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Diário da Região

11/10/2016 - 00h00min

Painel de Ideias

Se ficar o bicho come

Painel de Ideias

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Há mais de meio século sou heterossexual. Quase a mesma idade de minha total ausência de fobia aos muitos amigos homos. Digo ‘quase’ porque nunca fui precoce, e até os três anos de idade não conseguia distinguir a coisa.

Uma literatura brasileira de inútil primeira grandeza, porém, não tem me deixado à vontade para dizer que sou macho. Assim, jurubeba, zagueirão, leão-do-norte. Todavia, como diz o escritor Marçal Aquino, se devido ao avanço social e profissional da mulher o homem nos tempos atuais anda perdido, como se apregoa, não sou eu que vou procurá-lo.

Mesmo sem ceder à bancada de creminhos nos banheiros ou às regulares granolas matinais dos metrossexuais, não consigo mais me enxergar como um pterossauro. Desses que saem à caça das costelas que foram nossas um dia, e que agora emergem na sociedade comandando as iniciativas: do flerte ao nosso aumento ou diminuição de salário no final do mês.

É, irmãos de orientação sexual, sucumbimos, como cavalheiros de triste figura, se não cairmos num dos inúmeros ‘novidadismos’ da vida pós-machência. Como degradados e mal posicionados filhos de Eva, tornamo-nos ridículos se apreciamos acintosamente, por exemplo, uma bunda e sua respectiva Raimunda, rimas e soluções de nossos antigos ideais corporativos.

Chegamos, aliás, à posição inversa. Como bem coloca Xico Sá, no seu livro Chabadabadá – alusão ao refrão da trilha sonora do filme Um homme et une femme (Um homem, uma mulher), de Claude Lelouck, 1966. Parece uma incoerência, mas não podemos nem deixar aparente que mereça desdém os quéins quéins de patos da bossa nova. Ouvir e tocar sozinhos um sambão joia com os amigos de bar, errar o buraco do vaso sanitário na volta pra casa, sair do banho com o sovaco (digo, axila) cheio de sabão, é sumariamente ridículo, brega, cafona e tão ultrapassado quanto estas duas últimas palavras. A mulher contemporânea nos reprimirá, e não haverá São Dunga, Santo Mano ou Sóror Aracy de Almeida que nos redimirão de tais pecados. Nos reduzirão a um iPad.

Havemos de entender dos molhos de saladas com frutas exóticas, ter um quê de ‘homem-bouquet’ quando abrimos um vinho, cultivar um manjericão da própria hortinha, saber ao menos qual é o hidratante Victoria’s Secret mais adequado ao nosso tipo de pele, e endurecer nas circunstâncias historicamente adequadas, mas sem perder a ternura jamais.

Benza Deus, que seria se meu finado pai presenciasse esses tempos? “Seja hômi, moleque!”, diria sem vírgulas, à leseira que tomou conta das nossas testosteronas. Entre ‘cuidado, frágeis!’ e o tempo no qual só existiam o fogo e o verbo, ficamos com aquela sensação de quem enfrentou o exame de próstata antes do tempo, só pra dar bom exemplo. E atender à demanda histórica.

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