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Diário da Região

13/08/2016 - 00h00min

Painel de Ideias

Pagus olímpicas

Painel de Ideias

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Pensa numa mulher do balacobaco. Quer sugestão? Pensa em Pagu. Era do balacobaco e tinha muito borogodó. Nascida em 1910, numa família tradicional do interior de São Paulo, quando morreu, aos 52 anos, Pagu (Patrícia Rehder Galvão) já tinha aprontado “de um tudo” num tempo em que as mulheres podiam quase nada nesse mundo de Deus.

Escritora, poeta, diretora de teatro, tradutora, desenhista, cartunista, jornalista e militante política, foi também a primeira brasileira do século 20 a ser presa política. Nada menos que 23 vezes ela foi encarcerada por conta de suas militâncias.

Pagu defendia a participação ativa e altiva da mulher na sociedade e na política. E ela chegava chegando. Abria o berreiro, soltava o verbo, empunhava suas causas. As más línguas de então afirmavam (com razão) ter sido ela o pivô do fim do casamento de Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade. Pra aumentar a fofoca, logo após a separação, Oswald casou-se com Pagu, que esperava um filho seu.

É certo que Pagu não nasceu Pagu. Faiscante, ela foi moderna na liberdade, trabalhou sua coragem, lapidou seus medos. Foi inédita, para o bem e para o mal. Da sépia do início do século passado, para as cores de um Rio de Janeiro dos cinco anéis olímpicos, o que se vê são Pagus de todas as modalidades, nacionalidades e véus. Na Rio 2016, as mulheres chegaram chegando: correspondem ao número recorde de 45% dos atletas participantes. São 4,7 mil mulheres mandando muito bem em tudo o que se pode pensar de esporte. Um belo salto para quem estreou na competição em 1900, em Paris, com apenas 22 valorosas entre 977 atletas de todo o mundo. Aliás, um salto com ouro. Na delegação atual dos Estados Unidos, por exemplo, 52,6% dos competidores são mulheres. Nunca uma nação teve tantas competidoras numa edição em 120 anos de Jogos Olímpicos modernos.

No nosso raquítico quadro de medalhas, duas das três angariadas até agora são de Rafaela Silva e Mayra Aguiar, ambas Pagus do Judô. E, na toada que vai, nossa esperança por mais medalhas reside nas chuteiras e nas mãos das Pagus do futebol, do handebol, do vôlei e do vôlei de praia. Na graciosidade apaixonante e esperta das Paguzinhas da ginástica olímpica. E talvez em outras que decidam ir além. Rasgar-se na liberdade de não ter medo. De ser inédita em suas próprias barreiras. Desafiar o desafio, com raça, força e estilo. E de ser bonita sempre. Feito a própria Pagu que usava maquiagem forte nos olhos e vermelho nos lábios. Pintadas para a guerra e para o amor. Para celebrar a vitória e a derrota. Inteiras em cada recomeço. É a Pagu de Rita Lee e Zélia Duncan, revitalizada e ainda mais empoderada nesses dias olímpicos: peito sem silicone e uma força que não é bruta. Mas é pau pra toda obra. E com toda certeza: mais macho que muito homem.

 

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