão da Escola Oscar Arantes Pires e sua regente

Fala, maestro!

"Falar sobre a professora Cida Abissamra é falar a respeito de uma pessoa muito delicada, por seu amor, dedicação e afeto no trabalho e nas relações interpessoais, ao mesmo tempo que exigência e competência são suas marcas. Tive a honra de ela ter me alfabetizado musicalmente aos 6 anos de idade. Foram dedicadas e fundamentais aulas de flauta doce, de teoria, de solfejo e de piano. O inesquecível primeiro recital aos 7. 

Valorosas lições, primorosa didática, pacienciosa professora, amorosa mestre do conhecimento! Foi quem me apresentou as notas musicais e me convidou a amar esta laborosa profissão: a música! Musas - divindades inspiradoras das artes - Musa da Música: Eutherpe, no caso. Pois a professora Cida Abissamra sempre me inspirou a seguir a minha vida com esta carreira. Tamanha a importância desta profissional, de profundo conhecimento e notório saber. Rio Preto deveria valorizá-la ainda mais, que tanto contribuiu e ainda contribui para o engrandecimento da cultura musical de nossa cidade. 

O mérito que ela carrega de ter formado e informado gerações de musicistas, muitos destes jovens que já se tornaram adultos. Mas desde quando, de uma maneira geral, o Brasil dá o devido valor ao mérito técnico-profissional? Raramente este tipo de notícia recebe o devido espaço nas variadas mídias. Por fim, tenho a honra e o prazer de, hoje adulto, poder trabalhar com aquela que me cativou e que hoje ainda ensina e assina a coordenação pedagógico-didática das Pequenas Cantoras de Rio Preto, coral infanto-juvenil que reúne 30 dos maiores talentos vocais, entre 8 e 15 anos, de nossa região. 

Ela também rege este mesmo coral, que eu acompanho ao piano. Sorte de Rio Preto ter uma docente do nível da professora Cida Abissamra! Parabéns e muito obrigado por todas as importantes lições! Merecida homenagem! Na verdade, isto é apenas o mínimo que podemos fazer por ela: o reconhecimento ao seu mérito!"

Paulo de Tarso, maestro da Filarmônica de Rio Preto, do Ensemble Paulista e da Filarmônica de Barretos

 

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