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Diário da Região

18/10/2016 - 00h00min

Painel de Ideias

Que palhaçada!

Painel de Ideias

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Qualquer brasileiro interiorano recorda uma cena marcante da infância: a chegada do circo. Pelas ruas de minha Nhandeara, a comitiva circense desfilava triunfante, convidando munícipes para a estreia. Imediatamente à chegada do circo, os mais velhos e mais supersticiosos iniciavam a ladainha repetida à exaustão: prendam gatos e cães - alimento para os leões. Cuidado com as crianças e com as moças - os trapezistas as seduzem.

Entre leões famélicos e nada majestosos, elefantes de patas dilaceradas por correntes bizarras e garotas seminuas que atiravam arcos para o alto, lá estava ele, o palhaço, grande estrela da trupe mambembe. Lembro-me de pessoas trancafiadas em casa, amedrontadas pela simples visão da maquiada criatura. Ainda não sabia disso, mas elas sofriam de coulrofobia.

Uma recente onda de aparição de palhaços causa histeria em massa. Relatos indicam Estados Unidos, Austrália, Inglaterra e Brasil como locais particularmente afetados. Historicamente, variações do palhaço estiveram presentes nas arenas romanas, nas cortes medievais, no teatro de Shakespeare. Tolo, clown, bobo da corte, palhaço. Os termos designam pessoas articuladas e hábeis na arte do entretenimento: dizem pelo riso o que é demasiado forte para expressar pela seriedade.

No contexto atual, o palhaço desponta no cinema de maneira mais sombria, associado a personagens malévolos e sobrenaturais. Por exemplo, o filme It, Uma Obra Prima do Medo, baseado em romance de Stephen King. Vale ressaltar o Coringa, o Espantalho, o Boneco Assassino, variações do mesmo tema: criaturas maquiadas e fantasmagóricas.

Na semântica, os termos palhaço e palhaçada também se mostram paradoxais. De um lado, o ser que diverte e traz graça ao mundo, figura imortalizada em Atchim & Espirro, Bozo, Patati Patatá. Sempre nos agrada ver uma cena que diverte e traz reflexão. De outro, julgamos palhaçada algo que nos prejudica e nos choca pelo ridículo: por exemplo, as sessões das câmeras de deputados constituem uma palhaçada, e o povo tolo e bobo ainda ri da tragédia com ares cômicos.

Enfim, a mídia reporta roubos, estupros, sustos e acidentes. Também reporta contra-ataques de quem se sente ameaçado e parte para cima dos palhaços: socos, pontapés, pauladas. Não sei como reagir à visão de um palhaço à frente do carro, à noite, em local escuro. Pode ser brincadeira. Ou não.

Medidas públicas devem ser tomadas a fim de conter a ameaça à ordem e os riscos à vida. Precisamos entender que limites entre humor e horror nunca foram tão tênues. Um palhaço do espetáculo teatral difere enormemente do praticante de bullying na escola, do político boçal, do insensato que se fantasia para assustar terceiros na rua. Há quem pretende acelerar o carro contra a ameaça. Outros atirariam. Para matar.

E você, respeitável público, aprecia o palhaço? Diante da aparição, pretende rir, chorar, revidar?

 

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