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Diário da Região

13/07/2016 - 00h00min

Painel de Ideias

Terra de alguém

Painel de Ideias

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Discordo que Brasil seja terra de ninguém, a terra Brasil tem nome e endereço. As terras desse país não são terras férteis de incentivos, mas de interesses. Seus verdadeiros donos sabemos quem são, sabemos quem produziu e quem produz para que essa terra se desenvolva, mas também sabemos quem são aqueles que querem colher sem cultivar, que querem apenas os seus frutos, sem protegê-las, sem respeitá-las. Desde o início de nossa história, o Brasil foi terra de quem fazia suas próprias leis, foi terra de quem tomava para si as terras alheias.

O massacre indígena que se iniciou com a chegada dos colonizadores perdura até hoje. Sua maior motivação são as terras, os hectares que são fonte de poder e dinheiro. Dia desses visitei uma exposição onde pude encarar de longe, muito distante, olhares de vários índios registrados em retrato. Trágico como só pude perceber o desespero daqueles olhares dentro de uma sala fechada. Triste que eu ocupe o meu espaço nesse país e nesse mundo sem saber o que se passa com quem tentou por toda história ocupá-lo com dignidade, protegê-lo e cuidá-lo. A exposição “A queda do céu” trouxe para a margem dos meus olhos as diversas faces da imagem e vida indígena e me fez perceber como ainda reproduzimos a crueldade dos colonizadores. Os índios nos servem como entretenimento e cultura, mas quando fogem da ideia de onde os encaixamos, quando nos mostram que não sabemos nada sobre seus valores, quando clamam por seu direito de resistir e existir, eles atrapalham o andamento de nossas vidas, de nossos interesses, nos incomodam.

E é assim que funciona na terra chamada Brasil com todos aqueles que estão vulneráveis como mudas nas mãos dos poderosos, dos parlamentares, de instituições governamentais, latifundiários, autoridades. Ninguém os planta, ninguém quer que eles germinem, cresçam, deem frutos. Apenas os usam e abusam de sua pequenez diante de todo jogo sujo e dinheiro que contaminam esse solo nada gentil, para, assim, alimentar seus interesses. Quando os convém, os índios, os negros, os pobres os servem como mão-de-obra, como laranjas, como eleitores, como massa de manobra.

Na semana passada a prefeitura de São José do Rio Preto tentou arrancar de um desesperado pedaço de terra na Vila Itália dezenas de família em situação precária. Sem que nenhum tipo de amparo lhes fosse dado, sem que nenhum tipo de compreensão e entendimento de porquê aquelas terras lhes eram tão importantes naquele momento, mesmo existindo ali condições tão desumanas. As vezes um pequeno espaço, um pedaço de nada é tudo que um homem tem. E eles querem que acreditemos por meio de leis distorcidas que isso deve lhes ser arrancado, que a resistência dessas pessoas na verdade é confronto, que suas vidas não passam de estatísticas que ninguém deve se importar.

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