X
X

Diário da Região

01/06/2016 - 00h00min

Painel de Ideias

Precisamos falar sobre a cultura do estupro

Painel de Ideias

NULL NULL
NULL

Todos nós já sabemos que uma menina de 16 anos foi estuprada por 33 homens. A maioria de nós já deu sua opinião sobre o fato, mas o que mais impressionou é que muitas dessas opiniões, mesmo com a publicação de um vídeo da moça visivelmente desacordada envolta por homens que a rechaçavam, não classificaram o fato como estupro e nem a moça como vítima. Essas posturas que culpabilizam a vítima de abuso sexual e que naturalizam a violência contra a mulher são frutos da cultura do estupro. Precisamos falar sobre isso.

Quando não existe consenso em uma relação sexual, independente da situação e da quantidade de criminosos, sempre é abuso. O que é interessante é que mesmo não havendo consenso e mesmo sendo exposta, a mulher ainda é o principal alvo de questionamentos da sociedade. Seja por seu comportamento, por sua roupa, pelo seu histórico familiar. E é por isso que, geralmente, as vítimas de abuso sexual são as primeiras a sentirem vergonha por algo do qual não são culpadas, demoram a contar e, quando buscam ajuda, nas próprias delegacias são indagadas com perguntas constrangedoras.

A cultura do estupro permite a violação das mulheres, além de coagi-las, constrangê-las e culpabilizá-las. Ela se inicia na educação das crianças, quando não educamos nossos filhos homens para que não abusem, mas sim nossas filhas mulheres para que se comportem para não serem abusadas. Segue na vida adulta, quando nos convencemos de que corpos femininos são propriedades públicas, e que por isso não há problemas caso homens olhem, digam o que quiserem ou toquem corpos de mulheres sem o consentimento destas.

O abuso contra mulheres se torna algo normal, cultural, coisas que simplesmente acontecem. Em média oito mulheres são estupradas por dia no Brasil, e na região de Rio Preto, uma mulher é estuprada por dia. Mesmo com a quantidade alta de crimes, nunca conversamos sobre o assunto e damos a devida importância aos crimes de violência contra mulheres.

Trinta e três homens nos indignaram porque são muitos, mas somos muitas vezes coniventes com outros tipos de abuso. Não ligamos para o vizinho violento que obriga a mulher a manter relações sexuais com ele porque acha que é obrigação dela como esposa, ou para o universitário que tirou aquela casquinha da colega de sala que ficou muito bêbada na festa, ou para o amigão mandando fotos no grupo do WhatsApp da mulher com quem mantém relações mesmo sem ela saber.

Nada disso é consentido, mas a culpa é de todas elas, porque se comportaram de uma maneira que não deveriam. Os homens estão protegidos por essa cultura, as mulheres não. A nossa liberdade está encarcerada por uma construção social que aprisiona, violenta, condena e mata. Precisamos falar e lutar contra a cultura do estupro.

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!
É assinante mais quer redefinir sua senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 16,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Clique no botão ao lado e agilize seu cadastro importando seus dados básicos do facebook
Sexo
Defina seus dados de acesso