X
X

Diário da Região

09/09/2016 - 00h00min

Painel de Ideias

Superação dos extremos

Painel de Ideias

NULL NULL
NULL

As redes sociais estimulam a manifestação do pensamento, o que é naturalmente saudável. Porém, observa-se um avanço da visão binária das coisas. Ou o sujeito é coxinha, ou mortadela. Ou é comunista, ou conservador. Se contra o impeachment, é conivente com a roubalheira; se favorável, é golpista. Se ele defende a polícia, é fascista; se critica o excesso, é apoiador da baderna. E por aí vai.

Tem-se ainda a sensação que o radicalismo opinativo é o único reflexo da correção, da honestidade, do justo, de quem deseja um país melhor. Alguns acontecimentos em voga, contudo, parecem apropriados para demonstrar, pelo singular prisma da coerência, como a falta de ponderação desse partidarismo ferrenho leva à contradição e à insensatez, despercebidas ao crítico apaixonado.

Antes de ser julgado pelo Senado, o presidente Collor renunciou. Mesmo assim, aplicaram-lhe a pena, então “fatiada”, da cassação dos direitos políticos, com chancela do STF. Pouca gritaria houve naquela época quanto a isso. No caso atual, o Senado utilizou a mesma medida, o tal “fatiamento”, desta vez, com a consequência - pelo voto, ressalte-se - de manutenção dos direitos políticos da presidente afastada. Mas, soa como se agora, e só agora, houvesse crime de lesa-pátria.

Quando se vota num candidato a um cargo para o poder executivo, escolhe-se, ao mesmo tempo, o seu substituto. Se o eleitor não quer um dos dois, basta escolher outra dupla. Ao votar, de todo modo, o eleitor está legitimando a chapa, o candidato principal e o vice. Logo, em caso de substituição, e por qualquer que seja o motivo, é o eleitor, no fundo, que está ascendendo o substituto ao cargo. Não há, portanto, qualquer ruptura institucional.

Nesses dois casos, veem-se, frequentemente, opiniões furiosas, histriônicas, incoerentes, que só mesmo o maniqueísmo sectário explica. Aliás, percebe-se, nesse ambiente dualista, certo ar de pureza absoluta, onde a tentativa de comedimento, de chamamento ao diálogo, não é bem vinda, pois seria sempre um ardil de algum lado; portanto, uma impureza. Essa candidez exacerbada me faz lembrar aquela bíblica advertência: enxerga-se facilmente o cisco no olho do outro, mas não a trave no próprio.

O extremismo, por fim, não combina com o pluralismo de nossa nação, que não é bicolor, vermelha ou amarela, mas sim é verde, amarela, azul, branca, vermelha, rosa, preta, marrom, multicolorida. O Brasil não se resume ao feed enfezado do Facebook, nem às paralisações da Avenida Paulista. É uma potência continental que enfrenta enormes problemas, a necessitar, acima de tudo, do suor dos seus cidadãos para a legítima luta que nos aguarda: trabalhar muito para a reconstrução deste lindo País.

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso