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Diário da Região

28/12/2016 - 00h00min

Painel de Ideias

Pela vida

Painel de Ideias

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Na semana passada me vi trancada em meio a uma histeria coletiva. Pessoas cheias de medo choravam, ligavam, corriam e assistiam na televisão a um apresentador desesperado que dizia aos berros: “Cidadãos rio-pretenses, não saiam de suas casas!!!”. Também fiquei com medo.

No dia seguinte, estávamos todos a salvo, policiais e cidadãos, apenas duas mortes: as dos criminosos. Iniciou-se, então, uma nova histeria coletiva, a comemoração destas mortes. Me inquietou que a mesma gente que teve medo de morrer ficasse feliz que outros morressem. Simplesmente porque “bandido bom é bandido morto”. Me fez pensar que não aprendi a vida toda nada sobre leis, nada sobre sistema carcerário, nada sobre ética, mas sei desde pequena essa máxima que nos coloca como bons e aquele que não corresponde aos nossos valores como mau - a ele se aplica, como em um sistema selvagem, a morte.

Sem questionamentos à operação policial neste caso, que imagino eu, tinha também profissionais amedrontados diante do atípico assalto de grandes proporções que parou a cidade, o que minha cabeça questiona é: Quais são os valores do dito cidadão de bem? Por que comemoramos mortes? De quem comemoramos mortes? O que nos faz tão bons a ponto de desejar que o outro morra para que prevaleça a bondade? Para o início do novo ano carrego dúvidas que buscam o caminho de uma evolução que se depara cada vez mais com um muro de valores questionáveis.

A semana começou com mais uma dentre tantas outras mortes, a de um ambulante no metrô. O caso chocante é a história de um bom homem que após defender uma travesti foi espancado até a morte. Pergunto-me eu, quantos de nós, homens igualmente bons, teríamos a mesma atitude deste homem? Será que não teríamos comemorado também se no seu lugar quem morresse fosse a própria travesti? A quem a nossa bondade atinge? São reflexões.

Para onde caminha uma sociedade que quer ver morrer e matar, eu não sei. 2016 foi um ano difícil, de grande retrocesso, e isso tem muito ou tudo a ver com os tipos de valores que estamos cultivando. Ano bom é ano que se vive. Respeitando, refletindo e tolerando. Que 2017 seja melhor.

 

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